​‘QUANDO A LIBERDADE VIRA PÓ’

Uma história de amor que levou um jovem e bem sucedido empresário carioca ao submundo das drogas e das cadeias do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro

“Decifra-me ou devoro-te”. O enigma da esfinge, na mitologia grega – um demônio de destruição, na forma de um leão alado com uma cabeça de mulher – resume e simboliza a via crucis a que foi submetido Pedro Madsen Andrade, um jovem de classe média e bem sucedido empresário do Rio de Janeiro. ‘Devorado’ por numa paixão avassaladora e turbulenta que o levou ao submundo das drogas, à prisão e às mazelas do Sistema Penitenciário, Pedro percorreu uma trajetória de tormento, ao encontro consigo mesmo, e o fez descobrir novos significados para a própria vida.

A história real – de flagelo e superação – contada no livro ‘Quando a liberdade vira pó’, da Editora Babilônia, em depoimento à jornalista Fernanda Portugal, revela o cotidiano de violência, crime e corrupção no cárcere. Mix de reportagem policial, romance e denúncia, o livro, de 208 páginas, é escrito em primeira pessoa, e tem uma narrativa dinâmica, pontuada por informações acerca do Sistema Penitenciário, fornecidas pela Secretaria de Administração Penitenciária, Defensoria Pública, Ministério Público e Ministério da Justiça, como estatísticas e legislação.

Fernanda Portugal também teve acesso à íntegra do processo contra Pedro. Entre os especialistas entrevistados durante a apuração, destacam-se o jornalista investigativo João Antônio Barros (ex-O DIA) e Maíra Fernandes, ex-presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro.

O livro também relata histórias reais registradas pela crônica policial, de detentos que dividiram com Pedro as celas dos presídios Bangu 2 e Bangu 9, e Instituto Plácido de Sá Carvalho, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, entre 9 de dezembro de 2003 a 15 de outubro de 20014, período em que Pedro ficou preso.

ESFINGE – A ‘esfinge’ que Pedro não decifrou, chamada por ele de Bertha (nome fictício), foi, segundo ele, o ‘gatilho’ cunhado em amor, ciúme e possessão, que o arrebatou de uma vida linear e tranquila para uma queda livre no abismo das drogas, e a um inferno de dor, sofrimento e caos pessoal. Mas também, conta Pedro, de aperfeiçoamento, durante os 498 dias em que passou na prisão, condenado sob a acusação de tráfico de drogas.

Segundo o advogado criminal e presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Técio Lins e Silva, que assina um dos textos de capa do livro, o caso de amor entre Pedro e Bertha, é o fio condutor de uma grande reportagem-denúncia.

“Nada é mais atual do que a realidade das prisões, relatada sem nenhum exagero e, por isso mesmo, matéria-prima para mudar o que jamais deveria existir. Este livro deveria ser leitura obrigatória para o ingresso na magistratura e no Ministério Público. Só poderia tomar posse nessas funções o candidato que tivesse lido esta reportagem/romance/denúncia e revelasse o seu grau de emoção diante dos fatos descritos de forma limpa e delicada. Pensando bem, depois de conviver com esta fantástica história, acho que li um livro de amor”, relatou.

No livro, Pedro refere-se à Bertha como ‘A mulher bélica’, devido ao seu temperamento explosivo. “A fúria da Bertha foi a peça que deflagrou tudo. Foi uma centelha. O poder que ela exerceu sobre mim foi intenso. Não tenho mais nenhum contato com ela, que não quis ser entrevistada nem autorizou a divulgação de seu nome verdadeiro no livro”, frisa. “Outra interpretação para ser um “livro de amor” pode ser a de que o Pedro, antes muito autocentrado e mimado, saiu da cadeia um ser humano altruísta, preocupado com os desvalidos e com gana de tentar melhorar o mundo”, completa Fernanda.

‘Quando a liberdade vira pó’ leva o leitor à reflexão sobre a falência do sistema penitenciário do estado. Em Gericinó, Pedro passou por três unidades, em celas imundas, superlotadas de homens em total ociosidade, e testemunhou o tráfico de cocaína e maconha funcionar a pleno vapor, administrado por um sistema carcerário paralelo ao oficial. No cárcere, conviveu com o polêmico pastor Marcos Pereira, o enfermeiro do Quinta D’Or acusado de violentar uma paciente, o braço direito do chefão dos caça-níqueis Fernando Ignácio, entre outros criminosos.

SUPERAÇÃO – Foi nesse ambiente hostil, porém, que Pedro encontrou forças para se livrar da dependência química e a encontrar novos significados para a própria vida. Antes entregue à cocaína e à paixão por uma mulher, após sua prisão redescobriu a religiosidade, perdida na adolescência, e passou a ter o desejo de ajudar os companheiros de cela.

“Eu ainda estou vivendo o momento de plantar. Quero formar um grupo atuante para repensar e traçar diagnósticos e soluções na esfera social para o Sistema Carcerário. Um grupo formado por juristas, médicos, assistentes sociais e psicólogos para cooperar com o Poderes Executivo, Legislativo e com a Justiça. Acredito que é preciso humanizar o sistema, para que os detentos realmente possam ser resgatados. O atual sistema coloca o preso na ‘faculdade’ do crime”, salienta Pedro, ao SOLIDÁRIO NOTÍCIAS.

De acordo com Fernanda, o livro é um “alerta para a sociedade”. “Para quem cobriu Segurança Pública durante muito tempo, não chega a ser surpresa um relato de violência e corrupção atrás das grades. Mas para muita gente, inclusive Pedro e família, aquela é uma realidade totalmente distante e inacreditável. Para sustentar e dar credibilidade ao relato de Pedro foi que resolvemos entrevistar especialistas, como Maíra e João. Para que dissessem algo como “esse rapaz não é louco, esses absurdos acontecem mesmo”, contextualizou Fernanda.

Segundo a jornalista, mudar o sistema é como “domesticar um leão”: “Pelos mesmos motivos, apurei um calhamaço de números do Ministério da Justiça, para mostrar como dar jeito no sistema é o mesmo que “domesticar um leão”. E foi assim que, um livro que seria de memórias, acabou virando um livro-reportagem: pela necessidade de robustecer esse relato do Pedro com outras fontes, tornando-o um alerta para a sociedade”.

BIOGRAFIAS

>>> Pedro Madsen Andrade foi criado com amor e conforto em uma família de classe média carioca. Deu trabalho aos pais, mas quase nada que fugisse ao script da adolescência. Aos 27 anos, viu-se arrebatado pela paixão por uma mulher. Com o coração numa gangorra, logo começou outro relacionamento sério – desta vez, com a cocaína. Passou a cheirar sem freios, mesmo ao volante. De empresário se tornou presidiário. Hoje, Pedro trabalha com aconselhamento em dependência química e palestra sobre sua experiência transformadora na prisão, além de ser graduando em psicologia e teologia, e se dedicar ao estudo de filosofia e antropologia.

>>> Fernanda Portugal decidiu ser jornalista por gostar  de escrever. No último ano na UFRJ, em um estágio no Jornal do Brasil, se apaixonou pela reportagem policial. Foi repórter e editora de O Dia, nas editorias de Cidade, Saúde, Internacional e Meio Ambiente. Com reportagens ligadas a segurança pública e direitos humanos, ganhou três vezes o prêmio SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).

SERVIÇO

 ‘Quando a liberdade vira pó’: Como as drogas levaram um jovem empresário ao submundo das cadeias do Rio De Janeiro – Próximo lançamento com sessão de autógrafos: Livraria Travessa, 30 de maio, terça-feira, a partir das 19h. BarraShopping, Avenida das Américas, 4.666, loja 220.

FICHA TÉCNICA

Preço: R$ 52,90

PÁGINAS: 208

IDIOMA: Português

ENCADERNAÇÃO: Brochura

FORMATO: 15,5 x 23

ANO de edição: 2017

ANO copyright: 2017

EDIÇÃO: 1ª

 >> Mais informações: www.babiloniaeditorial.com.br​​

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