A importância de um ídolo

O judô brasileiro figura entre os melhores do mundo. Mas, a despeito disso, já há algum tempo carece de um ídolo, como foi, por exemplo, o ex-judoca Aurélio Miguel

O judô brasileiro figura entre os melhores do mundo. Mas, a despeito disso, já há algum tempo carece de um ídolo, como foi, por exemplo, o ex-judoca Aurélio Miguel

 


 

Ao escrever seu nome na história do judô brasileiro como o primeiro judoca a conquistar uma medalha de ouro olímpica em Seul, Coreia do Sul (1988), Aurélio Miguel ganhou a posição de ídolo, contribuindo para aumentar o número de adeptos da luta. Humilde, articulado e carismático, sempre teve a noção exata da sua importância no processo de massificação do judô.

 

Quatro anos depois em Barcelona, Espanha, Rogério Sampaio – categoria meio – leve – demonstrou a eficiência do seu o-soto gari e também conquistou a medalha de ouro.

 

A vitória de Aurélio Miguel poderia já ter ocorrido na Olimpíada de Los Angeles, em 1994, onde o judô brasileiro teve destaque, ao conquistar uma medalha de prata com o meio pesado Douglas Vieira, e duas de bronze: Walter Carmona no peso – médio, e Luís Omura no leve. À época os planos de Aurélio foram prejudicados em função de um problema com o ex-presidente da Confederação Brasileira de Judô – CBJ – Joaquim Mamede ( que faleceu aos 86 anos, em novembro de 2015), quando criticou o sistema de seletivas para a formação da seleção brasileira, e também que os atletas tinham que arcar com as despesas para disputar competições internacionais. Foi afastado por um bom período das competições. A pendenga só foi resolvida com a intervenção do Secretário de Desportos da Presidência da República, Bernard Razjman.

 

Aurélio ganhou notoriedade no Brasil e no mundo. Suas vitórias nas competições internacionais e um dom inato no quesito comunicação, o transformaram num ídolo, muito querido entre as crianças. Entre outras coisas, o ídolo atua como estímulo para a prática do esporte, na medida em que conquista novos adeptos e, além disso, incentiva outros atletas a seguirem seu exemplo.

 

Disputou três Olimpíadas – Seul (1998); Barcelona (1992) e Atlanta (1996). Ainda na categoria júnior, em 1983, em Porto Rico, quando foi campeão mundial, mostrou para o mundo sua capacidade técnica e o estilo competitivo que o consagraram como um dos melhores lutadores de todos os tempos, tendo o seu nome inscrito no Hall da Fama do Judô, ao lado de 20 nomes que marcaram o judô mundial. (veja abaixo lista dos judocas brasileiros que ganharam medalhas em Olimpíadas, em Mundiais Sênior e por Equipes. E os nomes que compõem o Hall da Fama)

 

Na competição em Porto Rico ocorreu um incidente: após vencer a luta final contra o japonês Thomura e conquistar a medalha de ouro, Aurélio decidiu não subir ao pódio, depois de ter sido avisado pela organização do mundial que o hino nacional brasileiro não seria tocado, pois não havia gravação. Só mudou de ideia, após uma solução inusitada: os companheiros da equipe cantaram o hino. Na categoria adulto, em campeonatos mundiais, Aurélio foi bronze em Essen, Alemanha (1987); prata em Hamilton, Canadá (1993) e também prata em Paris, França (1997)

 

O feminino de ídolo, de acordo com o padrão formal da linguagem, se classifica como sobrecomum. Apresenta apenas um gênero para o masculino quanto para o feminino. Dito isso, o caso em tela vale para os judocas e as judocas.

 

O judô brasileiro nas Olimpíadas e Mundiais

 

Em Jogos Olímpicos

 

22 MEDALHAS – 4 OUROS / 3 PRATAS / 15 BRONZES

 

1972 (Munique/GER):

Chiaki Ishii (-93kg, bronze)

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1984 (Los Angeles/USA):

Douglas Vieira (-95kg, prata)

Walter Carmona (-86kg, bronze)

Luís Onmura (-71kg, bronze)

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1988 (Seul/KOR):

Aurélio Miguel (-95kg, ouro)

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1992 (Barcelona/ESP):

Rogério Sampaio (-65kg, ouro)

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1996 (Atlanta/USA):

Aurélio Miguel (-95kg, bronze)

Henrique Guimarães (-65kg, bronze)

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2000 (Sydney/AUS):

Tiago Camilo (-73kg, prata)

Carlos Honorato (-90kg, prata)

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2004 (Atenas/GRE):

Leandro Guilheiro (-73kg, bronze)

Flávio Canto (-81kg, bronze)

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2008 (Pequim/CHN):

Ketleyn Quadros (-57kg, bronze)

Leandro Guilheiro (-73kg, bronze)

Tiago Camilo (-81kg, bronze)

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2012 (Londres/GBR):

Sarah Menezes(-48kg, ouro),

Mayra Aguiar(-78kg, bronze)

Felipe Kitadai(-60kg, bronze)

Rafael Silva(+100kg, bronze)

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2016 (Rio de Janeiro/BRA)

Rafaela Silva (-57kg, ouro)

Mayra Aguiar (-78kg, bronze)

Rafael Silva (+100kg, bronze)