A quem serve a manipulação da informação na Síria e omissão de notícias sobre a Grã-Bretanha

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Omran Daqneesh é o menino sírio que apareceu, em agosto do ano passado, com a cara manchada de sangue depois de um bombardeio em Alepo. A criança, que reapareceu estes dias ao lado do pai Mohammad Kheir Daqneesh, tinha sido vítima de uma orquestrada propaganda de guerra divulgada nos mais diversos rincões ocidentais. O pai de Omran o apresentou novamente ao mundo em boas condições de saúde e explicou o que de fato aconteceu na ocasião.

Mohammad revelou que naquele dia em agosto de 2016  ninguém tentava ajudar as vítimas, mas sim utilizaram o filho para gravar um vídeo propagandístico.

São palavras dele: “sou Mohammad Kheir Daqneesh, pai do pequeno Omran. Aquí, na área leste de Alepo houve muita confusão com os militantes da oposição e sua propaganda. Graças a Deus, o menino está bem e só sofreu pequenas lesões. Chegaram a dizer inicialmente em seus meios de comunicação que Omran morrera, mas depois passaram a divulgar que ele estava vivo”

Em um dos telejornalões, a mesma TV Globo que propagandeou a imagem do menino naquele agosto de 2016, agora colocou em dúvida o novo vídeo dizendo que o pai poderia ter sido induzido a mostrar o filho como propaganda do “ditador sírio Bashar al Assad”.

Omaran tinha sido retirado dos escombros enquanto o pai providenciava que outros membros da família saíssem são e salvos do local. Quando procurava Omran recebeu a informação dos integrantes dos capacetes brancos que o filmavam segundo a qual o menino tinha sido conduzido a um hospital. Mentira com o objetivo de evitar que o pai tomasse conhecimento da filmagem que correria o mundo naquele agosto de 2016.

E o texto que acompanhava as imagens revelava mentirosamente que Omran, de três anos de idade, tinha sido vítima da ação de tropas governamentais sírias e da Rússia, acionadas para liberar Alepo dos terroristas do Estado Islâmico.

Agora, quase um ano depois a família Daqneesh foi localizada e retornou a Alepo, onde sempre viveu e na cidade liberada tenta voltar à rotina.

Este e mais um exemplo concreto de como se manipula a informação com o objetivo de iludir a opinião pública, no caso mundial.

Crescimento dos trabalhistas britânicos

Outro exemplo é o que se passa na Grã-Bretanha onde nesta quinta-feira (8) os eleitores elegerão os seus representantes para o Parlamento. Muito pouco se informa sobre o crescimento nas pesquisas do Partido Trabalhista, que apresenta como proposta o fortalecimento do Estado, enquanto os conservadores adeptos da Primeira Ministra Thereza May optam por um programa neoliberal, exatamente oposto.

Há poucas semanas o favoritismo dos adeptos de May era considerado irreversível, mas o crescimento dos trabalhistas depois de apresentarem sua plataforma de governo deixou perplexos os seguidores do esquema neoliberal.

O Partido Trabalhista liderado por Jeremy Corbyn, pode não ganhar o pleito, mas provavelmente terão uma representação no Parlamento bem maior que as mais otimistas projeções.

Os trabalhistas cresceram exatamente porque assumiram o compromisso, entre outros, de reestatizar as ferrovias e as empresas de energia; aumentar fortemente os orçamentos da saúde e educação; cancelar a cobrança de taxas para as universidades, já que, sob o Partido Conservador, o ensino superior passou a ser pago. E tem mais prometeram também aumentar os impostos para quem ganha o correspondente a mais de 25 mil reais por mês.

O líder trabalhista Jeremy Corbyn garantiu que a taxação sobre os mais ricos vai ter números escandinavos, ou seja, até 50 por cento da renda. Com isso, Jeremy Corbyn diz que pode aumentar os gastos públicos em valores correspondentes a 200 bilhões de reais.

E em uma de suas declarações afirmou que com os trabalhistas no poder o “nosso país só irá trabalhar para a maioria, e não para a minoria, se os muitos e não os poucos tiverem oportunidades. O nosso plano de governo é para que todo mundo tenha uma chance justa de se dar bem na vida, porque o nosso país só terá sucesso quando todos tiverem sucesso”.

Tais propostas não foram praticamente divulgadas por aqui. Se o fossem deixariam os atuais ocupantes do governo brasileiro irritados e muito preocupados, a começar pelo ministro da Fazenda, Henrique Meireles e o ocupante indevido do Palácio do Planalto, Michel Temer, que em pouco mais de um ano, com o apoio entusiasta da mídia comercial conservadora, realizou o oposto defendido pelos trabalhistas do Reino Unido e ainda quer enfiar goela adentro do povo brasileiro as reformas trabalhista e previdenciária.

Por estas e muitas outras, vale acompanhar com bastante atenção o pleito britânico e também o que dirão, ou não dirão, os colunistas de sempre, defensores incondicionais do Estado mínimo, que basicamente atinge em cheio conquistas sociais obtidas no Brasil ao longo dos últimos anos.