Afinal, o basta à extrema direita

As recentes eleições holandesas trouxeram um primeiro freio às expectativas da guinada europeia à extrema direita. Não há, talvez, melhor laboratório na democracia que a do país, na linha de frente das Nações Unidas, para a defesa dos direitos humanos.

A vitória do primeiro-ministro Rutte consagrou a estabilidade de um regime de centro, ganhando nítida vantagem sobre os extremismos de Wilders, no prenúncio do que poderia ser, a seguir, uma vitória de Le Pen, ou o abalo de Merkel.

Exemplar é o resultado antipolarização da Holanda, permitindo a especificação dos recados, especialmente à esquerda, a incluir, inclusive, um partido muçulmano sobre a mesma ideologia. Fica, de vez, travada a ronda antimigratória, e, já, no aviso e no contraponto com Trump. E, de logo, avulta o reforço internacional ao econhecimento de um “ir e vir” universal. Multiplicam-se, nos Estados Unidos, as decisões judiciais contra o fechamento de fronteiras, proposto pelo presidente. Contra o isolacionismo de Trump, é na sequência dessas sentenças irrecorríveis que, certamente, se dará o levante da opinião pública americana. E a pergunta aí está, de quando se iniciará o impeachment, num reclamo tão maior ainda que o do afastamento de Nixon, no incidente de Watergate.

O acirramento dos defensores de Trump, dentro do partido, poderá levar à sua ruptura, isolando o fundamentalismo radical. Não é outra, aliás, a bandeira dos movimentos conservadores, a se processar, hoje, em cidades do interior mais profundo do país.

Em contraposição, o constitutivo essencialmente democrata do país vira-se para Hilary e para Obama, numa resposta que é a da própria continuidade da consciência política americana. Até onde irá o país a esta espera, e, sobretudo, quando a vitória de Trump nasceu do colegiado ratificatório das eleições, e não do peso efetivo da real maioria dos eleitores?