Ao mestre, sem carinho

Que dia é a prova de recuperação do ENEM? Talvez a frase não seja apenas ligada ao aluno diante das dificuldades da prova maratona, mas também, o espetáculo ao redor promovido em tempos de ódio, assim como a nova direção educacional do País. Não obstante a uma prova, que sempre; em toda a história da avaliação nacional; nunca foi feita para verificar o aprendizado do aluno e sim estimular uma competição. Nesse módulo “competitivo”, deixa-se de lado: o dia do aluno, seu psicológico, suas possibilidades e inclusões. Assim como um sistema capitalista que está sempre estimulando essa mesma competição, a imposição a crianças, ainda em dúvidas com relação ao seu futuro, se torna estressante desde o momento em que entra ao ensino médio. A ansiedade é amiga do sistema de eliminação. No mínimo, você terá taquicardia, mão suando, perna tremendo, respiração ofegante, tensão muscular…fobias e transtornos pré-ENEM. Esse talvez seja o melhor significado desta palavra. Na ânsia de fazer uma boa prova, muitos abusam de estudos demasiados, alimentação desregrada e isso alimenta cada vez mais essas síndromes anteriores e por que não, posteriores a maratona de prova.

É jovem, não tem experiência.

“ – Nem adianta virem com essa de ENEM ontem… podem abrindo na pág. 394, seus insolentes! ” Diria aquele professor que está acomodado ao sistema, somando ao momento social dos dias de ódio de hoje. Além dessa pressão toda, o ano inteiro, ainda teve que ser recebido pelo coro daqueles que se divertem com a agonia alheia para chegar a tempo da prova. Todo ano é a mesma coisa, mas a reportagem nunca cuida do indivíduo e sim apontando aqueles que tiveram todo tipo de empecilho. É bem verdade que sempre vai haver aqueles displicentes, pouco interessados na prova. Mas um contingente grande, está incluído nos problemas de mobilidade ou presos ao sistema. Posso citar o caso de um padeiro, que já trabalhava desde às 5h da manhã e foi liberado pelo chefe muito em cima da hora de fechar. Podemos sim falar dos nós urbanos criados sempre nesses dias especiais, mas em algumas áreas rurais, as distancias para vencer era o vestibular antes do vestibular. Teve até o caso de alguém não ter a canoa para atravessar o rio, pois as piranhas já tinham inutilizado com o transporte. Qual a graça de rir do sofrimento dos outros? Falta empatia ao brasileiro? Ou os grupos de ódio estão ganhando força, a cada vez de um enfraquecimento de um sistema popular? Indo a algumas redes sociais, não bastando a humilhação recebida na frente do local de prova, ainda são submetidos ao escárnio público, com direito a todo tipo de preconceito possível e intolerância.

Se não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se Tem automóvel, chora de “barriga cheia’.

Em um governo, numa democracia, podemos esperar conteúdos mais sociais, preocupados em que o tema seja de relevância e compreensão com fundo de discussões mais importantes, das dificuldades das minorias e sua inclusão na sociedade. Em um Corporativismo, quase nada de sociologia, filosofia e história na prova. A maioria das questões foram de interpretação de texto. Darcy Ribeiro já apontava que, “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.” Daí um tema de redação nesses moldes, que não é a inclusão de surdos ou do portador de deficiência auditiva severa, nem a necessidade de respeito à pessoa humana com limitações. O tema foi: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil.” Mesmo assim, teremos receita de miojo e muito texto inadequado, sem possibilidades de zerar. Fora que pareceu que o MEC está mais perdido e está pedindo ajuda dos universitários. Mas o que podíamos esperar de um sistema em que pensa em privatizar as universidades?

Se escreve muito, não explica.
Se Explica muito, na folha não tem nada.

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