Arte, fé e inovação – Tradição e releituras de “Corpus Christis”

Por Nilber Ferreira

A festa de Corpus Christi, tradicional celebração católica realizado dia 15 de junho recorda o mistério da Eucaristia, o sacramento católico do Corpo e Sangue de jesus Cristo. A origem do nome “Corpus Christi” significa corpo de cristo, ocorre não por acaso numa quinta-feira, esse fora o momento que o mestre ordena os seus seguidores repetirem esta reunião em memória dele comendo o pão e bebendo o vinho como um sinal do seu sacrifício na cruz do calvário em favor da humanidade, segundo a bíblia sagrada.

A atmosfera do “Corpus Christi” remete a compreender a comunhão das famílias paroquianas reunidas em torno do preparo e confecção dos tapetes decorados de “Corpus Christi”, do Sacerdote conduzindo o povo na procissão lembrando a peregrinação no deserto. As pessoas mesmo não compartilhando a mesma Fé entendem a universalidade do gesto de Jesus e de toda a sua bondade. A concepção de Deus vai além de letras, papéis e bandeiras de credo, cor, sexo. Ela se manifesta em cada gesto, em cada olhar voluntario em mostrar o amor de Deus em mundo em crise.

Ponto importante no conjunto de atrações das celebrações do feriado é a confecção artística de tapetes coloridos nas ruas próximas as paróquias. Os materiais são variados: sal, pó de serra, palha, areia, borra de café entre outros são utilizados na criação das imagens. Foi na cidade mineira de Ouro Preto que pela primeira vez, as ruas foram enfeitadas para abrilhantar os festejos até hoje, presentes em várias cidades do país.

O que se vê pelo Brasil afora são quilômetros de asfalto se transformando em milhares detelas, com arte e criatividade expressam os elementos da Cristandade e toda a espiritualidade  do povo. A inspiração divina rege os pincéis, mãos e mentes milimetricamente gotejam múltiplos tons na matéria aparentemente sem utilidade formando um coletivo de fé e cores.

Os jovens desenhistas Alex Rodrigues, de 23 anos e Mateus de Andrade, de 21 anos foram convidados pela nossa reportagem para usarem seus dons produzindo releituras inspiradas nos tradicionais tapetes que cobrem os caminhos dos fiéis no dia da celebração do Sacramento da Eucaristia. Mateus utilizou o estilo Cartoon usando dois personagens criados em parceria com outro artista, os amigos Ari e Pita sob os cuidados do mestre Jesus. Ilustrando as palavras de Jesus: “Vinde a mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus”. “Desejei mostrar o relacionamento puro de Jesus com as crianças, num contexto triste, onde crianças perdem sua inocência cedo. Devemos pensar que somos exemplos para os pequenos, crianças absorvem tudo ao seu redor. Fazemos realmente o possível para ensinar o caminho correto?

Infelizmente a humanidade em alguns momentos tropeça e não dá boas referências para elas seguirem. O nosso maior exemplo é Jesus”, ressalta. Mateus De Andrade, estudante, frequentador da Capela Nossa Senhora Aparecida, coligada a Paróquia Santa bárbara e santa Cecilia onde trabalha auxilia no ministério de música.

Estilizar em Grafite a imagem do sagrado coração de Cristo em meio ao sofrimento pelos homens foi a inspiração de Alex Rodrigues, estudante de 23 anos, retratou também que mesmo em sua condição de Rei de tudo e todos decidiu se entregar. A inscrição “tetelestai” significa, está consumado, uma das últimas palavras de Jesus na cruz. “Me sinto honrado em retratar Jesus que, nos reuniu novamente com Deus, o Criador. Trazer uma mensagem de harmonia dizendo que buscamos a trindade: Pai, Filho e o Espirito Santo, um relacionamento  com ele, completa. Relembrar em comunhão com nossos irmãos a graça dele sobre nós mediante seu corpo. ”

Vivemos dias de era digital, redes sociais, inovações tecnológicas e as revoluções sociais acontecendo a cada instante a nossa volta. Nesta esquina da vida diária as fronteiras do sacro e profano, do clássico e do moderno, do certo e errado que se encontram, lançam no ar milhares de vozes com ou sem intenção de expressar religiosidade. Adaptar os novos conteúdos dessas novas linguagens sem alterar a essência alcançara de forma mais ampla as pessoas pelo mundo. “Nestes novos tempos, é preciso adaptar-se às novas tendências sem deixar a Tradição. É a Comunhão Mundial em torno do Evangelho que torna a Igreja Católica Importante como Ela é.” Ressalta Marcus Souza, 57 anos, aposentado, que há cerca de 40 anos professa a fé Católica Já tendo participado da Pastoral de Jovens, Noivos, Família, Palavra e Eucaristia entre outras atividades Paroquiais. Ele reafirma que não se pode desviar a atenção de Cristo, o real motivo da celebração centenária e torna- lá sempre viva na Igreja perpetuando a fé e a comunhão.

Nas festividades do “Corpus Christi” há uma união de sentimentos, congregação de sentidos, suor, emoção e trabalho mantendo acesa a tradição andando em sintonia com o novo, o globalizado e o interativo conectando as pessoas por todo o mundo. A manifestação da arte dialogando com a fé diariamente.

 

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Corpus Christis
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