As iniciativas contra o desperdício de comida .

De acordo com a ONU, até o ano de 2050 a população mundial será de aproximadamente 9 bilhões de pessoas. Baseando-se nessa estimativa, será preciso produzir 50% a mais de comida e, ainda assim, 1 bilhão de pessoas sofrerão de desnutrição, porque 30% de tudo que é produzido mundialmente é jogado fora.

AS INICIATIVAS CONTRA O DESPERDÍCIO DE COMIDA

De acordo com a ONU, até o ano de 2050 a população mundial será de aproximadamente 9 bilhões de pessoas. Baseando-se nessa estimativa, será preciso produzir 50% a mais de comida e, ainda assim, 1 bilhão de pessoas sofrerão de desnutrição, porque 30% de tudo que é produzido mundialmente é jogado fora. Ao traduzir em números, as cifras se transformam em impressionantes 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados, gerando um prejuízo de US$ 940 bilhões, ou seja: R$ 3 trilhões.

 

Em junho do ano passado, a ONU anunciou o lançamento de um padrão global para medir a perda e o desperdício de alimentos e o resultado não foi nada animador. De acordo com os dados da organização, a América Latina desperdiça 348 mil toneladas por dia, e o Brasil está na lista dos 10 mais. Em sua cadeia produtiva ( da colheita até o consumidor), o país desperdiça 41 mil toneladas por ano de comida.

As causas

No último Sustainable Food Summit da América Latina, em junho de 2016 na cidade de São Paulo, foi apontado por coordenadores de instituições ligadas à sustentabilidade e ao combate à fome, que um dos problemas é a falta de um marco regulatório que dê segurança jurídica para empresas fazerem doações de forma adequada. Outro ponto destacado é a não aprovação e/ou promulgação de PL ( projetos de lei) relacionados ao tema. E a complexidade aumenta quando se depara com uma infraestrutura precária da cadeia produtiva que necessita de câmaras frias e transporte adequado, além de um maior engajamento do governo, produtores e os consumidores na luta contra o desperdício.

Segundo uma análise do Banco de Alimentos ( www.bancodealimentos.org.br), mesmo estando fora do mapa da fome, ainda temos 3,4 milhões de brasileiros que se encontram em situação de insegurança alimentar. Há também a questão dos produtores rurais com os centros de abastecimentos (CEASAS), que, quando há uma super safra de algum produto, os agricultores preferem jogar fora a colheita a vender por um preço muito baixo, pois alegam que não cobriria os custos do plantio, mas para uma família, essa é uma matemática difícil de entender.

Um outro dado alarmante é a excessiva preocupação estética dos supermercados, que expõem para venda somente os alimentos que têm um “padrão de beleza”, descartando os feios, que também têm seu valor nutritivo.

Iniciativas que dão certo

Apesar de todo um cenário nada animador seja no âmbito global, ou aqui no Brasil, descobre-se a cada ano ações promovidas por pessoas e/ou entidades preocupadas em diminuir as graves consequências do desperdício de alimentos.

Na Europa, a rede de supermercado francesa Intermarché resolveu colocar os vegetais e frutas “feiosos” ao lado dos esteticamente mais bonitos, com o preço reduzido. Além disso, promoveu uma seção de degustação de sopas e sucos feitos com estes alimentos e o resultado foi o seguinte: não sobrou uma batata pra contar a estória. Exemplos semelhantes também são encontrados em Portugal e na Dinamarca.

Por enquanto, aqui no Estado do Rio de Janeiro, a legislação que proibiria o desperdício ainda não saiu do papel. Contudo, existem algumas iniciativas como hortas comunitárias, espalhadas em vários bairros da cidade, e a Favela Orgânica , um projeto comandado pela chef Regina Tchelly, no Morro da Babilônia – Zona Sul do Rio – , cujo objetivo é o aproveitamento integral dos alimentos e o consumo consciente, por meio de cursos e oficinas que promove na comunidade e pelo país.

Em  2015 foi criada a Food Save Brasil, que tem a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), e a Embrapa  como apoiadores. A organização tem como objetivo formar uma rede de especialistas atuantes no combate ao desperdício, além de promover campanhas e materiais didáticos sobre o tema.

Um outro projeto interessante é o Disco Xepa. Um evento promovido pelos simpatizantes do slow food. Tudo começa na feira livre, onde os participantes e voluntários do projeto recolhem o que iria para o lixo e preparam refeições que são distribuídas. Além disso, uma agenda cultural acompanha o cardápio.