A bancada Evangélica é um desserviço ao Evangelho

Do Solidário, por Bianca Stella

03 de Dezembro 2016

Em entrevista ao Solidário Notícias, o pastor Israel Belo, da Igreja Batista Itacuruça, localizada no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio, falou a respeito de algumas questões que ainda são polêmicas para grande parte dos evangélicos, como por exemplo, a política, divórcio e a homossexualidade. De família evangélica, e há mais de uma década como pastor titular da igreja, em função do seu estofo cultural faz parte de uma vertente que representa o lado intelectual do universo evangélico. Bacharel em Comunicação, pós-graduado em História do Brasil, doutor em Filosofia e mestre em Teologia, não raro é convidado para participar de programas de debates na tevê.

Sobre o novo prefeito do Rio, bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus -IURD – frisou que, a despeito da Universal não gozar da simpatia da maioria dos evangélicos, espera que Crivela consiga formar uma boa equipe executiva e uma coalizão, “para o bem da nossa cidade”.

 

Solidário Notícias – Como é pastorear uma Igreja com pessoas de diferentes personalidades e opiniões por tanto tempo? 

Pastor Israel Belo de Azevedo – Estou como pastor titular desde 1999. Todavia, sou da igreja desde 1974, primeiro como seminarista, depois como membro família evangélica. Fiquei um tempo fora, morando em outra cidade, mas sempre ligado aqui.

Conheço bem a membresia, conheço algumas características individuais, o esforço é entender que as pessoas são diferentes em suas qualidades e eventuais defeitos, compreender que o que eu acho não é necessariamente o melhor. Muitas vezes, é ate o pior. E que, como diz a Bíblia, na multidão de conselhos o melhor está a sabedoria. Respeitar, valorizar, cultivar essas diferenças, a tensão existe quando as partes querem que as suas perspectivas, as suas ideias, os seus projetos prevaleçam. O meu trabalho consiste em buscar um equilíbrio em que também as pessoas aprendam a respeitar as diferenças que há entre elas. Não só diferenças com relação a conceitos, mas sobretudo com relação a ritmos. Há pessoas que são rápidas. E há pessoas que são mais lentas e temos que trabalhar os dois. Nem sempre e possível porque muitas vezes, por exemplo, na igreja existe uma  coisa chamada comissão. Então, a igreja que é congregacional em sua democracia, ela delibera nomear uma comissão para determinado assunto, só que estas pessoas não se conhecem, vão se conhecer no trabalho, e às vezes, não têm afinidade conceitual. Peguemos a área de comunicação: vocês sabem que o pessoal da área de publicidade não conversa com o de jornalismo, e que o pessoal de publicidade tem uma tensão com o pessoal de marketing. Você coloca um artista no meio, fica ainda mais complexo. Então, por exemplo, às vezes é melhor não ter esta comissão, porque não vai funcionar,porque as habilidades, são muito distintas, as perspectivas são diferentes, as premissas, não são as mesmas. É muito mais fácil pegar as pessoas isoladamente, você faz isso, você faz aquilo,quando você observa que a comissão não vai funcionar, então você usa outro tipo de artifício, de argumento , estratégia para que a coisa possa sair, e o que tem que ser feito, seja feito. Acho que esse seja o resumo das ações.

 

Diante de tantas notícias ruins, no Brasil e no mundo, vivemos atualmente uma crise de desesperança? 

Há muito tempo, um autor chamado Ernst Bloch, escreveu um livro em alemão cuja tradução seria o principio da esperança. Diz que a marcha da historia se dá pela esperança. Penso que isso é verdadeiro também em nosso País, tanto do ponto de vista das noticias ligadas a crimes, que são em quantidades lamentavelmente excessivas, quanto em relação à desilusão da classe média e, não falo aqui da classe popular , que é um outro capitulo , mas da classe média, porque é que repercute, é a que vai para as ruas,é a que escreve cartas para os jornais, é a que faz algum tipo de pressão. A desilusão da classe média, claro que voltada para os seus interesses, faz com que haja uma idéia de que não adianta, tanto que o índice de abstenção nas últimas eleições para cargo majoritário no nível local municipal foi um índice bastante elevado, mas se nós renunciarmos à esperança, não resta mais nada. Então, nós nunca podemos perder a esperança. Na perspectiva cristã, nós temos duas linhas nessa direção: uma que vai mesmo piorar, poque nos entendemos como cristãos que o ser humano é pecador e vai engendrar formas de fazer com que o mal lhe traga aquilo que ele imagina ser o benefício. Entendemos que uma terra perfeita só virá quando Jesus Cristo voltar, no final da história. Ao mesmo tempo, aprendi isso com o teólogo católico belga chamado Edward Schillebeeckx que disse o seguinte: o fato de nós não termos estruturas perfeitas, o fato de que a perfeição só acontecerá no céu , não nos exime de lutar para que a nossa sociedade seja mais justa. Esse pensamento li na juventude, Perfeito! Até acrescento, o fato de no céu ser perfeito, nós já temos a meta, o alvo, onde queremos chegar , aquilo que imitar no céu. No livro de Isaias: 65, nós temos um texto belíssimo, em que o autor diz o seguinte: em que haverá um tempo em que os trabalhadores plantarão as vinhas e vão comer as uvas: em que os pedreiros construirão casas e irão morar nelas. Esse não é o mundo real. O agricultor não come do seu trabalho, e nem o construtor operário vive nas casas que constrói. Esse é o mundo que nós queremos chegar, nunca acontecerá aqui na terra, nós temos que buscar esse mundo, essa tensão, acho que é muito importante. Por isso que nos remete à pergunta da esperança. Sem esperança, nem votar votamos, nem sair da cama de manhã, nós saímos.

 

Qual a análise que o Senhor faz do cenário evangélico brasileiro do início da sua carreira pastoral, comparando-o aos dias de hoje? 

Acho que no começo dos anos 70 diria que comecei meu trabalho ministerial como professor. Fui professor do Seminário do Sul aqui no Rio de Janeiro durante 11 e depois,  por quatro anos dirigi uma organização na área de relações com igrejas e projetos sociais pela visão mundial, nos anos 80, meados de 90, nós acreditávamos ainda que nós íamos mudar o mundo. O problema da juventude hoje, com raras exceções, ela pensa em ganhar dinheiro, não tem mais o sonho de mudar o mundo, alguns ainda têm, mas nos anos 90 ainda havia esse sonho. Então, acho essa uma diferença significativa: a outra, que o mundo ficou por demais complexo. Eu mesmo tive algumas ideias nos anos 80 que não consigo implementá-las porque o mundo ficou complexo. No nosso caso aqui, estamos num bairro que tem Rotary, tem Lions, tem Associação de Moradores de Favelas, de Comerciantes, tem a Policia Civil, Militar, Guarda Municipal para citar alguns agentes, shoppings que são associações  também . Mas como nos juntar a eles? É  muito complexo, o mundo é muito complexo, você não consegue nem encontrar as pessoas. Essa é uma grande dificuldade para mim, é uma grande frustração.Quando vou a  uma cidade pequena chego para o pastor, você já foi falar com o prefeito, porque lá consegue falar com  o prefeito, mas aqui eu não consigo falar com o prefeito. Essa é a complexidade do mundo urbano, você não consegue se articular , porque o isolamento  e  os interesses são de tal ordem …… você vai se juntar a uma certa organização e depois se ela, for corrupta, você vai para o buraco junto. Então você se recolhe também. Essa complexidade do mundo, realmente, é desanimadora. Mas mantenho sempre a esperança.

 

Em Brasília, a bancada evangélica nunca fez nada digno de nota em favor do povão. Cuidam apenas dos seus interesses pessoais mais imediatos, como por exemplo, quando há questionamentos,debates ou votações de cunho moral ou sexual, fato que, entre outras coisas, leva a um desgaste da imagem do evangélico perante a sociedade. Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre isso. 

A bancada evangélica é um desserviço ao evangelho. Não há mais nada a dizer.

 

É significativo o número de pastores que concorrem a um cargo político. O senhor é contra ou a favor? 

Idealmente a favor, porque em tese teria uma classe política compromissada com valores melhores. Na prática, não! Essa é a complexidade do mundo porque na prática, a política, como já é conhecida, é a arte do possível. Aqui na nossa igreja tivemos um político: chamava-se Jose Luciano Lopes, um educador idealista. Deixou a política. Foi constituinte na Guanabara, nos anos 60. Para aprovar um projeto bom, ele tinha que concordar com dez péssimos. A regra do jogo é uma regra bruta. Para começar, só se elege com muito dinheiro , dinheiro esse que não vai retornar para o salário do parlamentar ou do prefeito , ou do governador. Essa é uma grande dificuldade. Uma vez,  estive com um deputado federal da cidade que é pastor. É deputado, eu falei, é impossível um pastor ser político. É…… estou lá há 30 anos. É impossível. Não perguntei o porquê, mais é óbvio, não precisa perguntar. Na parte prática operacional, essa é uma questão. Então idealmente ……O poder corrompe é uma frase antiga. Não concordo.  O cara que escreveu a biografia de Lyndon Johnson, chamado Robert Cason, disse o seguinte: o poder não corrompe: o poder revela o que a pessoa é porque você ser incorruptível quando você nunca foi tentado com uma corrupção , você não é corruptível. Você é incorruptível quando você é tentado e não se corrompe. Eu nunca tive a chance de roubar, como é que eu não sou ladrão. O dia que eu tiver  a chance de roubar , ai eu vou saber se sou ladrão ou não, por exemplo. Então, a gente diz que o pastor tem caráter melhor, ou bom caráter , nem todos né , porque esse caráter tem que ser provado na prática. E na pratica , nem sempre o que se revela é legitimo. Além disso, no meio batista ou no meio tradicional , os membros da igreja não aceitam que o seu pastor seja político, em parte por causa do conceito da política, e em parte porque não quer perder o seu pastor, que vai se dedicar a isto.Seria legitimo, louvável . Mas na prática , não é. Então entendo que se um pastor quiser ser político profissional  deve deixar a igreja  e  tocar a sua vida. Mas é uma vocação legitima .No meio batista nem voto ele tem , porque os batistas têm uma teoria de radical:  separação Igreja x Estado. É uma história antiga, vem desde o século 16. Há histórias de batistas políticos , mas se vir a votação deles , foi jstamente nas suas igrejas onde foi menos votado.

 

Os evangélicos, na sua grande maioria, não dialogam com a sociedade e não têm uma noção de responsabilidade social. O senhor concorda? 

Concordo. Escrevi um livro nos anos 70 sobre o que a juventude pensa da política, no sentido amplo da palavra política e, a partir disso ai, escrevi o livro O que é Missão Integral. Na verdade, o livro é evangélico. Mostra essa grande dificuldade dos evangélicos. Quando falo evangélicos me refiro aos evangélicos tradicionais como luteranos, batistas, metodistas,presbiterianos, congregacionais, entre outros. Esses são aqueles que chegaram ao Brasil em meados do 19, início e meados, conforme a posição. Esses têm uma história : eles foram perseguidos pela igreja católica do Brasil. E a igreja católica estava associada aos políticos, os políticos eram patrocinados, de certo modo apoiados, porque os evangélicos representavam ameaças ao catolicismo vigente. Essa história fez com que os evangélicos se tornassem minorias sitiadas. A minha tese de mestrado é sobre isso. Eles se retraíram para se defender, se uniram para se defender. A mentalidade de minoria sitiada acabou alcançando outros stetores da sociedade , segundo vetor importante, já mencionado, era separação Igreja x Estado – Política Estado. E entendo que esses valores são importantes , mas é igualmente importante a responsabilidade social. Tanto é que, nos anos 50 surgiu um grande movimento entre os evangélicos do Brasil, estendidos à América  Latina Espanhola , chamada Igreja e Responsabilidade Social, Igreja e Sociedade na América Latina  -ISAL – com sede no México. Esse movimento de igrejas evangélicas , essa ideia da responsabilidade social da igreja, que veio a culminar naquilo que chamam de Teoria da libertação. portanto, os evangélicos precederam a Teologia da libertação, que era católica, mas primeiramente nasceu no meio evangélico historicamente falando. Mas essa preocupação acabou sendo minoritária também ,entre os evangélicos que, ao mesmo tempo tinham que se preocupar em crescer, em ter mais gente e se defender contra o catolicismo, que foi muito hostil ao movimento evangélico brasileiro. É um fato histórico a ser registrado. Hoje isso não é mais uma realidade em todo pais , mas em alguns ainda é uma realidade. Então há liberdade religiosa para os evangélicos e não há ameaças, a não ser em um contexto ou outro específico. Mas esse fator acabou gerando essa divisão. Outro fator é o apocalipticismo, ou seja: só vai ficar bom, no final da história, na volta de Jesus Cristo. Então quanto pior melhor, a teologia de parte da igreja acaba gerando esse tipo de coisa. E há também aqueles que acabam se enveredando com esse tipo de preocupação, às vezes decepcionam as igrejas. Acabam também se voltando para seus interesses, como por exemplo, alguns políticos que vão no ideal  e depois eles traem esse ideal. Essa  é uma explicação. Infelizmente, a alienação é global. Aqui na nossa igreja, em certo pleito, tivemos alguns candidatos a deputados. Num domingo antes das eleições, orei por todos eles. Depois disso a igreja me disse: não faça mais isso não. é política na igreja. Só para entender um pouco que as pessoas não gostam . Nós não trazemos nenhum candidato, não permitimos nenhum tipo de publicidade, até porque agora é proibido, mas nós já fazíamos isso antes, até tentei fazer um debate com canditados a prefeito, mas não encontrei simpatia. Esse é o ethos batista em relação sobre a questão. E ela se espalha  pelos presbiterianos, pelos metodistas, o que gera essa falta de interesse pela questão social, diferentemente o movimento chamado neopentecostal,  porque radicaliza o pentecostalismo. Tem projetos políticos. Essa é uma diferença importante. Mas hoje, quando se fala em  evangélico,muitas vezes se pensa nos que chegaram agora, o movimento ultrapentecostal que é de meados dos anos 80 em diante . Os evangélicos estão no Brasil desde 1821 como organização mais formal a partir daí.

 

Prega-se hoje, na grande maioria das igrejas, uma mensagem triunfalista como combater essa distorção do texto bíblico? 

Triunfalista é o conceito, de certo modo, bíblico, correto, triunfo de Jesus Cristo, nós cremos que algum dia, todos joelhos se dobrarão, toda língua confessará, está na Bíblia em Filipenses: 2  Jesus Cristo é o Senhor; nesse sentido sim, triunfalismo ,sim, por outro lado triunfalismo no sentido de prosperidade, nada  de ruim vai me acontecer,é totalmente antibíblico pois Jesus disse: No mundo nós teríamos aflições, dificuldades, lutas, Ele mesmo sofreu! Triunfalismo, no sentido de que tudo vai dar certo, também, não é bíblico, pode dar errado, que a Bíblia diz: –  Que Deus não nos abandona em nenhum momento, na vida e na morte, na alegria e na dor. Fora disso, é dizer o que Deus não diz, é prometer o que a Bíblia não promete.

 

A questão da pedofilia tem sido um tema recorrente nos meios de comunicação de massa.Atinge também o universo religioso, como foi mostrado por meio do filme Spotilight, vencedor do Oscar. O assunto sempre existiu nas proporções atuais, ou a divulgação o superdimensionou? 

Mal comparado, o câncer, tá que tá, avassalando a sociedade, lógico que não,estatisticamente. O câncer sempre foi isso daí, ou avassalou em proporção menor. Nosso conhecimento sobre o câncer é que cresceu grandemente, logo a impressão de que ele aumentou. Acho que isso é parte da resposta. Peguemos o caso do bulling , sempre existiu bulling, apelidos, no tempo que ninguém se importava muito com isso. Lembro que fui  fazer uma serie de pregações em Angola e fiquei hospedado numa favela em Musseque e, ao lado onde eu estava , uma casa até muito boa, mas que acabou sendo favelizada,  tinha uma escola de 1° grau. Saudaram a mim, anos 50, outra cultura, ouvia-se a cantiga Atirei o pau no gatoo….., hoje, isso não se fala mais. Essa cultura do politicamente correto  é trágica, porque ela tem elementos positivos , mas tem elementos negativos também.  Até concordo que atirei o pau no gato não devemos cantá-la, que acaba se atribuindo a bulling qualquer tipo de brincadeira . Então as pessoas se encheram muito de direitos, pouco de deveres. Não posso fazer uma gracinha com você. Uma vez brinquei com uma menina, que a testa dela era igual da minha família, chamada testa de amolar machado. Ficou ofendida comigo, a família também, sumiram da igreja. Uma brincadeira! As pessoas estão sensíveis demais, não se pode brincar, esse é o lado negativo. Não podemos desrespeitar, mais brincadeira é brincadeira. Sempre houve pedofilia , é grave, porque o que se faz a uma criança é para sempre, humanamente falando não tem retorno, não tem conserto, não tem reparação,a confiança que se quebra numa criança é irreparável, humanamente falando, ao menos que Deus faça um milagre. Então, abusar de uma criança é inaceitável. No meio evangélico, em que a presença do pastor, em meio a comunidade é muito forte, o pastor é conhecido, sabe-se onde ele mora , às vezes paga-se o salário dele, as relações são mais transparentes , o que não quer dizer que não haja, talvez haja, não conheço nenhum caso recente, a não ser coisas antigas , mas que foram tratadas na cultura da época, não se denunciava isso. Mas ele foi afastado das suas funções, nunca mais pastoreou, não conheço a pessoa, soube a distancia. A proximidade com o pPastor evangélico, torna isso bastante difícil, porque ele tem uma vida com a comunidade. Temos que estar atentos: pessoas podem se aproximar da igreja como lobos em pele de cordeiro.

 

Qual a sua opinião a respeito do casamento gay? 

A nossa sociedade é uma sociedade de direitos e não de deveres. As pessoas que querem se unir a pessoas do mesmo sexo, a sociedade pode determinar que isso seja considerado legal , mas à luz da Bíblia é imoral. A questão é: as igrejas podem impor isso ao resto da sociedade? Acho que não podem impor, mas podem dizer que não aprovam. Na cultura dos direitos, qualquer pessoa que se posiciona  contra uma determinada prática, ela é ignorante, desrespeitosa ,  intolerante, ou seja: tolerância é aceitar tudo , mesmo aquilo que se acha errado. Exemplo: o Conselho Federal de Psicologia há muitos anos se posicionou e proibiu que psicólogos tratassem de indivíduos que os procurasse para deixar a condição homossexual.  Um profissional que tem uma convicção seja ela cientifica ou religiosa,  não pode agir segundo a sua convicção. Tem que agir segundo a convicção do seu grupo?  Isso é uma intolerância. Uma coisa é impor-se aos outros os nossos valores. Mas o conselho de psicólogos, ao proibir o psicólogo de tratar daquela pessoa que o procurou porque quer deixar essa condição, está agindo contra os interesses da liberdade humana. Com relação ao casamento homossexual, as pessoas esclarecidas são a favor e pessoas não modernas são contra , não tem debate, não tem dialogo, tem a verdade, que é esse rolo compressor. As igrejas que pregam dogmas, como por exemplo, dizendo que as pessoas já nascem com uma orientação sexual, isso é balela . Nenhuma corrente cientifica propugna isso. Homossexualidade é ambiental. Por  conseguinte, como tal deve ser tratada ou considerada. Idealmente, se a sociedade quer legislar e conceder a pessoas do mesmo sexo que se unam , que restrinja esse direito ao ambiente externo das igrejas, não impor isso às igrejas., A igreja não pode impor a sociedade o que ela deve ser. Mas a sociedade pode impor às igrejas, o que elas creem? São dois pesos e duas mediadas. Se a sociedade deseja conceder este direito a essas pessoas, que o faça. Mas não  obriguem que as igrejas concordem com aquilo que não podem conceder , porque a Biblia é clara precisa, cristalina, quanto a  questão, que não está no projeto de Deus para o ser humano. E a igreja não vive seus próprios valores , mas procura viver os valores que a Bíblia Sagrada prega.

 

Como o senhor analisa a questão do divorcio? Um pastor divorciado pode dirigir uma igreja? 

O divorcio é legal. Os direitos que a lei apresenta devem ser garantidos.  E casamento homossexual não é legal, não deve ser reconhecido. Há pessoas que acham que as duas questões são iguais, o peso é o mesmo. No entanto, quando lemos a Bíblia, tanto no Novo Testamento, quanto no Antigo Testamento, nós encontramos uma vedação completa, sem exceção ao exercício da homossexualidade. Mas com relação ao divórcio, há exceções. As situações em que ele é aceitável, tanto na Lei de Moisés, quanto na boca de Jesus, e nas cartas apostólicas. Então, já são categorias diferentes , O casamento pode implicar num erro de avaliação, ou seja: o indivíduo pode casar errado. Deve  então, concluindo que se casou errado por razões a, b ou c, ser impedido de construir uma nova  família ? Acho que não há impedimento. É preciso muita sabedoria, numa mesma igreja, em que um pastor se divorcia de uma mulher, que é da igreja,  e se casa com outra que também é da igreja. Isso vai criar dificuldades insuperáveis. Mas se o pastor faz tudo certo, não tinha amante , ele separou da sua mulher por uma dificuldade intransponível , depois de tentativas de acerto não darem certo e, decorrido um tempo se divorciou, entendo que ele tem direito de continuar sua vida em outra  comunidade, não na mesma comunidade , porque vai gerar comentários.

 

Como o senhor analisa a vitória do bispo Marcelo Crivella para a Prefeitura do Rio de Janeiro? 

Não sou analista político, mas foi um voto em grande parte que demandou uma eleição em que o eleitor pensou assim: Eu não quero nenhum dos dois, toda eleição é assim, como nos Estados Unidos, Hillary e Trump . Mas qual dos dois, eu menos “desquero “, o menos pior .

Na leitura de muitas pessoas, o candidato oponente ao Crivella trazia para o cenário algumas propostas recusadas por boa parte da população, embora estas propostas não sejam atinentes ao campo da municipalidade:  descriminalizar as drogas não é função da prefeitura, mas ele veio cercado desse ideário. Então, foi entendido pela maioria da população, representando uma rejeição aquele tipo de ideal. Eu não acho que a eleição de Crivella representa uma vitória da Igreja Universal. Não vejo sobre esse ângulo, até porque a Universal não é bem vista pela maioria dos outros evangélicos. Não há essa associação. Espero que Crivella consiga formar uma  boa equipe executiva e uma coalizão para governar – para o bem da nossa cidade.