Cai o número de postos de trabalho no Estado do Rio em março

Sistema Firjan/RJ

De acordo com o Boletim de Mercado de Trabalho do Sistema FIRJAN, o estado do Rio apresentou o pior resultado, comparado às outras unidades federativas, com relação ao fechamento de postos de trabalho em março. Foram 17,9 mil vagas a menos por conta da recessão econômica, da grave crise fiscal no estado e da demora do governo em apresentar soluções efetivas para esses problemas, segundo William Figueiredo, coordenador de Estudos Econômicos do Rio de Janeiro da Federação.

Em março: o setor de serviços foi o que mais demitiu: cortou 11,1 mil vagas. A indústria foi responsável por 2,3 mil demissões, impactada principalmente pela construção civil e pela indústria de transformação. Dos 24 segmentos desta última, 14 apresentaram saldos negativos, com destaque para minerais não metálicos, produto de metal e alimentos.

“Por conta do cenário atual, investimentos públicos e privados foram paralisados ou cancelados, o que impactou diretamente o setor de infraestrutura”, afirmou Figueiredo.

Para ele, o setor da construção civil será um dos que mais demorará a reagir. Já a indústria de transformação sofre com a baixa demanda de produtos e com a insegurança jurídica em relação ao futuro da política de incentivos fiscais, fator que tem impactado diretamente na diminuição do quadro de trabalhadores.

O panorama no acumulado do primeiro trimestre também foi negativo para o estado do Rio, que apresentou o maior número de vagas fechadas (-52,2 mil), com todos os setores tendo saldos negativos. Oito em cada 10 postos de trabalho fechados no Brasil ocorreram no estado do Rio. Já no acumulado em 12 meses, o setor industrial (-101,3 mil) e o de serviços (-101,1 mil) foram responsáveis por 90% dos postos de trabalho fechados no estado, totalizando -227,5 mil.

O coordenador acredita que esse quadro deve se manter nos próximos meses, tendo em vista a dificuldade de aprovação do regime de recuperação fiscal dos estados em nível federal e das contrapartidas a esse pacote na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Baixada fluminense

No primeiro trimestre, Duque de Caxias e Nova Iguaçu foram os municípios que mais apresentaram queda de vagas. Segundo Figueiredo, o desempenho econômico da Baixada fluminense está diretamente ligado ao da capital do estado, onde grande parte de sua população trabalha e de onde vem grande parte da demanda por bens e serviços.

“O Rio de Janeiro foi o município que mais fechou postos de trabalho em todo o Brasil.

Consequentemente, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, as duas maiores economias da Baixada fluminense, sofreram grande impacto devido à redução na atividade econômica da capital. Duque de Caxias apresentou o 5ª maior saldo de demissões do país, com resultados negativos especialmente em alimentação e no comércio varejista. Já Nova Iguaçu registrou resultados negativos no setor de prestação de serviços de limpeza e na construção de edifícios”, analisou.

Por outro lado, dos 92 municípios do estado, 23 conseguiram abrir vagas de empregos no primeiro trimestre, a maioria no interior. Os destaques são Nova Friburgo, puxado por vestuário; Itaperuna, por conta de atividades de atenção à saúde; e Itatiaia, por aparelhos e materiais elétricos.

“Ainda assim, como se pode observar, os avanços são pontuais, por motivos distintos e de baixa intensidade. Os 23 municípios somados abriram pouco mais de 1.300 vagas”, concluiu o coordenador.