Seminário marca os 100 anos da Acerj

Por Solidário, de Kleber Vieira

Publicado em 11 de Março de 2017

O clima festivo tomou o nono andar do prédio da Associação Brasileira de Imprensa, ABI, no Centro do Rio de Janeiro.

Com o III Seminário de Jornalismo Esportivo, a atual gestão da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, Acerj, comemorava os 100 anos da entidade. Centenas de pessoas, entre jornalistas, radialistas e estudantes de Comunicação participaram da programação, que teve debates, homenagens e sorteio de brindes.

O Dia do Cronista Esportivo, que marca o aniversário da Acerj, foi celebrado em grande estilo, no último domingo, 5 de março, data da final da Taça Guanabara (primeiro turno do Campeonato Carioca). Jornalistas e radialistas trabalharam na cobertura da eletrizante decisão, em que o Fluminense levantou o troféu ao vencer o Flamengo, nos pênaltis, após um empate em 3 a 3, no estádio Nilton Santos, Engenhão.

Despedida

Mas se era dia de celebração e comemoração das realizações da Acerj, também era de muito trabalho e de despedida da atual diretoria, capitaneada por Marcos Penido. Após três nos, ele, que sucedeu Eraldo Leite, se dizia feliz, embora não conseguisse fazer tudo o que pretendia, em função da crise econômica que tomou o país, e principalmente o estado do Rio de Janeiro, um dos parceiros que a Acerj tinha.

“É fato que a falta de patrocínio inviabilizou algumas coisas que tínhamos em mente, mas chegamos ao final dessa gestão com a certeza de que fizemos o possível, dentro das condições que tivemos”, disse Penido, que se comprometeu a não concorrer a um segundo mandato, na eleição de abril.

Além de Marcos Penido, a diretoria que sai tem Rafael Marques como vice-presidente, Cristina Dissat, diretora de Comunicação, e Sérgio Du Bocage, como diretor financeiro.

Cascudos e focas

O veterano craque do rádio Denis Menezes, mestre de cerimônias dos eventos da Acerj, deu as boas vindas aos participantes do II Seminário de Jornalismo Esportivo e fez considerações sobre os 100 anos da entidade. Em seguida, chamou à tribuna Lóris Baena, um dos ex-presidentes presentes, e que contou a história da Acerj para uma plateia que misturava companheiros mais ‘cascudos’ de profissão, como Wilson de Carvalho, Carlos Ramiro, José Cunha, José Rezende, entre outros, jovens jornalistas ainda em início de carreira, conhecidos como ‘focas’, e muitos estudantes de comunicação, ávidos por conhecimento e radiantes por estarem no mesmo espaço com personalidades de rádio, jornal, televisão e novas mídias.

O jornalista Hélio Araújo destacou este fato.

“Tenho 36 anos de jornalismo, devo ter de 25 a 30 anos de Acerj. O que eu acho legal em um evento desse é, justamente, essa mescla de jovens com vários jornalistas esportivos que são chamados da velha geração. Isso dá a chance de os garotos conviverem um pouco com os mais experientes, de quem já ouviram falar, conhecem de longe, mas não sabem como são de perto. O seminário é Superinteressante, as palestras são excelentes, principalmente para os mais jovens saberem como se faz jornalismo esportivo”, disse Helio Araújo, cujos dois filhos também são jornalistas.

E fez uma sugestão:

“Eu já até sugeri à Acerj que realizasse dois seminários, um em cada semestre, para dar mais chance ainda de aprendizado para essa garotada”.

As palavras de Hélio Araújo parecem ter ecoado entre os jovens. Um dos mais empolgados e ativos – fez perguntas a vários palestrantes – era Samuel Oliveira. Dono de um blog, ele cursa o quinto período de jornalismo na Universidade Castelo Branco e participa, pela segunda vez do Seminário de Jornalismo Esportivo da Acerj.

“Esses seminários servem para que eu possa aprender mais com profissionais. Eu tenho 19 anos e, quando eu nasci, muitos jornalistas que participaram das paletras já estavam em grandes empresas atuando. Serve para a gente se espelhar e aproveitar as dicas que eles passam, para que possamos colocar em prática”.

Formiguinha

A incansável Cristina Dissat, diretora de Comunicação da Acerj, coordenava o evento, os sorteios de brindes, cedidos gentilmente pelos patrocinadores do evento, para os participantes. Ela ia de um lado a outro, conferia tudo dentro e fora do auditório, para ver se o evento andava conforme o cronograma. Não, o tempo era o grande inimigo.

“Eu tentei fazer como o ‘Seu’ Lóris, que usou menos de dois minutos, mas não deu… passei. Desculpe, gente!”, brincou ela, que comanda, ao lado do marido, o fotógrafo Celso Pupo, o site Fim de Jogo.

No seu estouro de tempo, Cristina falou sobre as realizações da gestão de Marcos Penido, como a reedição mais organizada da Copa Acerj, os três seminários de Jornalismo Esportivo (na Universidade Veiga de Almeida, em Furnas e na ABI), o concurso para escolha do novo logotipo da Acerj e o dos 100 anos, entre outros feitos. Minutos depois, Cristina Dissat ainda participou da mesa sobre mídias digitais.

 Musa e astro

Entre os debatedores dos diversos temas, a mais aplaudida foi a irreverente Martha Esteves, muito aplaudida quando subiu ao palco do auditório da ABI, para participar da mesa sobre Olimpíada, com mediação de Sérgio Du Bocage. A experiente jornalista recebeu o carinho e a admiração da garotada, que sonha ingressar na carreira que ela abraçou há 33 anos.

“Conselho? Desiste”, disse ela, arrancando gargalhadas da plateia, para, em seguida emendar:

“Brincadeira, gente. É uma profissão de muitos desafios, tem de gostar muito, dá uma satisfação enorme e se, realmente quiser seguir, a dica é estudar, estudar sempre se atualizar. Hoje falam que a gente tem que se reinventar.

Eu não tenho mais tempo. Vocês se reinventem e depois me digam, por que eu já passei do tempo de me reinventar”, brincou ela, provocando mais risos e muitos aplausos.

E se Martha Esteves causou sensação, Thiago Asmar, da Rede Globo foi um dos mais assediados, principalmente pelos jovens estudantes.

“Calma, meninas que o rapaz está bem acompanhado”, alertou em tom de brincadeira o mediador Rafael Marques, vice- presidente da Acerj, referindo-se à bela loira, namorada de Thiago, que se assentara à primeira fila do auditório, afim de acompanhar a exposição do repórter, dentro do tema

‘Eu, jornalista e personagem’, do qual participou, também, a não menos bonita jornalista Danielle Chistoffer, da Rede Brasil.

Enquanto Danielle falou sobre a experiência de encarar o voo livre, sendo conduzida em um parapente com o famoso Rui Marra, a palestra de Thiago Asmar teve foco na gratificante, segundo ele, mas não muito fácil (sofreu lesão muscular, inclusive) pré-temporada como atleta do Boavista, clube da Região dos Lagos, que disputa o Campeonato Carioca. O repórter galã encarou a nada mole rotina dos jogadores de futebol, e mostrou grande habilidade como… jornalista.

“Foi dureza. Uns diziam que eu não sabia chutar, realmente, meu chute foi horroroso. Mas o mais importante foi que os de fora viram que a coisa não era tão fácil como parecia. Depois disso, jogadores e treinadores até de outros clubes me agradeceram, porque a matéria mostrou exatamente como é ser jogador de futebol. Não é só o glamour, fotos, entrevistas… são pessoas como nós, mas passam por sacrifícios para realizarem o sonho de uma vida”, declarou.

Ao final de sua explanação, Thiago Asmar foi cercado por muitos jovens, que o cumprimentaram e pediram fotos, selfies quase intermináveis, que exigiam um pouco de paciência da bela namorada do repórter.

“Eu acho importante sempre falar para estudantes e faço questão de incentivar e dizer que sigam o desejo de serem jornalistas. Há quem diga para sair do jornalismo, que a pessoa vai ganhar mais etc. Eu sei que não é fácil, há uma crise aí, mas o importante é não desistir. Acho uma carreira super legal, não tem rotina, cada dia é mesmo um dia diferente do outro, a gente viaja, conhece muitos lugares, muita gente. E participar desse evento dos 100 anos da Acerj foi uma honra. Estar ao lado de pessoas como Elso Venâncio, Denis Menezes, que eu já assistia com meu pai, aos domingos, quando eu era criança. Eu dando palestra? Olha que legal! Adorei. A Acerj está de parabéns pelo evento e eu, com 33 anos, me sinto honrado por ter participado desse momento”.

 Mulher, mulher

No encerramento do III Seminário e Jornalismo Esportivo, cronistas foram homenageados em vida e em memória, pelos serviços prestados à comunicação. Um grande número de mulheres recebeu a honraria; e nada mais justo, haja vista que o evento ocorreu um dia antes das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março.

Antes mesmo do termo ‘empoderamento’, em moda atualmente, elas já faziam valer seus direitos, ao ocuparem lugares de destaque nas redações, nas coberturas de eventos esportivos e em diversas editorias.

Radiante estava Eraldo Leite, presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Brasil, Aceb. Antecessor de Marcos Penido na Acerj, ele enalteceu a gestão do colega.

“Primeiro de tudo está uma alegria imensa de ver que a Associação continua forte e segue repercutindo suas ações dentro do meio. Nos nove anos, seis comigo e três com o Penido, a Acerj só cresceu, só se fortaleceu. As ações como Prêmio João Saldanha, a Copa Acerj os seminários tiveram uma adesão em massa dos nossos colegas. E fazer parte dos 100 anos de uma entidade reconhecida e respeitada no Brasil e no mundo só pode me encher de orgulho”, declarou Eraldo Leite.

Terminada a cerimônia, foi hora de confraternização, com um ‘comes e bebes’ oferecido pela diretoria da Acerj e seus patrocinadores a todos, porque ninguém é de ferro (só Tony Stark, que não é jornalista).

Que sejam igualmente bons ou melhores os novos tempos, com a nova diretoria da Acerj, a ser eleita em abril. E já começou a contagem para os 200 anos.

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