Central de Negócios estimula a cultura da cooperação

O analista de negócios do Sebrae do Rio, Ricardo Amaral, explica que o conceito de Central de Negócios não deve ser comparado a uma simples negociação de compra conjunta. Foto: Pauty Araújo

Do Solidário, por Carla Giffoni

Publicado em 13 de Janeiro de 2017

Shakespeare traduziu com grande competência o quanto são difíceis os relacionamentos humanos em todos os níveis. Então não é de se estranhar que muitos negócios se extingam ou sequer consigam sair do nascedouro devido à incapacidade de convivência entre os sócios e pares.

A Central de Negócios do Sebrae tem como objetivo estimular a cultura da cooperação, possibilitando o fortalecimento de pequenos grupos, como cooperativas, empreendedores ou mesmo empresários de um mesmo segmento de atuação. A proposta atende a segmentos como indústria, comércio, agronegócios e serviços.

O analista de negócios do Sebrae do Rio, Ricardo Amaral, explica que o projeto contribui para o fortalecimento e a revitalização das pequenas empresas que, por meio de ações conjuntas de compra, venda e promoção, tornam-se mais fortes para superar dificuldades e gerar novas oportunidades e benefícios para toda a cadeia de produção e distribuição. Contudo, ele salienta que o conceito de Central de Negócios não deve ser comparado a uma simples negociação de compra conjunta, em que a questão de mercado vai prevalecer.

Amaral lembra que, se uma pessoa compra mais, consegue um melhor preço. É onde os participantes podem obter vantagens. Mas, Amaral salienta que o trabalho que o Sebrae realiza é muito diferente do que normalmente se pensa, porque há um enfoque grande nas pessoas, nos comportamentos e nas relações humanas: “O conceito de Central de Negócios é muito mais amplo, e a compra conjunta é um item, é uma possibilidade, dentre várias outras ações. O conceito de Central de Negócios é o seguinte: cooperativas, empresas, produtores rurais e empreendedores se reúnem, eles têm atividades similares e vão aprender. E aí o Sebrae está ensinando essas técnicas, a conviverem com seus negócios. O mais importante é o grupo, as pessoas. O comportamento do ser humano é a base do trabalho. Isso a gente faz com muita competência: preparar o grupo para que ele trabalhe junto, ganhe mais dinheiro e tenha mais resultados. Temos casos históricos de centrais onde os participantes estavam ganhando muito dinheiro e acabaram as centrais por conta de divergências e comportamentos. O ser humano é complicado, né?”.

No caso das cooperativas, Amaral diz que a metodologia utilizada é a mesma, ou seja, trabalhar as pessoas, os comportamentos, e isso potencializará as atividades entre os cooperados. “Vamos buscar caminhos para que a cooperativa tenha melhores resultados. A diferença estaria basicamente no modelo. A gente nem gosta muito de associar o trabalho de formação de redes e centrais com um modelo jurídico. A cooperativa é um modelo jurídico. Existe cooperativa e existe associação, que têm diferenças e semelhanças entre si. Em uma cooperativa podemos utilizar de nossa metodologia e fortalecer, trabalhar as pessoas, ensiná-las como devem se reunir para repensar os seus negócios, propor melhorias e novas ações”, lembra.

No Rio de Janeiro, a Central de Negócios está dando os primeiros passos – passos de formiguinha, diga-se de passagem – para mudar a mentalidade dos fluminenses. Amaral lembra que no Sul do país o conceito de Central de Negócios é muito mais forte devido à colonização europeia. A Espanha é o berço das Centrais de Negócios. “Os europeus têm esse conceito muito mais arraigado, devido ao sofrimento que passaram na Segunda Guerra, em que a Europa teve que ser reconstruída. No Rio, esse trabalho de formação de rede, de centrais, não é um trabalho de muito volume. É um trabalho de formiguinha, na verdade, porque a gente não tem esse conceito de cooperação muito forte nas pessoas. No último ano aqui no Rio, o Sebrae trabalhou apenas uma central de farmácias.”

No momento, está sendo realizada uma pesquisa pelo Sebrae nacional quanto à atuação das Centrais de Negócios em 2016.

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Carla Giffoni: Jornalista, escritora e roteirista. Atuando há 20 anos como jornalista nas Editorias dePolítica, Polícia, Economia, Cultura e Cidades, em revistas, jornais, sites e emissora de TV, entre eles: Tribuna da Imprensa, Revista Menorah, repórter do Portal de Notícias SolidáRio, TV Bandeirantes (BM), jornal A voz da Cidade, Rádio do Comércio. Colaboradora do roteirista José Carvalho no filme “Vidas partidas”; colaboradora do roteirista Doc Comparato para o projeto “Peritos da Verdade”. Pós-graduada em Jornalismo Cultural e em Roteiro para Cinema e TV (UVA); graduada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – e também em Letras/Formação de Escritor (PUC-RJ).
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