Mesmo com chuva, blocos arrastam milhares de foliões no centro do Rio

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Publicado em 26 de Fevereiro de 2017

Os blocos do Cordão do Boitatá e Bangalafumenga agitaram os foliões  no centro do Rio com seus bailes de carnaval. As duas agremiações começaram suas apresentações na manhã de domingo em palcos montados, respectivamente, na Praça XV e no Aterro do Flamengo.

A chuva, que ora caía fina, ora dava trégua, não desanimou os cariocas e turistas que aproveitam o carnaval na cidade. O baile do Cordão do Boitatá começou mais cedo, por volta das 10h. Eeste ano, em seu 21o carnaval, o bloco homenageia Tom Jobim, Moacir Santos e Ismael Silva.​

“A nossa história com o carnaval começou com o cortejo de rua, que se mantém. No domingo passado saiu nosso cortejo. Mas, desde 2005, a gente começou com esse baile aqui na Praça XV. Porque o Cordão do Boitatá não nasceu como bloco de carnaval, mas sim como bloco de música”, conta o músico Kiko Horta, um dos fundadores do grupo.​

O indígena da etnia tabajara Akazuy, de 70 anos, veio da Baixada Fluminense, onde mora, para curtir o carnaval, vestido com as roupas tradicionais de sua tribo, que vive no Ceará. “Estou feliz, porque essa  é uma festa cultural de alegria, que mistura o branco, o preto e nós, caboclos. Para mim é muito bom, estarmos reunidos comemorando essa alegria”, disse ele, enquanto dançava ao estilo tabajara.​

Outro folião, o aposentado Marcos Ranauro, fantasiou-se de fotógrafo lambe-lambe e se oferecia para tirar fotos com os celulares dos próprios foliões. “Nos blocos que eu vou, são mais de 100, 200 pessoas pedindo para tirar foto. Às vezes eu nem brinco o carnaval”, disse.​

Bangalafumenga​

O Bangalafumenga, agitou os foliões no Aterro do Flamengo. Foto: Reprodução Facebook

Já o bloco Bangalafumenga, que comemora seu vigésimo carnaval, começou o desfile atrasado, pouco antes das 11h. “A gente já nasceu diferente, porque a gente nunca teve um compromisso com a tradição do samba. A gente tinha um compromisso em fazer uma batucada bacana. Desde o início, a gente toca de tudo: funk, ciranda, xote, maracatu… Acho que isso foi uma coisa diferente, que aconteceu em 1998 e as pessoas curtiram”, afirmou o vocalista da banda, Rodrigo Maranhão.​

Fã do bloco, a foliã Karla Oliveira chegou cedo para curtir o baile do Bangalafumenga com a família. “Todos anos, participamos do Bangalafumenga. É um bloco animado, alto-astral e canta músicas que o povo conhece. Sempre venho com meu marido, e essa é a primeira vez que a gente traz os filhos”, disse.