Colômbia atravessa estado de morticínio permanente de lideranças da sociedade civil

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Notícias procedentes da Colômbia dão conta que em 150 dias deste ano de 2017 foram assassinadas 46 pessoas, entre homens e mulheres que se dedicavam à defesa dos direitos humans e eram consagrados líderes sociais de profundas e reconhecidas convicções éticas, segundo revela o jornalista Manuel Humberto Restrepo Domínguez.

Notícias desse tipo continuam ignoradas pela maioria dos meios de comunicação do continente latino-americano. Por aqui se sabe que está se tornando realidade um acordo de paz entre a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o governo do Presidente Juan  Manuel Santos, apesar da oposição dos seguidores do ex-predente Álvaro Uribe.

A informação omitida deve server de alerta e merecer o repúdio de  partidos, da Igreja, da imprensa e da academia. Não é posível que de um lado esteja ocorrendo um acordo de paz, enquanto do outro prosseguem crimes hediondos que atingem gravemente a socedade civil colombiana.

Na verdade, acontecendo tal fato abominável, os reflexos não se fazem sentir apenas na Colômbia, mas tambem em todo o continte latino-americano, que tem assistido nos últimos anos golpes parlamentares que retiraram do poder três Presidentes eleitos pelo voto popular (Manuel Zelaya, de Honduras, Fernado Lugo, do Paraguai e aqui no Brasil, Dilma Rousseff).

A mesma Organização dos Estados Americanos (OEA) que tem se esmerado em promover duras críticas ao governo de Nicolas Maduro, da Venezuela, silencia não só quanto aos assassinatos na Colômbia como em relação ao acontecido nos três países mencionados.

O silêncio no caso dos assassinatos de representantes da sociedade civil na verdade estimula a impuidade e quanto mais impunes ficam os assassinos e mandantes, mais esses crimes se intensificam.

É mais do que urgente por fim a essa matança indiscriminada com a descoberta dos responsáveis pelos delitos e a consequente punição.

No caso colombiano ainda há agravantes, como o de que nos últimos 14 meses ocorreram 120 homicídios de defensores de direitos humanos e líderes sociais, além de 33 atentados e 27 agressões.

E tem mais, entre 2002 e 2016, 558 líderes sociais foram assassinados, como pode ser conhecido o fato no endereço eletrônico www.verdadaabierta.com. Em 20 anos foram assassinados 2.500 sindicalstas, o que comprova que há na Colômbia um plano sistemático de genocídio de pessoas integrantes da sociedade civil.

Como se não bastasse esse quadro aterrador, em abril de 2017 foram também assassinados dez indígenas.

Essa tragédia deve ser considerada ainda mais grave porque, segundo informa  Manuel Humberto Restrepo Domínguez, as vítimas são acusadas de terroristas e guerrilheiros, o que é usado como pretexto para os criminosos promoverem o extermínio.

Por isso a Colômbia é considerada a nação do mundo onde mais ocorrem crimes dessa natureza. O Estado não deve poupar esforços no sentido de acabar de uma vez por todas com esse cenário horripilante.

E entidades como a OEA e a ONU(Organização das Nações Unidas) deveriam se empenhar também para denunciar esse estado de coisas incompatível com os valores democráticos e exigir que o Estado colombiano acabe com isso.