Coluna Estante

Do Solidário, por Aiula Eisfeld

Sem olhos (Editora Villardo):

A história verídica da perseguição pelo FBI de um dos serial killers mais cruéis dos Estados Unidos é o tema de “Sem Olhos”, quarto livro da escritora Luciana Castro e primeiro pela Editora Villardo.

Ambientada na Nova York dos dias de hoje e baseados em fatos reais conseguidos pela autora com exclusividade com o FBI, retrata o sombrio mundo de um verdadeiro monstro, Richard Cloie. Com um passado de abusos sexuais cometidos pela própria mãe aos sete anos de idade, o serial killer escolhia suas vítimas baseado na maneira como elas o olhavam. Se houvesse um resquício de maldade, ele as seguia, matava, degolava, arrancava-lhes os olhos e mandava a cabeça para a família da vítima pelo correio. A narrativa com um texto leve, mesmo se tratando de um tema pesado, prende o leitor da primeira à última página. A escritora floreia a história principal com um tórrido romance entre dois agentes do FBI dando um toque apimentando à leitura. Vale ressaltar que o serial killer retratado no livro foi executado no fim do ano passado. Para os amantes de histórias sobre serial killers, que são milhares no mundo todo, Luciana Castro nos brinda como cada capítulo sendo encabeçado pela última frase dita por vários serial killers, inclusive o famoso Teddy Bundy, antes de serem executados.


Do Solidário, por Carla Giffoni

Proust (Cosac Naify):

Não dá para entender completamente o século XX sem ler ou assistir a alguma obra do irlandês Samuel Beckett. Não foi à toa que o escritor, ensaísta, dramaturgo e professor ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1969. Voraz leitor de obras da tradição europeia como Dante, Baudelaire, Shakespeare, Joyce, entre outros, Beckett soube como ninguém traçar um panorama – do século passado – sobre como fica a modernidade em um mundo pós-moderno. Beckett tem livro para tudo que é gênero e gosto: se você gosta de poesia, tem; se prefere peças de teatro, tem; se a sua pegada é mais o ensaio, ok; cinema, prosa, romances, novelas, televisão… a lista é grande. Uma obra muito interessante é o ensaio que fez sobre Marcel Proust, escritor do século XIX, autor da famosa coletânea “Em busca do tempo perdido”. No ensaio, publicado em 1931, Beckett faz uma análise detalhada, sensível e diligente dos aspectos do romance de Proust. Ele examina a estrutura de como seu colega francês trabalha com temas como tempo e memória. É famosa a cena em que, durante um lanche, ao comer uma “madeleine” (‘bolinho de forma ovalada, cuja massa mole faz que tenha, depois de assado, a superfície inchada e com estrias’) com chá, o personagem proustiano volta ao passado instantaneamente, presentificando-se então uma memória involuntária. No Brasil, a obra “Proust” está esgotada. Publicada pela Cosac Naify em 2003, pode ser atualmente encontrada em sebos ou mesmo em PDF na internet.

A galinha que criava um ratinho (Ática Editora):

A imortal Ana Maria Machado é sempre uma boa sugestão de leitura, tanto para adultos como para crianças. Escritora profícua, tem mais de vinte livros publicados para o público infanto-juvenil e mais de dez obras destinadas aos adultos, entre romances, coletânea de artigos, tese de doutorado, biografia etc. O livro “A galinha que criava um ratinho” é um exemplo de sua sensibilidade para tratar as histórias para os pequenos. Destinados às crianças na faixa etária entre seis e oito anos, a trama é sobre um casal – um galo e uma galinha – que mora numa casinha branca em cima do morro. Eles não conseguiam ter filhos e decidiram então adotar um ratinho. Tudo ia bem, até que a galinha sai de casa para lavar louça no rio e deixa o ratinho e seu marido sozinhos. A confusão começa quando a raposa aparece e tudo vira de pernas para o ar. As obras de Ana Maria Machado já tiveram o reconhecimento mundial: em 2000 ela foi agraciada com o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio de literatura infantil em nível mundial.

No mesmo ano, ela recebeu também a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério daCultura. Ana Maria foi ganhadora do Prêmio Jabuti de Literatura em 1978, um dos mais importantes prêmios literários do Brasil. “A galinha que criava um ratinho” faz parte da Coleção Barquinho de Papel, da Ática Editora.

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Carla Giffoni: Jornalista, escritora e roteirista. Atuando há 20 anos como jornalista nas Editorias dePolítica, Polícia, Economia, Cultura e Cidades, em revistas, jornais, sites e emissora de TV, entre eles: Tribuna da Imprensa, Revista Menorah, repórter do Portal de Notícias SolidáRio, TV Bandeirantes (BM), jornal A voz da Cidade, Rádio do Comércio. Colaboradora do roteirista José Carvalho no filme “Vidas partidas”; colaboradora do roteirista Doc Comparato para o projeto “Peritos da Verdade”. Pós-graduada em Jornalismo Cultural e em Roteiro para Cinema e TV (UVA); graduada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – e também em Letras/Formação de Escritor (PUC-RJ).
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