Coluna Estante – Semana Internacional da Mulher

Por Solidário, de Carlça Giffoni

Publicado em 11 e Março de 2017

Na semana do Dia Internacional da Mulher, a Coluna Estante apresenta três escritoras que deram importantes contribuições à literatura: a filósofa Simone de Beauvoir e as escritoras Clarice Lispector e George Sand.

O segundo sexo:

Simone de Beauvoir é um nome internacionalmente reverenciado. Ela escreveu mais de vinte livros entre romances, ensaios filosóficos e peças de teatro. Mas sua obra mais conhecida – e polêmica – certamente é o livro “O segundo sexo”, publicado originalmente em 1949. Simone faz uma reflexão sobre a opressão e o condicionamento cultural a que as mulheres sempre foram submetidas. Ela escreve sobre os fatos, os mitos e suas dimensões sexual, social, política e psicológica em cima do chamado “sexo frágil”. Simone, com isso, inaugura uma nova maneira de se pensar a mulher na família, na sociedade e no mundo. A frase lapidar da filósofa francesa – “Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assumiu no seio da sociedade. Ninguém nasce mulher; torna-se mulher” – gerou uma grande polêmica na época. Basta lembrar que o crítico François Mauriac escreveu no jornal Le Figaro que a obra de Simone conseguiu atingir o “limite do abjeto”. Mal sabia ele que o livro da filósofa se tornaria fundamental, inaugurando um novo modelo de pensamento sobre a figura feminina na sociedade. Mesmo passados quase 70 anos desde sua primeira edição, a obra é essencial para aquelas pessoas, não importando o gênero,m que queiram refletir sobre a mulher em sua dimensão humana e social. O livro foi publicado por algumas editoras brasileiras como Nova Fronteira e Ediouro.

Doze lendas brasileiras – Como nasceram as estrelas (Editora Rocco):

Clarice Lispector figura no panteão da literatura brasileira. Está ali sentada confortavelmente no meio de nomes como de Machado de Assis, José de Alencar e Guimarães Rosa, elevando o nível da qualidade literária feita no país. Além de escritora, Clarice foi também tradutora e jornalista. Como escritora publicou mais de vinte e cinco obras, entre romances, contos, ensaios e histórias infantis. Um dos últimos livros que escreveu para as crianças foi “Doze lendas brasileiras – como nasceram as estrelas”, publicado originalmente no final da década de 70. Agora a Editora Rocco relançou o livro, em capa dura, com ilustrações de Suryara. Na obra, que é indicada para crianças maiores de seis anos, Clarice reuniu doze lendas brasileiras, uma para cada mês. O livro é na verdade uma encomenda que uma fábrica de brinquedos fez à escritora e resultou num texto delicado, comovente e sensível. Nem podia deixar de ser, afinal trata-se de uma história escrita por Clarice Lispector. Para se ter uma ideia, logo nas primeiras linhas do livro, Clarice indaga ao pequeno leitor: “O que é que pode mais do que um sonho?”. Se você não sabe, é uma boa oportunidade de descobrir, não importando a idade que tenha.

A pequena Fadette:

Muitas mulheres tiveram que quebrar vários tabus ao longo das décadas e séculos para se firmarem em profissões ditas masculinas. Apesar de o meio literário ser um lugar em que normalmente se encontram cabeças com mentalidades avançadas, a quantidade de obras escritas por homens é mais frequente do que as histórias narradas por escritoras, principalmente se buscarmos nos séculos passados. A história literária comprova isso. Porém sempre existiram mulheres como a inglesa Jane Austen e a francesa George Sand, que quebraram e ultrapassaram barreiras, firmando-se no cenário literário mundial, contando histórias e fazendo História. George Sand é o pseudônimo da baronesa de Dudevant, Amandine Aurore Lucile Dupin (1804-1876), aclamada romancista e memorialista, considerada uma das maiores escritoras francesas e uma das precursoras do feminismo. Amandine foi obrigada a usar um pseudônimo masculino, para ser aceita no meio literário. É bom lembrar que estamos falando do século XIX. George Sand inova com a obra “A pequena Fadette” ao escrever cenas sobre a vida rural francesa, utilizando para isso elementos que batizaríamos como do gênero do realismo fantástico, uma escola literária surgida no século XX, entre cujos principais expoentes estão o colombiano Gabriel García Márquez e os argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. George Sand é uma autora profícua, escreveu mais de 70 livros e foi a primeira mulher a viver de direitos literários na França. Suas obras foram adaptadas para o cinema e televisão desde 1926: Mauprat (1926 no cinema e 1972 natelevisão), Ces Beaux Messieurs des Bois-Doré (1976), La Petite Fadette (2004), La Mare au Diable (1972), Les Enfants du Siècle (1999). O livro “A pequena Fadette” foi publicado por várias editoras brasileiras como: Editora Barcarolla, CNEC Edigraf, Abril Cultural, Clube do Livro etc.

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Carla Giffoni: Jornalista, escritora e roteirista. Atuando há 20 anos como jornalista nas Editorias dePolítica, Polícia, Economia, Cultura e Cidades, em revistas, jornais, sites e emissora de TV, entre eles: Tribuna da Imprensa, Revista Menorah, repórter do Portal de Notícias SolidáRio, TV Bandeirantes (BM), jornal A voz da Cidade, Rádio do Comércio. Colaboradora do roteirista José Carvalho no filme “Vidas partidas”; colaboradora do roteirista Doc Comparato para o projeto “Peritos da Verdade”. Pós-graduada em Jornalismo Cultural e em Roteiro para Cinema e TV (UVA); graduada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – e também em Letras/Formação de Escritor (PUC-RJ).
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