Começa campanha eleitoral para a renovação do Parlamento na Argentina

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Na terceira semana de outubro os argentinos vão decidir nas urnas se desejam continuar com o projeto neoliberal do atual presidente Maurício Macri ou o repudiarão, elegendo Cristina Kirchner para o Senado e dando força para o recém criado partido, Unidade Cidadã, da ex presidenta que enfrenta uma campanha insidiosa da mídia comercial conservadora com a liderança do grupo Clarin.

Informações procedentes do país vizinho dão conta que Cristina Kirchner reuniu milhares de pessoas para anunciar a sua candidatura ao Senado e a nova formação partidária integrada por setores peronistas que preferiram essa composição a ter de enfrentar de forma desgastante em termos de opinião pública um grupo de direita que domina o Partido Justicialista, também peronista.

A historia do peronismo demonstra que o grupo liderado por Juan Domingo Peron sempre esteve dividido entre correntes progressistas e as que defendiam projetos da direita. Para ficar mais claro, no governo de Isabel Perón, que sucedeu Juan Domingo Perón após a morte do líder, a direita tinha como máximo representante nada mais nada menos do que “o bruxo” Lopez Rega. Era conhecido como ” bruxo”, exatamente porque era dado a fazer previsões com base em formas que manejava através de pretensas ações espirituais. O dirigente ganhou força junto a então Presidenta chegando a criar a Aliança Anticomunista Argentina, também conhecida como “Triple A”, que cometeu assassinatos anteriores a ação criminosa dos militares, responsáveis por pelo menos 30 mil pessoas desaparecidas.

Mais tarde, quando a democracia foi restabelecida, o peronismo voltou a conquistar o coração dos argentinos, tendo sido eleito na segunda eleição após o fim do ciclo criminoso dos militares e a gestão de Raul Alfonsin, eleito em 1983 pelo Partido Radical, o presdente Carlos Menem, cuja gestão foi um desastre e o então mandatário cunhou a expressão “relações carnais” com os norte-americanos. Foi o que Menem levou adiante como representante do setor mais a direita do peronismo. Se empenhou no sentido de tornar realidade as “relações carnais” com os Estados Unidos e tinha como aliado o então presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, que chegou a participar em determinado momento da campanha eleitoral de Menem.

Na eleição seguinte foi eleito o Presidente Fernando de La Rua, que nem completou o mandato porque os argentinos se revoltaram contra o projeto  que o governo quería enfiar goela a dentro da população. Saiu de helicóptero da sede do governo, a Casa Rosada, porque se não o fizesse teria de enfrentar uma população revoltada.
Depois de uma sucessão de governos provisórios empossados sem eleiçoes. que se seguiam um após o outro, os argentinos finalmente elegeram Nestor Kirchner, que quando jovem integrava o grupo dos Montoneros, que lutou com todas as forças, inclusive pegando em armas, contra os militares que provocavam um banho de sangue no país vizinho. Era o tempo de Rafael Videla e outros do gênero, que acabou seus dias cumprindo pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos em seu período discricionário.
O governo de Nestou Kirchner preocupou-se básicamente com os descamisados, o setor da população argentina que mais sofre com políticas neoliberais, hoje executadas na gestão Macri. Nestor foi sucedido pela sua companheira Cristina Krchner, que seguiu  a política que prioriza os mais pobres da sociedade argentina e que, como Nestor, contrariou interesses da oligarquia sempre defensora dos valores que lhe possiblitavam lucros fáceis.
Tanto Nestor, como Cristina foram vítimas de duras campanhas midiáticas lideradas pelo grupo Clarin, que na primeira oportunidade após o lançamento agora da candidatura da ex prsidenta convocou seus articulistas de sempre para criminalizá-la, condenando-a antes de qualquer coisa, por acusações de corrupção sem provas.
É esse cenário que Cristina Kirchner vai enfrentar, acreditando que os argentinos, hoje vivendo em situação de dificuldade e os mais pobres de penúria, vão dar a resposta a Macri nas urnas. Uma eleição cuja campanha já começou e promete ter muitos desdobramentos. A mídia comercial conservadora seguirá se empenhando para evitar  o fortalecimento da candidata que quando era presidenta contrariou interesses dos grupos económicos poderosos.
Por essas e também muitas outras, vale acompanhar o desenrolar dos acontecimentos políticos no país vizinho. De alguma forma para os brasileiros poderá ser uma espécie de trailer de uma próxima eleição direta no Brasil, seja em outubro de 2018 ou mesmo se ocorrer uma eventual antecipação do pleito em função do agravamento da crise política envolveno o atual ocupante do Palácio do Planalto Michel Temer.
Como assinala o dito popular sobre a Argentina em referência ao Brasil “eu sou você amanhã”. E muitas vezes na história a recíproca pode valer para a Argentina em referência ao Brasil.