Cooperativas de crédito: uma alternativa financeira para a população

Presidentes da OCB-RJ e da Coopvale
Presidentes da OCB-RJ e da Coopvale

De Solidário, por Wagner Sales e Sandra Mayrink Veiga

Publicado em 24 de Fevereiro de 2017

Em tempo de crise econômica, endividamento com cartões de crédito, contas no vermelho, e taxas altas, as cooperativas de crédito são uma saída para quem não quer pagar os juros exorbitantes cobrados pelos bancos comerciais e ter um serviço mais humanizado e personalizado.

Uma das diferenças entre a cooperativa de crédito e os bancos comerciais está na sua finalidade. Os bancos procuram aumentar seus lucros. Nas cooperativas, o investidor não é visto como cliente e sim como mais um associado, uma vez que participa dos resultados e das decisões da cooperativa.

Durante as assembleias, que reúnem centenas de pessoas, cada associado tem direito a um voto, para definir quais os rumos da sua cooperativa. E isso acontece anualmente, quando são definidas as ações do próximo ano fiscal, como por exemplo os investimentos e distribuição de remuneração ao capital. No cooperativismo de crédito o associado ou a empresa (cliente para os bancos) é literalmente um dos donos do negócio. E, portanto, tem direitos e deveres/responsabilidades dentro da cooperativa.

Apesar de tudo isso, elas enfrentam um sério problema: a desconfiança e a falta de informações sobre sua função e sobre as garantias dadas pelo Banco Central.

No Brasil existem 5 sistemas de crédito cooperativos: o Sicred, o Sicoob, a Unicred, a Cecred e a Confesol. Somente 2 sistemas são possuidores de um Banco: o Sicred que é alicerçada pelo Bansicred e o Sicoob pelo Bancoob. Os outros sistemas são alicerçados por Bancos comerciais disponíveis no mercado.

Tanto o Bancoob quanto o Bansicred não são abertos ao público em geral. Foram fundados para atender exatamente os sistemas Sicred e Sicoob respectivamente.

A principal diferença entre as instituições financeiras cooperativas e os bancos tradicionais é que as primeiras conseguem distribuir o resultado- sobras- entre os associados, bem como oferecer as mesmas soluções do mercado financeiro a taxas mais adequadas. Em 2016, por exemplo, apenas as cooperativas Sicredi do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro geraram um resultado de R$ 354 milhões.

O crescimento, tanto dos associados como do Sicredi, é um indicativo de que o cooperativismo segue na direção certa. O setor vem crescendo a uma média de 20% ao ano desde 2010, após o advento da Livre Admissão (Lei que permitiu a qualquer pessoa se tornar associado de uma cooperativa de crédito e investimento). Em 2017, o Sicredi que conta com 1.500 agências em todo o Brasil e 3,4 milhões de associados, planeja abrir 25 novas agências só no estado de São Paulo. No ano passado, nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro foram abertos 22 novos pontos de atendimento.

Presença nacional com atuação regional

O Sicredi contraria a tendência do mercado financeiro ao ampliar a rede física de atendimento. Outra prova de que o ponto principal de convergência da atenção da instituição está no associado, é o fato deste ser a única instituição financeira em mais de 180 cidades do Brasil. O foco está nas necessidades das comunidades e não nos interesses de um pequeno grupo de acionistas. Para aqueles que preferem a comodidade da tecnologia, a cooperativa de crédito também oferece um completo menu de serviços pela internet, ou seja, Internet Banking, e o aplicativo Sicredi Mobi, que cobrem todas as necessidades de atendimento do associado através dos canais digitais.

 O Portal SolidáRio Notícias entrevistou o diretor-presidente da Sicoob e presidente da

Coopvale (ligado a Vale do Rio Doce), Ângelo Galatolli, que respondeu as principais dúvidas da população.

A falta de divulgação do sistema cooperativista em geral e em especial do cooperativismo de crédito produz um grande entrave para o seu crescimento e ampliação. Segundo Galotolli: “um problema sério que temos é a falta de divulgação.

Poucos brasileiros e brasileiras conhecem o sistema cooperativista em geral e quanto mais do cooperativismo de crédito. Não sabem que uma agência de cooperativa de crédito presta os mesmos serviços que um banco comercial: talão de cheque, cartão de crédito e de débito, realiza empréstimos, faz seguro de carros, financia bens e imóveis, tem previdência, opera câmbio, pagamentos e recebimentos enfim, tudo que um banco faz com a diferença que os juros são bem mais baixos e não cobra taxas de prestação de serviços”.

Para buscar superar este problema as cooperativas estão se unindo para lançar uma campanha de comunicação em larga escala.

O Sistema de Cooperativas de Créditos do Brasil- Sicoob- é formado pelas cooperativas singulares e pelas centrais de crédito e mais a Confederação Nacional das Cooperativas de Crédito e está presente em 23 estados, mais o Distrito Federal. Juntas, visam atender às necessidades financeiras e proteger o investimento dos cooperados. Todas as operações financeiras miram benefícios para os associados. Assim as cooperativas podem contribuir para o desenvolvimento das economias locais, investindo recursos em projetos de desenvolvimento sustentável. Afinal, uma cooperativa de crédito não visa ao lucro, mas sim ao crescimento de seus associados e o desenvolvimento socioeconômico do território onde se encontra e de seu país.

Já a Organização das Cooperativas do Estado do Rio de Janeiro – OCB/RJ é a entidade que atua na representação, defesa e desenvolvimento do cooperativismo no Estado do Rio de Janeiro. Ligado a OCB/RJ, o Serviço Nacional de Aprendizagem doCooperativismo no Estado do Rio de Janeiro (SESCOOP/RJ) atua  na área de educação e desenvolvimento do cooperativismo no estado. O Sescoop/RJ também está vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego e tem o objetivo de promover a formação profissional, promoção social e o monitoramento das cooperativas.

Números

Segundo Ângelo Galatolli “os bancos têm 96% do mercado e as cooperativas 4%. Acho que compete a nós tornar o sistema conhecido. E mais: os grandes bancos não têm interesse em atender os menos favorecidos. Nós, sim. Queremos atender a todo mundo”.

Para se falar em números, o sistema cooperativado realizou em setembro de 2016 mais de 37,5 milhões de operações de crédito, os depósitos totais chegaram perto de R$ 46,5 bilhões.

 No ranking, o sistema chegou a 6ª colocação como influenciador financeiro em todo o país.

O sistema financeiro cooperativo funciona de duas formas: fechado e aberto. O primeiro se

restringe às grandes empresas estatais e não estatais como Vale do Rio Doce e Furnas, no qual apenas funcionários dessas empresas podem participar. Já no aberto não há restrições, qualquer pessoa pode aderir e abrir sua conta pessoal ou empresarial. Aliás, um setor que tem crescido bastante é o das micro e pequenas empresas entrando para o sistema.

Ainda na comparação com os bancos, Galatolli lembrou que 80% dos lucros dos bancos são decorrentes de tarifas. Já as cooperativas, não cobram tarifas sobre a maioria dos serviços prestados. “Aqui nós não fazemos venda casada”, acrescentou o presidente da Coopvale. A diferença marcante entre o sistema cooperado financeiro e as empresas comerciais, é que no primeiro os dirigentes respondem com o patrimônio pessoal a qualquer irregularidade que venha a ser comprovada.

O presidente da OCB/RJ, Marcos Diaz, que acompanhou a entrevista, lembrou que antes de 2012, não havia um sistema organizado para desenvolver o cooperativismo de crédito no Rio de Janeiro. Ele observou que “por isso, alguns estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina estão bem mais avançados. O fechamento da Cooperativa Central dos Produtores de Leite – CCPL e de uma cooperativa de crédito agravaram a situação. Agora, há uma estrutura muito bem montada, sólida, capaz de atender as necessidades da economia”,afirma.

Para o presidente, o sistema de crédito ainda é muito elitista, e diz que é necessário fazer uma inclusão financeira da população. “Isso também é um processo. O conhecimento do nosso trabalho não vem do dia para a noite. O sistema de crédito ainda é muito elitista. Nós estamos fazendo com que as pessoas entendam que precisamos fazer a inclusão financeira da população. Esse é o papel do cooperativismo. Não adianta nos fecharmos. A nossa preocupação na OCB é resolver o problema. Agora o sistema está altamente profissionalizado”.

Marcos Diaz afirma que: “mais que um cliente, o associado é dono do negócio e pode opinar e participar da gestão da cooperativa. Com isso, oferecemos serviços realmente relevantes, além de manter os valores investidos na própria comunidade, gerandoemprego e fomentando a economia local. É um modelo de negócio diferente, que consegue entregar um diferencial concreto ao usuário e ao mesmo tempo gerar desenvolvimento para o país”.

* O Banco Cooperativo do Brasil S/A (Bancoob) é um banco comercial privado, sociedade anônima de capital fechado, cujo controle acionário pertence às cooperativas centrais de crédito do Sicoob. Criado em 1996, é regido e regulamentado pela Lei 4.595/64 e pela Resolução 2.788/00 do Conselho Monetário Nacional.

Juridicamente independente das demais entidades do Sicoob, o Bancoob foi constituído com a finalidade de oferecer produtos e serviços financeiros às cooperativas, ampliando e criando novas possibilidades de negócios e gestão centralizada dos recursos financeiros do Sistema.

O Bancoob atua como agente facilitador na redução dos custos das cooperativas, desenvolvendo e disponibilizando produtos e serviços tipicamente bancários para elas. Desta forma, as cooperativas de crédito assemelham-se às demais instituições do mercado bancário, contando com uma linha completa de cartões de crédito, poupança, cobrança bancária, linhas de créditos de recursos repassados por instituições governamentais, fundos de investimentos, entre outros, em condições significativamente competitivas.

Fonte: https://www.bancoob.com.br/

** O Banco Cooperativo Sicredi S.A – Bansicredi é o primeiro banco cooperativo privado do Brasil.

Constituído em 1995, atua como instrumento das cooperativas de crédito para acessar o mercado financeiro e programas especiais de financiamento, administrar em escala os recursos do Sistema, desenvolver produtos corporativos e políticas de comunicação e marketing. Nesse sentido, sua atuação é voltada ao atendimento das demandas do quadro social das cooperativas de crédito do Sicredi e também daquelas com as quais mantém convênios específicos de prestação de serviços.

O Bansicredi, para melhor atender as demandas das cooperativas do Sistema e aos seus cooperados está ligado a uma corretora de seguros, a uma administradora de cartões e a uma administradora de consórcios.

 A Corretora de Seguros é responsável por oferecer, através das cooperativas de crédito, soluções em produtos de seguros aos associados. A Administradora de Cartões oferece, por meio das cooperativas de crédito, soluções em meios eletrônicos de pagamento aos associados.

 A Administradora de Consórcios é responsável por oferecer, por meio das cooperativas de crédito, soluções em consórcios aos associados.

Fonte: https://www. sicredi.com.br