Crime hediondo na Argentina não pode ficar impune

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Ao mesmo tempo em que neste 20 de outubro completaram-se seis anos do brutal assassinato do dirigente líbio Muammar Khadafi e o país localizado no continente africano era uma referência em matéria de desenvolvimento e oportunidades para o povo, confirma-se na Argentina o assassinato do defensor dos direitos humanos Santiago Maldonado, depois de 78 dias de seu desaparecimento.

Santiago exercia o direito de defender os mapuches e tinha desaparecido a 1 de agosto último quando participava na Patagônia de uma manifestação em defesa dos indígenas reprimidos com extrema violência no Chile. O cadáver de Santiago Maldonado foi encontrado na Patagônia a 300 metros do local onde ele foi visto pela última vez. E tem ainda um agravante, qual seja, os restos de Santiago Maldonado foram encontrados nas margens do rio Chubut, onde por sinal tinham feito investigações outras duas vezes, sem que o fato tenha sido esclarecido. E isso confirma o pouco caso das autoridades no sentido de esclarecer o crime.

A culpa pelo crime é do Estado argentino, cujo governo de Maurício Macri negou  que conhecesse o paradeiro de Maldonado, que na verdade foi seqüestrado, assassinado e teve o corpo ocultado. O governo Macri, através da Ministra de Segurança Patricia Bullrich, simplesmente omitia informações exigidas pelos familiares e companheiros   de jornadas de Santiago Maldonado, que queriam a verdade.

Encontrado o corpo de Santiago, é necessário que o governo Macri  dê uma satisfação à opinião pública, que agora exige que os responsáveis sejam punidos. No caso,  maior exigência neste momento é que  Patricia Bullrich seja imediatamente exonerada do cargo de Ministra da Segurança. Não se admite que depois de 78 dias de angústia para se conhecer o que tinha acontecido com Santiago Maldonado ninguém seja responsabilizado pelo crime.

É preciso também não se esquecer que o governo Macri em conluio com a Justiça e também com a mídia conservadora  forjou pistas e dados para ocultar o crime. Isto é, na prática o que houve foi também de responsabilidade das autoridades, que não devem ficar impunes. Deve ser cobrado também o que foi feito por jornais, como Clarin, manipulando grosseiramente fatos. Na verdade, o trágico acontecimento tem responsáveis, a principal nada mais nada menos do que a Ministra Patricia Bullrich, que se espera que nas próximas horas seja designada como ex-ministra da Pasta de Segurança.

No mais, os povos da América Latina e defensores dos diretos humanos em qualquer parte do mundo devem se solidarizar com os familiares de Santiago Maldonado  e exigir que o Presidente Maurício Macri ouça as exigências no sentido de punir os responsáveis pelo assassinado do defensor dos indígenas mapuches.

Se o governo não atender as exigências, mais uma vez ficará caracterizado que o Presidente Maurício Macri também não tem condições de seguir governando a  Argentina, porque quem pode garantir que amanhã não ocorra outra grave violação aos direitos humanos?

Na prática, o que aconteceu agora na Argentina é a repetição dos genocídios cometidos pelos militares que ocuparam o governo depois da derrubada da Presidenta Isabel Perón, em março de 1976. Grande parte dos responsáveis pelos crimes contra a humanidade cometidos então estão cumprindo pena pelo que fizeram. Não se pode admitir a repetição dos métodos criminosos de responsabilidade do atual governo Mauricio Macri  e siga prevalecendo a impunidade, como, aliás, queriam alguns que agiam em conluio com os criminosos aquela época de trevas que acontecia também em outro países da América Latina, como o Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai, entre outros países.