Dia das mães: amor que não se mede

Dia das Mães - fotos: Andressa Recchia
Luciane Pizzi com os filhos Ana Carolina, Henrique e Felipe

Andressa Recchia 

Não é de agora que as mulheres do século XXI precisam conciliar vida profissional, cuidados com a casa, ter um relacionamento amoroso, ficar linda e ainda ser mãe. Muitas mulheres modernas já estão acostumadas a encarar essa dupla jornada e deixam claro que seus papéis, tanto na casa como no trabalho, são fundamentais. Às vezes, a sensação de “não vou dar conta” até aparece, mas é possível manter uma vida em equilíbrio mantendo planejamento e organização.

Alguns dos exemplos disso são as duas histórias a seguir contadas para homenagear as mamães no mês dedicado a elas: da colaboradora da Unimed Chapecó, Luciane Pizzi, e da médica cooperada e patologista, Dra. Rosane Martins de Aguiar.

Amor que é sinônimo de superação

A rotina é corrida como a de toda a mãe. Mas, a história da colaboradora do Centro Cirúrgico, Luciane Pizzi, tem uma pitada a mais de determinação e do chamado amor incondicional. Mãe de Ana Carolina, 12 anos, e dos gêmeos Felipe e Henrique, 9 anos, o dia a dia de Luciane precisou ser adaptado a partir da chegada dos dois meninos. Nascidos de forma prematura, com 31 semanas, o pequeno Felipe já veio ao mundo precisando lutar para se manter vivo.

Após o parto, a equipe médica constatou que o bebê havia tido uma paralisia cerebral ocasionada por falta de oxigênio. A partir disso, ele precisou ser intubado e internado na UTI Neonatal. Após trinta dias do nascimento, Felipe também foi diagnosticado com hidrocefalia, apresentava um quadro de pneumonia e um dos rins havia paralisado. “Enquanto ele estava na UTI, os médicos não davam muita esperança de que ele iria se recuperar” comenta Luciane. Por outro lado, o seu coração de mãe tinha a certeza de que o filho sobreviveria. “Eu não me via sem ele”, lembra emocionada.

Após angústias e orações, Felipe voltou com vida para o abraço caloroso de Luciane. Hoje, devido às complicações, o menino tem uma rotina de acompanhamento profissional com sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e outros cuidados. Ele apresenta limitações físicas, se locomovendo apenas com cadeira de rodas, e não desenvolveu a fala, o que faz com que ele se comunique com o olhar e, muitas vezes, com o sorriso como a própria mãe conta. Apesar disso, Luciane tem a força e a fé de uma mãe que não mede esforços pelo filho.“A rotina com ele exige bastante de mim, mas nunca pensei em parar de trabalhar, pois amo o que eu faço”, afirma a colaboradora que há 11 anos dedica seu trabalho ao Hospital Unimed Chapecó. Como reconhecimento pelo seu esforço, a cooperativa médica concedeu redução de sua carga horária em 30 horas semanais para que Luciane passe mais tempo se dedicando aos filhos, em especial, ao Felipe.

Quando questionada sobre como concilia a rotina, Luciane afirma com convicção: “Jamais uma mãe pode fraquejar diante de qualquer problema que um filho tenha, independentemente da situação. Às vezes, é preciso buscar recursos e o apoio de outras pessoas, porém, nunca desistir”. Mas, o esforço e dedicação de mãe é recompensado segundo ela. Luciane conta que um dos momentos mais esperados do dia, é quando chega em casa depois do trabalho, após às 22h, e Felipe já está na cama, acomodado, somente à espera do seu boa noite.“Na maioria das noites, quando eu chego em casa, ele está acordado me esperando. Então, é só eu dar um beijinho nele e ajeitá-lo na cama que não dá cinco minutos para que ele esteja dormindo. Além do mais, tenho o carinho e o amor dos meus dois outros filhos e, isso, é minha recompensa diária. Sem falar no sorriso sempre presente no rosto do Felipe, que encanta e cativa a todos”, e conclui “Você só conhece o verdadeiro amor, a partir do momento que se é mãe. O amor de uma mãe pelo filho é o maior que existe no mundo. Me sinto completa fazendo tudo o que eu faço por ele”. 

Maternidade dedicada

O “mundo cor de rosa” faz o dia a dia da médica cooperada, Dra. Rosane Martins de Aguiar, que é mãe das meninas Isadora, 8 anos, e Bruna, 6 anos. A rotina de mãe da especialista em patologia está passando por um período mais tranquilo, como ela mesmo define. Dra. Rosane afirma que as meninas já estão na fase de dormirem a noite toda por estarem mais crescidas, mas, lembra das noites que precisou passar em claro e da quantidade de trabalho que teve de levar para casa na tentativa de conciliar tudo.

Quando deu à luz à Isadora, a médica não teve a chamada licença maternidade, pois em poucos dias, já teve de retomar a sua rotina de trabalho. “Não tinha ninguém para me ajudar. Na época, consegui o apoio de um patologista de Florianópolis, que veio até Chapecó algumas vezes para me auxiliar”, lembra.

Um ano e cinco meses depois, ainda com as experiências de uma mãe de primeira viagem à flor da pele, a médica ficou grávida de Bruna. “Durante uns três ou quatro anos, fiquei naquela fase amamentação, troca de fraldas, noites mal dormidas…”

Desde a chegada da primeira filha, Dra. Rosane sempre teve muito presente em sua vida a rotina de mãe, trabalho e família, tendo que conciliar as três situações da forma mais tranquila e natural possível. A médica afirma que, como mãe, procura estar presente e acompanhar importantes momentos do dia a dia das filhas e, para isso, precisou adaptar a rotina.“Hoje, tive que adaptar minha vida e meus horários para ficar mais tempo ao lado delas. Acordo às seis da manhã para ir à academia antes do trabalho pensando em ter a noite livre para elas”, afirma ao destacar que faz questão de acompanhá-las em atividades como, levá-las para a escola e ajudar nas tarefas de casa.

A cooperada afirma que não existe uma fórmula mágica para conciliar tudo e que o segredo é, simplesmente, ser mãe! “Fizemos coisas e criamos rotinas as quais as pessoas que não têm filhos acham impossíveis, mas não são. Ter filhos é uma coisa tão boa que, mesmo após um dia cansativo de trabalho, uma noite mal dormida, tudo se desfaz ao ouvir a palavra mamãe e ao ganhar um sorriso”.

Sobre o amor de mãe, a opinião da médica vai ao encontro da defendida pela colaboradora Luciane, pois, de acordo com ela, é um amor que não se define e que só é sentido por quem realmente vive. “Sempre gostei muito de animais, principalmente de gato, sendo muito apegada aos meus pets. Depois que a gente tem um filho, percebe que é um amor que foge de qualquer padrão. Amor de mãe para filho é algo, realmente, incondicional”, opina.

Para as mamães de primeira viagem ou aquelas que ainda viverão a maternidade, a médica deixa um conselho: “toda a fase passa, seja a fase de acordar à noite, de não querer largar a chupeta, de não deixar a mamadeira. E toda a fase tem de ser vivida com tudo de bom que ela traz, pois, cada momento não volta mais. Nunca deixe que o cansaço e as noites mal dormidas se sobreponham ao prazer que é ser mãe e ter um filho”.

 

Dia das Mães - fotos: Andressa Recchia
Dra. Rosane Aguiar com as filhas Bruna e Isadora
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Dia das Mães - fotos: Andressa Recchia - Luciane Pizzi com os filhos Ana Carolina, Henrique e Felipe
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