Diretor do Dieese diz que reforma vai desequilibrar as relações de trabalho

De Agência Senado

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, afirmou nesta quinta-feira ( 11) que a reforma trabalhista proposta pelo governo de Michel Temer vai desequilibrar as relações de trabalho, fragilizando ainda mais a situação do trabalhador brasileiro. Durante a sessão de debates temáticos sobre o tema, ele frisou que Projeto de Lei da Câmara (PLC) 38/2017 não é resultado de um processo de debate ou de negociação social, mas é uma imposição.

Clemente Ganz Lúcio que é sociólogo, ponderou a necessidade de redesenhar o sistema de trabalho de forma a facilitar a solução de conflitos, mas mantendo o equilíbrio entre a legislação e os acordos firmados entre sindicatos e patrões. Do jeito que foi proposto, prosseguiu  Ganz, ocorrerá um enfraquecimento dos sindicatos e a precarização das condições de trabalho.

– Precisamos modernizar o nosso sistema de relação de relação de trabalho. Estamos satisfeitos com ele? Não.  40% da força de trabalho não tem proteção sindical, vive na informalidade e provavelmente não terá proteção previdenciária, mas se queremos favorecer negociação, fortalecer o entendimento, nós precisamos ter um sistema coerente com essa nossa intenção. O projeto não faz isso – disse.

Ainda segundo o sociólogo, o projeto é uma tentativa de redução do custo estrutural do trabalho como forma de superação da crise econômica, o que em sua avaliação pode ter o efeito contrário.

– Se queremos um sistema de mediação que permita com que as relações de trabalho sejam relações que sustentem um sistema de crescimento econômico, assentado na agregação de valor, assentado no incremento da produtividade, assentado no fortalecimento do mercado interno com geração de emprego e de salário, o sistema tem que ser coerente com esses princípios. Esse projeto não está preocupado com nada disso – apontou.

Ele afirma também que a proposta em discussão é inteligente ao não retirar direitos imediatamente, mas ao criar um processo que levará inevitavelmente a isso.

O projeto não pode ser um atalho para permitir que as empresas tenham legalizadas as inúmeras formas de trabalho precário. O custo social para consertar essa reforma trabalhista, no futuro, pode ser muito alto – assinalou.