Editorial

Após o golpe que afastou do poder a presidente Dilma Rousseff, o presidente Michel Temer não perdeu tempo e começou a agir em favor do mercado financeiro e dos interesses internacionais. Fato que já era esperado. A rigor, não ocorreu nenhuma surpresa com o caminho escolhido pelo novo governo.

O presidente sem voto sabe que o  seu período no governo é curto. Sabe também que não possui nenhum resquício de empatia com o povo e, diante das circunstâncias adversas, como por exemplo, as denúncias de corrupção, tem que agir rápido, trabalhando a favor dos interesses dos golpistas.

É o que tem feito, acabando com direitos adquiridos do povo brasileiro, como é o caso da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, lei sancionada pelo presidente Getúlio Vargas, em  1943, no Dia do Trabalhador – e cortando verbas de programas sociais como o Bolsa Família, e o Projeto de Cisternas do Nordeste, apenas para citar dois exemplos.

Temer, sem constrangimentos de qualquer ordem, tem ampliado  a desigualdade social e contribuído com o preconceito contra os pobres e excluídos, fato marcante na nossa elite, assim como na classe média.  O que verdadeiramente importa ao presidente é permanecer no poder.

O que dizer de um governo que é indiferente ao trabalho escravo? E, além disso, cria dificuldades burocráticas para combatê-lo?

Há alguma semanas foi publicado um estudo da Oxfam Brasil – A Distância Que Nos Une -sobre as desigualdades em termos de riqueza, gênero e raça em nosso país. Como disse com muita propriedade Guilherme Boulos em seu artigo na revista Carta Capital – edição de 18 de outubro – os números apresentados são chocantes: a riqueza dos seis maiores bilionários brasileiros equivale à dos 100 milhões mais pobres. Considerando o  0,1% mais rico, sua renda em um mês é a mesma que um trabalhador com ganho de um salário mínimo receberia em 19 anos.

Triste! Muito triste!

O povo está atônito. Em quem confiar? Na Justiça? Já foi tempo……

Chega uma hora que o povão não tem mais nada a perder.  E o momento de partir para o tudo ou nada.

A conta vai chegar!