Escolas de Samba da Série A abrem desfiles na Sapucaí

Por Solidario, de Paulo Araújo

Publicado em 28 de Fevereiro de 2017

Assim que o Rei da Folia abriu o Carnaval na Avenida Marquês de Sapucaí nesta última sexta- feira, deu- se início a maior festa do Planeta, com as Escolas de Samba do Grupo de Acesso, ou Grupo de Ouro. O desfile começa na sexta e prossegue no sábado. Doze Escolas disputam as primeiras posições e um lugar no Grupo Especial, na competição do ano 2018. Com o início da festa programado para as 21h, atravessou a madrugada, terminando no início de cada manhã de sábado. Com o orçamento bem menor do que as escolas do Grupo Especial, elas possuem grandes torcidas, e buscaram apresentar um Carnaval técnico, luxuoso, e sofisticado.

 Cada agremiação se apresentou com no mínimo duas até quatro alegorias, desde que uma destas acoplada. O número de componentes, não pode ser inferior a 1,2 mil pessoas. O desfile teve que manter a duração mínima de 45 minutos e máxima, de 55 minutos. 

Neste primeiro dia de desfiles, a maioria dos enredos das escolas prestaram homenagens. Mas também apresentaram temas como literatura infantil, a vida de um profeta e um “revival” dos anos 80.

 Mostrando supremacia, Viradouro e Estácio de Sá, duas Escolas que já venceram o título do Grupo Especial, mostraram samba no pé, e fizeram os melhores desfiles da primeira noite da Série A no Carnaval de 2017. A Viradouro passou tecnicamente perfeita, com fantasias e alegorias bem ajustadas ao enredo, mas não conseguiu empolgar o público. A segunda apostou na beleza das fantasias e alegorias bem definidas, mas teve sérios problemas na evolução. Durante o desfile, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira passou por dificuldades, e falta de entrosamento. Já a Sossego e Curicica fizeram apresentações abaixo do esperado, e correm o risco de reabaixamento. 

 A primeira Escola a abrir o Carnaval na Marquês de Sapucaí foi o Acadêmicos do Sossego, com o enredo “Zezé Mota, a deusa do ébano”, de Márcio Puluker. A escola celebrou os 50 anos de carreira da atriz e cantora negra, que ficou internacionalmente conhecida, com o filme “Xica da Silva”, de 1976, onde interpretou a personagem-título. A escola cruzou a Avenida com 1,8 mil componentes, em dezoito alas e 4 alegorias.

 A noite seguiu com outra homenagem, a Escola Alegria da Zona Sul , cantou na Avenida: “Vou festejar… com Beth Carvalho, a madrinha do samba”, de autoria de Marco Antônio Falleiros. A agremiação veio com 2 mil componentes,  e brilhou na Sapucaí, com vinte alas bem vestidas para celebrar a anfitriã da festa, trazendo 4 carros alegóricos. 

A terceira Escola a desfilar foi a Unidos do Viradouro, trazendo um enredo sobre o universo infantil: “E todo o menino é um rei”, de Jorge Silveira. O desfile fez referências aos sonhos de crianças. E tem em seu título ainda uma homenagem aos compositores Nelson Rufino e Zé Luiz, e ao intérprete Roberto Ribeiro. A agremiação veio com 1,8 mil componentes, em vinte e três alas, com 4 carros e 2 tripés. 

Império da Tijuca, quarta escola a desfilar na sexta-feira, contou a história de “O último dos profetas”, João Batista, com o enredo desenvolvido por Júnior Pernambucano. O desfile contou a vida do santo, a partir de seu nascimento até a morte, traçando um paralelo com a cultura iorubá. João Batista religião afro é conhecido como Xangô. Os componentes foram divididos em vinte e duas alas. A escola desfilou com 4 alegorias e 1 tripé. 

Para a União do Parque Curicica, “O importante é ser feliz e mais nada”, enredo dos irmãos Leandro e Vítor Mourão, mexeu com o sentimento do público e dos foliões, trazendo para a Avenida as brincadeiras, os jogos, da infância, e os carnavais de 30 anos atrás. A escola desfilou com vinte e quatro alas. 

A  Estácio de Sá enalteceu um antigo morador do bairro: o cantor e compositor Gonzaguinha. O trabalho dos carnavalescos Chico Spinosa e Tarcísio Zanon troxeram para a Sapucaí um enredo contando a vida do artista, e lembrando seus maiores sucessos em “É! O moleque desceu o São Carlos, pegou um sonho e partiu com a Estácio”. A Escola desfilou com vinte e duas alas, 4 carros e 1 tripé. O samba- enredo contou com a parceria de Daniel Gonzaga, o filho do ilustre homenageado pela Estácio.

 Última Escola a se apresentar no primeiro dia de desfiles, foi a  Acadêmicos de Santa Cruz , que destacou a importância da literatura infantil, de personagens marcantes e mundos imaginários, o enredo buscou resgatar valores, como a preservação da natureza. Valorizando os ensinamentos que as crianças levam para suas vidas futuras. O enredo “Vou levar somente o que couber no bolso e no coração… Uma viagem de sabedoria além da imaginação…”, de Lane Santana, Munir Nicolau e Wladimir Morellembaum, foi apresentado por vinte e uma alas e 4 alegorias. 

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Escolas de Samba da Série A abrem desfiles na Sapucaí - Foto: Sergio BloomField
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O segundo dia de desfile

 O Império Serrano levantou a Sapucaí neste sábado de Carnaval. Quarta Escola a desfilar no dia com o enredo “Meu quintal é maior do que o mundo”, em homenagem ao poeta Manoel de Barros, a escola, em uma passagem que durou 54 minutos. Com um desfile impecável e a força das arquibancadas como trunfos, tornou- se forte candidata a disputa pelo primeiro lugar da Série A e a volta ao Grupo de Elite do Carnaval.

 Mesmo com as falhas cometidas na comissão de frente e evolução, a Escola foi bem. Os bailarinos do coreógrafo Júnior Scapin trouxeram uma bela apresentação, dando vida ao personagem principal interagia, da poesia de Bernardo, com seres do pântano que, na segunda parte da coreografia, se transformavam em animais. A coreografia, apresentada em cerca de 1 minuto e 50 segundos era marcada por movimentos muito fortes e arrancou aplausos durante toda a sua passagem pela Sapucaí. 

Outro ponto alto da Escola foi que Muitas alas se destacaram por ter muitos componentes cantando o samba com desenvoltura. O interprete Marquinho Art’Samba teve problemas com o volume baixo do seu microfone, mas a falha técnica  foi corrigida logo no início do desfile, ajudando a agremiação a defender melhor o samba. 

A  Acadêmicos da Rocinha, abriu o segundo dia de desfiles na Passarela do Samba, com a missão, de apresentar um bom desfile, e tentar voltar para o grupo especial. Em 2016, a Escola abriu os desfiles e permaneceu na Série A. Este ano, desfilou com garra buscando conquistar o título, retornar a elite do Carnaval. 

O carnavalesco João Vítor Araújo apostou suas fichas no enredo “No saçarico da Marquês, tem mais um freguês”, que homenageou o carnavalesco Viriato Ferreira, que foi reconhecido pelo luxo e requinte em suas obras. Viriato, foi figurinista do Teatro de Revista, trabalhou com grandes nomes do carnaval, como Joãozinho Trinta e deu o título do carnaval à Portela em 1980. A Rocinha desfilou com 1,8 mil componentes, divididos em vinte alas, com 4 carros e um tripé. 

A  Acadêmicos do Cubango  trouxe para a Avenida uma homenagem dupla. Para celebrar o centenário do samba e sua força, e homenagear o cantor e compositor João Nogueira. O carnavalesco Lúcio Sampaio fez uso da obra e a trajetória do sambista, com o enredo “Versando Nogueira nos cem anos do ritmo que é nó na madeira”. A escola Niteroiense foi a segunda a entrar na avenida com 1,8 mil componentes, em dezessete alas e 4 carros. 

Inocentes de Belford Roxo fez com que os vilões de todos os matizes desbancassem os mocinhos, e invadissem a Passarela do Samba. A agremiação da Baixada Fluminense trouxe para a avenida o enredo “Os vilões – o verso do inverso”, de Wagner Gonçalves. Meio a diversidade do Carnaval, Gonçalves mostrou a pluralidade da personalidade do ser humano. A Escola procurou economizar, reciclando as fantasias do Ano Passado, sem perder a originalidade. A Inocentes desfilou com 2,5 mil componentes, em vinte e uma alas e quatro carros. 

A musa Marcelli Reis, que causou confusão entre os fotógrafos e “paparazzis”, no último desfile técnico da Escola, na disputa pelo melhor ângulo, veio novamente com o corpo pintado, como destaque, só que desta vez veio sobre o “queijo” da frente, do terceiro carro da Inocentes.

Atravessar a avenida a gente é envolvido por uma energia incrível, uma emoção indescritível. Foi minha primeira experiência na Sapucaí e eu amei”, confessa. E já conta com o ano que vem. “já estou ansiosa pelo próximo Carnaval na Marquês de Sapucaí, se Deus quiser, com a inocentes no grupo especial”, põe fé.

A modelo- fotográfico também é estudante de Direito, e já recebeu convite de uma renomada agência carioca. E pensa dividir a carreira de advogada, com as carreiras de artista e modelo. “Agora volto a rotina. Estou concluindo o curso de Direito, e incio uma pós- graduação na área, ainda este ano.  Embora esta seja minha verdadeira vocação, existem novos projetos, e convites que surgiram ao longo de 2016,  para realizar trabalhos com mídia e propagandas, e espero me dedicar a estes novos desafios neste ano de  2017”, confessa a carioca. 

Império Serrano trouxe a beleza do Pantanal como pano de fundo para fazer o seu desfile, que este ano defende o enredo “Meu quintal é maior do que o mundo”, de Marcus Ferreira. O carnavalesco se inspirou na obra de Manoel de Barros, um poeta que extrapolou a brasilidade do país a partir da sua janela, no Mato Grosso do Sul. A verde e branco de Madureira foi a quarta Escola a se apresentar com 2,9 mil componentes, vinte e seis alas e quatro carros. 

Unidos de Padre Miguel este ano tentou fazer um desfile, para tirar o estigma dos dois últimos anos, que ficou com o título de vice- campeã. Apesar do carnavalesco Edson Pereira botou fé no poder das ervas medicinais, na força da natureza e no orixá das folhas sagradas, para buscar o campeonato deste ano, um acidente com a porta- bandeira Jéssica Ferreira frustou o sonho do campeonato da Escola. 

 Ao se apresentar no módulo duplo de julgamento, a porta-bandeira Jéssica Ferreira escorregou e sofreu uma queda, que a deixou impossibilitada de prosseguir com desfile. A jovem foi substituída pela segunda porta-bandeira Cássia Martins. E foi levada as pressas para o hospital Souza Aguiar. A dançarina sofreu uma entorse no joelho. Com isso a Unidos de Padre Miguel pode ter seu julgamento em pelo menos três quesitos comprometidos: enredo, mestre-sala e porta-bandeira e evolução. A escola defendeu o enredo “Ossain: o poder da cura”, com 2,9 mil componentes, em vinte e seis alas e quatro carros. 

Renascer de Jacarepaguá promoveu na Marques de Sapucaí o encontro de dois ícones da cultura negra brasileira não contemporânea. Com o enredo “O papel e o mar”, os carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres contaram as trajetórias da primeira escritora negra Carolina Maria de Jesus e o marinheiro João Cândido, o almirante negro, líder da Revolta da Chibata. A Renascer foi a penúltima escola a desfilar, com 1,8 mil componentes e 4 carros. 

Com alegorias de carnavais passados para economizar, em tempos de crise econômica, a Unidos do Porto da Pedra fechou o segundo dia de desfiles da Série A em grande estilo. O carnavalesco Jaime Cezário proporcionou ao público da Sapucaí uma verdadeira volta ao tempo, para referenciar as marchinhas irreverentes e animadas que marcaram tantos carnavais. Com o enredo “Ó, abre-alas que as marchinhas vão passar! Porto da Pedra é quem vai ganhar… seu coração” a Escola de São Gonçalo fechou o desfile do Grupo de Acesso, ou Grupo de Ouro do sábado, com vinte e duas alas e 4 carros. 

De acordo com os críticos, a disputa está acirrada. A candidata a subir para o Time de Elite poderá sair de dias diferentes de desfile, são estas a Unidos do Viradouro, a Estácio de Sá, e a Império Serrano. O público só conhecerá a campeã, que vai desfilar em 2018 no Grupo Especial, e a última colocada, que vai para a Série B, na quarta- feira de cinzas, após a contagem das notas de cada quesito, que acontecerá na Praça da Apoteose, na Avenida Marques de Sapucaí.