Estado troca trens velhos por melhorias no Metrô

De Solidário, por Wagner Sales

Publicado em 23 de Dezembro de 2016

Quem passa pela Avenida Presidente Vargas, no sentido Praça da Bandeira, em rente ao Centro Administrativo da Prefeitura, na Cidade Nova, pode observar dezenas de trens do metrô enfileirados. Nota-se que, mesmo encobertos por um muro, são vagões relativamente bem conservados. Eles estão parados no local há mais de dez anos.

Os trens foram usados na linha 2 do metrô que teve suas primeiras estações inauguradas em novembro de 1981. Dois anos depois, foi concluída a linha 2 até Irajá, um pré-metrô e entregues outras quatro estações. A operação comercial com cinco trens nos dias úteis só começou em 1984.

Na época, os usuários reclamavam muito do calor. Ao contrário da linha 1, as composições fabricadas pela Alstom não tinham ar condicionado o que tornava a viagem um verdadeiro inferno. Hoje, a linha 2 funciona nos finais de semana fazendo o trecho Pavuna-Estácio.

Foto: Pauty Araújo

Como é uma área privada e ninguém entra não se conhece a verdadeira situação dos trens. O que se vê é que as portas e janelas estão abertas o que pode ser um grande criadouro de insetos inclusive mosquitos da dengue. Em nota, o MetrôRio informou que “os trens estão obsoletos, sem capacidade técnica de operar junto à frota atual e poderão ter parte de suas peças e componentes utilizados na manutenção da frota em operação.O material não utilizado será reciclado.”

Um dado interessante na continuação da nota do MetrôRio, é sobre a procedência dos trens. A utilização do trecho compartilhado é recente. Antes havia uma divisão clara entre carros fabricados pela Mafersa e Alston. Agora não, porque as composições foram misturadas. Segundo o MetrôRio “as composições são de propriedade da Concessionária, recebidos em contrapartida de melhorias no sistema,como a co nstrução de duas subestações, que já estão em funcionamento.”

Para as pessoas que passam no local, os vagões causam curiosidade porque ninguém entende a razão de tantos trens estacionados sem utilidade enquanto poderiam ser reformados e utilizados em outras linhas.

O estudante de arquitetura Breno César Trindade vê desleixo na quantidade de vagões estrategicamente arrumados junto ao muro do pátio de manutenção do metrô, na Cidade Nova. Para ele, “aqueles vagões poderiam ser mais bem aproveitados. Se não for possível que, pelo menos, o local onde foram enfileirados estivesse coberto”.

A mesma opinião tem a atendente Suane Rodrigues, que vai além, ao afirmar que “eles poderiam ser consertados e utilizados para reforçar o transporte de passageiros”. Ela observou que os atuais trens trafegam superlotados, o que torna sua utilização muito desgastante.

Foto: Pauty Araújo