Caixa Econômica apresenta mostra “Brinquedos à mão”

Por Solidário, de Carla Giffoni

Publicado em 14 de Janeiro de 2017

Você se lembra do seu brinquedo preferido quando era pequeno? Sabe aquele carrinho que seu avô dizia que teve? Ou aquela boneca que a sua avó fez para você ainda criança? As gerações vêm e vão, os brinquedos se modificam e se modernizam, mas o pacto com a fantasia ainda é o mesmo. Então você não pode perder a exposição que está acontecendo na Caixa Cultura Rio de Janeiro: “Brinquedos à Mão – Coleção Sálua Chequer”. O acervo tem mais de 1.300 objetos, utilizados pela infância de diferentes gerações e ainda muito presentes nas comunidades nordestinas. Pouco conhecidos das crianças dos grandes centros urbanos hoje, os brinquedos foram feitos à mão por artesãos que transformam barro, pedaços de pau e de pano, latas de óleo e caixas de papelão em objetos capazes de despertar emoções e fantasias, estimulando a criatividade e a afetividade. As crianças que forem à exposição poderão brincar à vontade no espaço “Cantinho do Brincar”, com objetos lúdicos como “Cinco-Marias”, pula corda, bolinhas de gude e piões, entre outros.

A exposição tem suscitado aos visitantes uma volta ao passado e uma reflexão sobre a infância nos primeiros anos do século XXI. Elzario Pereira Júnior, presidente da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR), mostrou-se emocionado quando viu um carrinho de rolimã. “Virei criança. Vendo esses brinquedos, resgatei a minha infância. Nasci em Alagoas, mas fui criado em João Pessoa e tive muito joelhos, bunda e cotovelo ralados brincando com carrinho de rolimã. Esta brincadeira fez parte da minha infância e adolescência”, diz Pereira Júnior, que está no Rio desde 1985. Para ele, é realmente é uma pena que as crianças hoje não possam desfrutar desse tipo de brinquedos. “Tirando o interior do Nordeste, onde é mais fácil encontrar crianças usando brinquedo feitos à mão, hoje, na maioria das vezes, as crianças brincam com produtos fabricados na China, cheios de tecnologia, mas que não acrescentam nada lúdico em suas vidas. São brinquedos que não puxam pela criatividade. Eles não criam seus dragões, suas bonecas. É uma pena”, lamenta.

A designer Joice Balboa também teve sua memória afetiva mexida ao se deparar com os brinquedos expostos. “Ver aqueles brinquedos foi bem nostálgico. As pessoas não estão mais acostumadas a ver esses tipos de objetos”, afirma Joice, que nasceu e cresceu em Florianópolis e está no Rio há dois anos. Ela lembra que na infância pulou muita corda e brincou de “Cinco-Marias”. “O brinquedo feito à mão é sempre único. A relação que a gente tem com ele é muito diferente do brinquedo feito em série, massificado, produzido em grandes quantidades. A relação com um brinquedo que fica exposto na vitrine é muito distinta da conexão que se tem quando criamos o objeto”, argumenta a designer.

A professora de artes Mery Cardoso foi outra que fez uma viagem dentro do túnel do tempo ao ver os brinquedos da infância. Aproveitando as férias escolares, ela levou seu filho Pedro, de 9 anos, para conhecer os brinquedos com que ela brincava quando ainda estudava no Colégio Estadual Tarcísio Bueno, em São Gonçalo. “Pedro adorou as brincadeiras que ensinei, como pular elástico, as “Cinco-Marias” e andar com latas nos pés, semelhante a tamancos gigantes”, comenta. Para a professora de artes, que leciona para alunos do sexto ano até o ensino médio, as crianças hoje perderam muito a possibilidade de interagir com os outros colegas. “A interação era muito maior. Hoje as crianças ficam sentadas em frente de uma tela, seja tablet, celular, televisão etc. Ficam lá, parados, sem contato direto com os outros. Por isso, fiz questão de trazer meu filho na exposição, para que ele possa conhecer, brincar e interagir”, argumenta.

Se o objetivo de ir à exposição com o filho foi fazer com ele aprendesse a se relacionar e brincar de maneira diferente da atual, sua tarefa fui comprida. Pedro fez a mãe prometer que, ao chegar em casa, ela compraria elástico, faria o tamanco de latinhas de alumínio e os joguinhos de “Cinco-Marias”.

Cinco capitais: Os curadores do evento são Sálua Chequer e o artista visual Zé de Rocha. A exposição já esteve em Salvador, Curitiba, São Paulo, Brasília e Fortaleza, tendo atraído mais de 100 mil visitantes. “Em cada lugar que passei com a exposição, tive a possibilidade de ver reações e depoimentos surpreendentes de adultos e crianças.

E estou nessa expectativa com relação ao Rio, por ser um grande centro cultural, uma outra região, geograficamente falando, e um outro público. Mas criança é criança, em qualquer lugar do mundo, e o encantamento existe onde ela estiver”, afirma Sálua.

O curador e artista visual Zé de Rocha diz que o brinquedo popular traz em si o encantamento dos jogos lúdicos. “Não são objetos criados para o prazer visual, são obras que incentivam a interação e a troca. Um simples pedaço de pano ou madeira tem a capacidade de, numa simples brincadeira, criar mundos e transformar vidas”, garante.

As peças que compõem a exposição foram coletadas ao longo dos últimos trinta anos, durante pesquisas de campo de Sálua, em diversas cidades do interior e nas capitais. Os brinquedos foram adquiridos de artesãos, presenteados por amigos e garimpados em feiras livres de Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí.

A exposição no Rio segue até fevereiro.

Oficina e visita guiada

Voltada para educadores, a oficina “Resgate de Brincadeiras Tradicionais, Parlendas e Estórias” será ministrada pela curadora no dia 10 de fevereiro (sexta-feira), em duas turmas (manhã e tarde), com 30 vagas cada. A Turma 1 será das 10h às 12h, e a Turma 2, das 15h às 17h. As inscrições acontecerão entre 10 e 31 de janeiro, pelo e-mail producao@trevoproducoes.com.br, com doação de 1kg de alimento não perecível. A visita guiada será no dia 11 de fevereiro (sábado), às 15h, com entrada gratuita.

Serviço

Exposição Brinquedos à Mão – Coleção Sálua Chequer

Endereço: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3 (Avenida Almirante Barroso, 25 – Centro)

Visitação: de 18 de dezembro de 2016 a 19 de fevereiro de 2017 – de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

Telefone: (21) 3980-3815

Entrada franca

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