Fiocruz vence Prêmio Nacional da Biodiversidade

Nathállia Gameiro (Fiocruz Brasília)

O projeto Fiocruz Saúde Silvestre e Inclusão Digital: participação comunitária no monitoramento da biodiversidade foi o vencedor da categoria Órgãos Públicos do Prêmio Nacional de Biodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente. A segunda edição do evento foi realizada nesta segunda-feira (22/5), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, no dia em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade.

Monitorar a fauna silvestre brasileira em tempo real por meio do aplicativo móvel Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo), disponível para celulares e tablets, com a participação de pessoas comuns. Este é o objetivo do trabalho vencedor do prêmio. O projeto resulta em modelos de alerta precoces e previsão de emergência de zoonoses antes que doenças acometam as pessoas e outros animais e permite ainda a avaliação de impactos sob espécies ameaçadas.

O SISS-Geo faz parte do Centro de Informação em Saúde Silvestre (CISS/Fiocruz). O sistema gera, a partir de registros oriundos do aplicativo, modelos de alertas de ocorrências de doenças na fauna silvestre brasileira. As pessoas podem tirar fotos de animais, fazer seus registros e incluir informações adicionais sobre problemas de saúde ou comportamentos atípicos observados.

Para a coordenadora do projeto, Marcia Chame, vencer o prêmio nacional mostra o quanto a Fiocruz é capaz de trabalhar e se integrar em diversas politicas públicas. De acordo com a pesquisadora, a biodiversidade em saúde tem uma relação grande que se torna mais visível com o passar dos anos. “A Fiocruz tem um papel fundamental nesse processo, no Brasil e no mundo. Hoje temos uma aproximação da Organização Mundial de Saúde com a Convenção da Biodiversidade, que é fruto do trabalho que a Fiocruz vem fazendo ao longo desse tempo. Ganhar um prêmio como esse é o reconhecimento desse trabalho”, afirmou.

O trabalho é executado em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica. Para Chame, o diferencial é envolver a sociedade, pois o Brasil é um país extenso e com uma grande biodiversidade, ainda pouco conhecida, só os moradores desses locais são capazes de ajudar e de fornecer informações ambientais.

A pesquisadora destaca que a participação da população conscientiza sobre a conservação da biodiversidade, já que as pessoas passam a conhecer mais, envolver-se e a entender que essa é uma relação que faz parte da vida de cada um e que cada um pode fazer parte da ciência com seus conhecimentos e saberes.

Ao receber o prêmio das mãos da secretária-geral do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Rosa Lemos de Sá, as coordenadoras do projeto e pesquisadoras da Fiocruz Márcia Chame e Maria Lúcia Cardoso agradeceram à equipe executora e à população que aceitou e participou do trabalho, como os agricultores e comunidades quilombolas do sul da Bahia. Lembraram também do apoio que receberam do ex-presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, e da atual presidente, Nísia Trindade. “Eles sempre foram os maiores entusiastas para levar o projeto á frente e assim levar saúde para a população. Biodiversidade faz bem para a saúde”, ressaltou.

A premiação tem como objetivo reconhecer o mérito de iniciativas, atividades e projetos que se destacam por buscarem a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira. Foram analisados, por meio de uma comissão julgadora, os critérios de efetividade da ação quanto ao estado de conservação da espécie, impacto ambiental e social e inovação.