FLUP Pensa recebe Angélica Freitas

Poeta gaúcha que mescla feminismo com cotidiano estará este sábado na Mangueira, Zona Norte do Rio

Tássia di Carvalho

O feminino será o tema do próximo encontro da FLUP Pensa (ciclo de formação de poetas da Festa Literária das Periferias). A convidada será a poeta e jornalista gaúcha, Angélica Freitas – reconhecida nacionalmente por mesclar feminismo e cotidiano em suas poesias impactantes e profundas. A FLUP Pensa, que já culminou na publicação de 14 livros e revelou 156 autores das periferias cariocas, como Ana Paula Lisboa, Jessé Andarilho e Raquel de Oliveira, começará às 16h, no Museu do Samba, na Mangueira, Zona Norte do Rio.

O evento, ainda que gratuito e aberto ao público, tem como principal finalidade ampliar o repertório dos autores das periferias cariocas que participarão da coletânea de poemas da FLUP 2017. As inscrições para novos autores seguem abertas. Pedimos aos participantes do processo de formação que tragam um poema sobre a exploração do trabalho infantil e a escravidão contemporânea, mas que usem o tema subjetivamente e soltem suas imaginações”, aponta Ecio Salles, um dos idealizadores da FLUP. “O tema tem que ser libertador e sutil, e a poesia não pode ter sido publicada em nenhum livro profissional”, complementa.

Sérgio Vaz, Ricardo Aleixo e Elisa Lucinda também participarão do ciclo de formação de poetas, que continuará até o dia 24 de junho, e teve Michel Melamed como primeiro participante, no dia 20 de maio. O encontro com Michel foi mediado por Julio Ludemir, também idealizador da FLUP. Entre os assuntos abordados pelos dois estavam poesia cotidiana, política, revoluções e a interação do público com o ator durante o seu espetáculo Regurgitofagia, em que levava choques elétricos dependendo das expressões do público. “É uma questão de linguagens cênicas, mostrou como a relação da plateia interfere no palco”, apontou Michel, que afirmou ainda que tudo é poesia: “Todos somos poetas. O que é uma poesia senão revelar aspectos visíveis? A poesia está nos olhos de quem vê, desde que tenha Educação e Cultura para se instrumentalizar”, conclui Melamed.

O pontapé da FLUP 2017 foi dado no dia 12 de maio, com o Seminário “Seis Temas à Procura de Justiça – a Poesia Também Pode Inspirar a Luta Contra o Trabalho Infantil e a Escravidão Contemporânea”, que reuniu nomes como Marcelino Freire, Marta Porto, Athayde Motta, Flavia Oliveira, Julio de Tavares, Julita Lemgruber, Lia Schucman e Marcus Vinicius Faustini. Mais de 200 pessoas se reuniram no Museu de Arte do Rio para discutir temas espinhosos, como machismo, racismo, geração de renda, direito à circulação e criminalização da pobreza.

Os temas discutidos no seminário orientarão tanto as ações da FLUP Pensa quanto os poetas que vão participar do II FLUP Slam Colegial, que envolverá escolas públicas de ensino médio de seis regiões da metrópole carioca. O vencedor do II FLUP Slam Colegial, que acontecerá em julho, representará o Rio de Janeiro no FLUP Slam BNDES, competição de Poetry Slam que em novembro reunirá poetas de todo o país no Vidigal.

A FLUP Pensa resultará na publicação da coletânea “Seis Temas à Procura de um Poema”, a ser lançada na FLUP, no Vidigal, de 7 a 12 de novembro. “Tanto Michel quanto os demais poetas que participarão do ciclo de formação escrevem poemas que ficam ainda melhores quando apresentados oralmente, seja em saraus ou em espetáculos teatrais”, ressalta Julio Ludemir. “Esse primeiro ciclo é inteiramente voltado para poesia oral, propondo um diálogo com a poesia produzida na periferia, que tem como principais plataformas o sarau e o slam”, acrescenta Julio. A FLUP 2017 homenageará o centenário da Revolução Russa, tendo um forte teor político. “A ideia de juventude voltou a se associar ao desejo de grandes mudanças, como aconteceu em maio de 1968, que no próximo ano completará 50 anos”, lembra Ecio Salles.

A FLUP é apresentada pelo Ministério da Cultura e BNDES, apoio do Ministério Público do Trabalho e Parceria Rio Filmes. Realização ACEC – Associação Cultural de Estudos Contemporâneos, Ministério da Cultura, Governo Federal, Ordem e Progresso.

Sobre a FLUP

Idealizada por Ecio Salles e Julio Ludemir, a FLUP foi criada em 2012 com o objetivo de ser um espaço de formação de novos leitores e autores nas periferias das grandes cidades brasileiras. Em 2017, chega a sua 6ª edição propondo um diálogo com a ideia de revoluções – uma explícita homenagem ao centenário da Revolução Russa e ao cinquentenário de Maio de 1968. Mais um processo do que um evento, a Festa Literária das Periferias inicia suas atividades em maio, com uma sequência de encontros, visando à produção de uma coletânea de poemas e uma de narrativas curtas. A culminância deles será em novembro, em um evento de seis dias no Vidigal. Em 2012, a FLUP ganhou o Prêmio Faz Diferença do Jornal O Globo e, em 2016, o Excellence Awards da London Book Fair e Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro.

SERVIÇO

O ciclo de formação de poetas da FLUP Pensa acontecerá até o dia 24 de junho, no Museu do Samba (Rua Visconde de Niterói 1296, Mangueira). Confira as datas e horários abaixo. Inscreva-se no processo de formação pelo link:http://bit.ly/FLUPPensa. Mais informações na página: facebook.com/FlupRJ.

27/05 – Angélica Freitas – 16h

03/06 – Sérgio Vaz – 17h

10/06 – Ricardo Aleixo – 16h

24/06 – Elisa Lucinda – 17h