Greve geral e protesto democrático

O perfil da greve geral do dia 28 é o do amadurecimento democrático do país, nos limites em que o protesto não atenta à estabilidade efetiva do regime. A manifestação foi às ruas na força do seu grito, e não do disparo da violência, que, por força, ocorreu, em vandalismo circunstancial, na derrubada de vitrines, e no saque de mesas e cadeiras de botequins. Mas o confronto acautelou-se a partir da repressão policial, mantendo distâncias cuidadosas, no uso de seus escudos, sem exibição das suas armas.

A greve não chegou à mensagem final, ficando no recado de grupos e subgrupos, em nítidas diferenças de reivindicações. No que tange à simbologia do protesto e à produção do distúrbio, cifrou-se ao incêndio de ônibus, localizados em pontos cardiais do confronto.

Deparamos, sim, uma nova ritualística e um palco para a configuração de um protesto que sabe até onde quer chegar.

O movimento ganhou, de fato, extensão nacional, e não saiu da disciplina da mobilização, a exibir a nítida coordenação dos sindicatos, no seu comando. Ao mesmo tempo, restringiu-se a sua propagação, não atingindo a cidadania das ruas, como em prévias demonstrações de descontentamento coletivo. Avançamos na possível chegada a uma rotina de protesto, consciente das limitações partidárias e da contenção midiática no quadro da estabilidade do sistema. E este, viu a nação, acolheu o gesto do 28 de abril. Não foram outros os termos da concordância de Temer. Só há a reconhecer, com a entrada em cena do protesto autolimitado, o aperfeiçoamento da nossa sociedade democrática.