Guerra em família: Discórdia entre irmãos chega à justiça e ressuscita nome de peça-chave da Operação Anaconda

Segundo capítulo da série especial amizade entre Mabel e Affonso Passarelli intriga a família

Afonso Passarelli Filho está com a situação regularizada na OAB/SP - Foto: Marcos Santos / OAB

“Uma pessoa maldosa, que inventa histórias o tempo todo em benefício próprio”. “Um escorpião capaz de picar a qualquer momento”. Dá para imaginar que estas palavras partiram de um filho descrevendo o comportamento da mãe? Emilio D´Agostino, 58, acredita que o processo movido pela sua mãe Mabel Olegário da Costa, 81, contra o seu tio J.C.O.C. é “injusto” e “uma vingança de infância”. Emílio comenta a amizade de eMabel com Affonso Passarelli e confirma que o advogado envolvido nas investigações da Operação Anaconda residiu na casa da família. Segundo ele, os pagamentos de aluguel eram sempre entregues pelo inquilino a sua mãe, que nunca os repassava a J..

Segundo Emílio, Mabel foi apresentada a Passarelli pelo tio de nome José Carlos, amigo de infância do advogado. “O Affonso compra pão quase todos os dias para a minha mãe, usa o carro dela. Ele tem a rotina de estacionar o Mercedes [marca do veículo] dele na porta da casa dela e pega o carro da minha mãe. Ele usa [o carro] e depois traz para lavar aqui em frente da loja [apontando em direção a um posto de gasolina] todas as semanas”, conta Emílio, que é empresário do ramo de informática.

Emilio revela à reportagem que Passarelli esteve envolvido em “uma coisa forte” e, durante a entrevista, caminha até um computador e acessa portais de notícias, buscando informações sobre a Operação Anaconda. “Este Cesar Herman é amigo dele [se referindo a Affonso Passarelli]. Teve um período em que passei por dificuldades financeiras e pensei em vender a escolinha da minha mulher. O Passarelli chegou aqui com este cara [Cesar Herman Rodriguez] acompanhado da esposa, querendo comprar a escola”, conta. Cesar Herman é um dos agentes da PF indiciados na Anaconda.

A instituição que Herman pretendia comprar é a Escola de Educação Infantil Joana Sapeca, no bairro da Lapa, que teve as suas atividades encerradas há cerca de um ano, registrada em nome de Maria Lucia Fernandes, mulher de Emílio, e Maria Nanci Fernandes.

César Herman: Joana Sapeca poderia estar na lista de bens acumulados

Em 2003, a Folha de São Paulo publicou reportagem destacando que Cesar Herman Rodriguez teria acumulado um patrimônio registrado de cerca de R$ 1,45 milhão. A fortuna estaria empenhada em quatro imóveis, três carros e duas motos registrados no nome do agente da PF. Um empresário reconheceu na época a sociedade com Herman na construção de um prédio avaliado em R$ 8 milhões. O jornal revela ainda que documentos apreendidos pela PF no escritório de Affonso Passarelli Filho, que era sócio de Herman, apresentavam indícios de que sua riqueza poderia ser mais do que o dobro do R$ 1,45 milhão registrado.

Os documentos revelavam que o agente seria sócio de Cícero Viana Filho, dono de concessionárias em São Paulo, de empresa de táxi aéreo e de pedreira. Os investimentos estariam em diversas partes do estado, inclusive em bairros nobres como Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, e em Guarujá, no litoral paulista. Segundo a reportagem, Herman usava laranjas para encobrir parte de seu patrimônio. A Folha encontrou um apartamento no Morumbi em nome de Lisandra Giselle Vilela Chagas, secretária do agente no escritório de advocacia de Passarelli. Carros importados também faziam parte da coleção de Herman.

César Herman ingressou na PF em 1985, mas foi expulso sete anos depois, acusado de contrabandear um fuzil AR-15 de Miami, nos EUA. O agente foi reintegrado em 1996 por ordem da Justiça e passou a advogar com registro emitido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Acre. Desde 2014, Herman está novamente às voltas com um processo de reintegração à sua função pública, após condenação na Operação Anaconda. Pelo processo de número 2008.03.99.015349-3, que tramita no TRF/3, o agente vem tentando a sua volta à PF e receber os salários referentes ao período de afastamento.

Os citados

A equipe de reportagem procurou Mabel Olegário para ouvir a sua versão dos fatos, mas ela pediu que fosse procurada a sua advogada Magaly Aparecida Francisco. Por sua vez, a advogada disse que “não tem interesse em dar publicidade ao caso”. Os telefones de Affonso Passarelli indicados na carteira da OAB não respondem e a defesa de Cesar Herman Rodriguez não foi encontrada até o momento de publicação da matéria. O TJSP comunicou que “o processo indicado está sob segredo de Justiça e desta maneira, não temos condições de acesso às informações”.

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