Hortas urbanas: exemplos de cidadania em vários bairros

Do Solidário, por Cláudia Dúran

A cada ano cresce o movimento dos hortelões urbanos, que veem nos terrenos abandonados e praças uma oportunidade de ter uma alimentação saudável e resgatar o contato com a natureza. Inspiradas em exemplos internacionais, as hortas urbanas ainda não têm uma produção de alimentos como a agricultura tradicional, mas trazem para a discussão os conceitos de agroecologia e educação ambiental, que envolvem os moradores de várias faixas etárias e comerciantes locais. Seja na Zona Norte ou na Zona Sul, esta intervenção verde muitas vezes vem acompanhada de uma programação cultural, o que gera também mais um espaço de convivência para os moradores.
Situada à Rua General Glicério, no bairro de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, a horta da general, como é conhecida, surgiu em 2014. É comandada por um coletivo de voluntários de formação multidisciplinar. Eles se revezam nas tarefas de regas, cultivo e no tratamento da composteira. Segundo a voluntária Ana Luíza de Abreu, os moradores colaboram levando para o terreno o seu lixo orgânico para servir de adubo.
Nesse terreno bastante íngreme, com cerca de 1500 m², já existiu um prédio que desabou em 1967 durante um temporal. Mesmo com o terreno vazio, os proprietários continuaram a pagar IPTU e aguardam há 49 anos uma indenização. Nem todos os proprietários e/ou herdeiros têm uma opinião sobre a horta: alguns acharam a ideia boa, outros não se manifestaram. Contudo, a grande preocupação por parte do coletivo hortelão é o fantasma da especulação imobiliária. Eles torcem para que a prefeitura compre o terreno tornando-o num espaço público.
Enquanto o caso segue na justiça, o coletivo já plantou árvores frutíferas, legumes e ervas para tempero, que resultou numa pequena colheita para os moradores locais. Desde a criação da horta, os moradores começaram a perceber o retorno de passarinhos e saguis. Há também uma preocupação de não plantar espécies exóticas, que não sejam nativas da vegetação carioca.

Para que o projeto se auto sustentasse, o coletivo participou e foi contemplado em um edital de matchfunding da empresa Natura, em que os contribuintes depositaram determinada quantia e a Natura deu o mesmo valor. O projeto da horta da General Glicério conseguiu captar R$ 22.444, e os contribuintes do projeto receberam recompensas de acordo com o valor dado. Segundo o coletivo, o dinheiro arrecadado será usado para construção de canteiros, evitando a destruição de mudas por causa das chuvas. Além desse patrocínio, a horta já ganhou um projeto de captação de água da chuva feito com bambu e regadores dos alunos da faculdade de design da PUC-RJ.
Muito mais que uma pequena plantação, a horta, desde a sua origem, traz em sua proposta ser um espaço aberto de convivência para práticas ambientais, sociais, culturais e educacionais. Segundo Manfred Bert, um dos participantes do coletivo, a comunidade local sugere ideias para a horta, inclusive as crianças que, segundo ele, são protagonistas de casos engraçados como chamar um pé de orégano de um “pé de pizza”.
Mas nem tudo são flores na Rua General Glicério. Um dos grandes problemas é a questão da irrigação da horta, que é feita pelos voluntários com baldes e regadores, mas eles nem sempre têm disponibilidade para a tarefa. Em épocas de muito calor, a horta já ficou 15 dias sem rega. Um outro problema é a implicância de alguns poucos moradores do entorno com o projeto: eles reclamam do barulho que visitantes fazem, em especial as crianças, e também alegam que o coletivo quer se apossar de um terreno particular. Segundo o voluntário Ícaro dos Santos, uma equipe de urbanismo da prefeitura frisou que, enquanto houver a horta, não haverá chances de invasão. Mesmo que esse pequeno grupo do contra faça barulho, a horta da general ganha simpatizantes a cada dia.

Pesticidas naturais

Na  Zona Norte, o bairro do Grajaú cativa os cariocas pelo seu verde, com suas ruas arborizadas e pelo parque estadual do Grajaú, cujos 55 hectares vão até os limites da Floresta da Tijuca. Aproveitando a vocação bucólica do bairro, em junho de 2015, os participantes da Casa Anitcha, uma casa colaborativa, lançou a ideia de fazer uma horta na praça Edmundo Rego, e assim brotou mais uma ocupação em prol de uma alimentação mais saudável, da biodiversidade e da interação entre as gerações.

Assim como a horta da general, a horta do Grajaú é pública, onde qualquer morador da cidade do Rio pode visitar e usufruir da sua colheita. Recentemente, o projeto ganhou o apoio da Fundação de Parques e Jardins, dando mais credibilidade à iniciativa do coletivo, que também enfrenta a pequena “turma do contra”, que reclama da modificação nos canteiros e dos visitantes.
O coletivo percebeu o aumento da participação dos moradores e comerciantes na manutenção da horta. A doação e trocas de mudas e sementes entre os frequentadores é muito comum e o espírito colaborativo para o financiamento do projeto também. Os comerciantes apoiam a iniciativa, seja emprestando algum instrumento, ou vendendo terra e sementes a um preço camarada.

Nos canteiros da horta costuma-se ter dois tipos diferentes de cultura e há também um pequeno roçado onde se planta milho, mandioca, mamão e banana. Tudo tratado com pesticidas naturais.

Segundo o coletivo, a horta tem servido como fonte de informação para muitos estudantes na realização de seus trabalhos e alguns acabam se envolvendo no projeto.
Outro ponto que eles destacam é a coleta de lixo orgânico para abastecer a composteira, localizada num espaço reservado, com as devidas precauções para o recolhimento do chorume e esperam a participação maciça do bairro.

Desde 2006, a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro implantou o projeto Hortas Cariocas em 30 comunidades e em 20 escolas públicas do município. Gerenciado pelo agrônomo Júlio César Barros, esse projeto social é uma parceria entre a prefeitura e a comunidade, e tem como objetivos propiciar uma alimentação saudável para os moradores; complementar a merenda dos alunos da rede pública e também tentar resgatar a referência rural do estado. Nesse quesito, as crianças das escolas que têm hortas, têm um papel muito importante, porque ao levarem para suas casas as verduras e legumes que plantaram, incentivam seus pais a consumir produtos mais naturais e a terem bons hábitos alimentares.
O morro da Formiga –  localizado no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio –  foi uma das primeiras favelas a receber o projeto “Hortas Cariocas”. A plantação se encontra sob uma rede de tensão da Light e, há sete anos, os empregados, sob o comando de Orlando de Almeida, popularmente conhecido como Orlando português, dão vida a um terreno que estava sem uso. Morador do Morro da Formiga há 45 anos, esse simpático hortelão veio egresso do projeto da prefeitura “Guardiões dos Rios”, onde limpava as margens, plantava e distribuía a colheita para os moradores. Percebendo sua habilidade com a terra, o agrônomo Júlio César o remanejou para tomar conta da Horta da Formiga. 

Segundo Orlando, o projeto incentivou mais de 50 famílias a pegar mudas, a fim de fazer uma mini horta em casa. E também lhe proporcionou alguns minutos de fama internacional ao dar entrevista para uma tv sueca. Frisa que a horta é sua higiene mental. E faz questão de passar seus conhecimentos para as novas gerações, pois sempre deixa um canteiro vazio para as crianças da creche da comunidade plantar.

Além de algumas plantas medicinais, foi uma surpresa encontrar verduras que nem sempre estão nas feiras, como a taioba, considerada uma PANC ( plantas alimentícias não convencionais). 

Nos cuidados da horta, a equipe usa plantas que agem como repelentes naturais para evitar que pragas comuns infestem a plantação, e fumo de rolo no combate a doenças. Além disso, plantam os pés de determinado fruto em locais separados para não correr o risco de contaminar tudo. Quando algum pé apresenta contaminação é retirado da horta, embalado num saco e recolhido no caminhão da Comlurb. A composteira produz adubo e o chorume produzido é recolhido em galões, que são transportados para estação de tratamento.

Segurança alimentar e inclusão social

O projeto remunera os trabalhadores das hortas com uma bolsa-auxílio de meio salário mínimo. Nesta parceria, o poder público entra com os insumos, ferramentas e equipamentos, e a comunidade com a mão de obra. Metade do que é produzido é distribuído para creches, escolas municipais e famílias carentes. E a outra parte é vendida para os moradores por um preço bem mais em conta que nos supermercados. O   dinheiro da venda dos produtos incrementa o salário dos hortelões. O coordenador do projeto, Júlio César Barros afirma que algumas hortas já podem ser emancipadas, se auto-sustentarem com a venda da colheita, mas faltam ajustes nas equipes e parcerias com os centros de abastecimento. Ressalta que os problemas encontrados no gerenciamento de uma fazenda no campo é muito diferente dos problemas das hortas em comunidades, que apresentam uma série de atores sociais com os quais têm que lidar.
Destaca também que o Hortas Cariocas mantém parcerias com ONGS e universidades. Citou uma cooperação técnica com a Universidade de Melbourne, na Austrália, que está sendo formada.

Além da comunidade da Formiga, o projeto também está na favela de Manguinhos, Zona Norte do Rio. A horta é considerada a maior horta urbana, com cerca de quatro hectares, ou seja: em torno de 40.000 m² . Um verdadeiro oásis para um lugar conhecido como “Faixa de Gaza”.
Ezequiel Dias, morador local trabalha desde do início da implantação do projeto, junto com mais 27 pessoas que plantam legumes variados e plantas medicinais, se surpreende ao ver como a comunidade abraçou o projeto. Segundo Ezequiel, a Associação de Moradores teve um papel importante para que a horta fosse bem-sucedida. 

Com investimento de 500 mil reais do Poder Público foram retirados 700 caminhões de lixo e também cerca de 50 cm de camada de solo contaminado para poder construir 300 canteiros, sistema de irrigação e compostagem, Júlio e os hortelões de Manguinhos contam que, naquela área da favela existia uma enorme cracolândia, e que hoje a horta ajuda no sustento de várias famílias, promovendo saúde e resgatando a autoestima de pessoas que se encontravam em situação de risco. Para alguns, a horta foi o primeiro emprego. Além disso, a plantação se tornou uma espécie de clínica de tratamento, como no caso de Luíza dos Santos, que já teve problemas de hipertensão e diabetes, e hoje exibe – toda orgulhosa – as verduras que colhe. Afirma que a horta conseguiu baixar sua pressão e controlar a diabetes.

A horta de Manguinhos mantém uma parceria com o SESC da Tijuca, que no 3º domingo de cada mês promove o “Domingo Alternativo”, vendendo a um preço bem mais em conta os legumes e verduras orgânicos. Segundo Júlio, uma das propostas do Hortas Cariocas é deselitizar o orgânico para a população com menor poder aquisitivo, a partir do momento que a produção é subsidiada.

A cada ano cresce o movimento dos hortelões urbanos, que veem nos terrenos abandonados e praças uma oportunidade de ter uma alimentação saudável e resgatar o contato com a natureza. Inspiradas em exemplos internacionais, as hortas urbanas ainda não têm uma produção de alimentos como a agricultura tradicional, mas trazem para a discussão os conceitos de agroecologia e educação ambiental, que envolvem os moradores de várias faixas etárias e comerciantes locais. Seja na Zona Norte ou na Zona Sul, esta intervenção verde muitas vezes vem acompanhada de uma programação cultural, o que gera também mais um espaço de convivência para os moradores.

Situada à Rua General Glicério, no bairro de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, a horta da general, como é conhecida, surgiu em 2014. É comandada por um coletivo de voluntários de formação multidisciplinar. Eles se revezam nas tarefas de regas, cultivo e no tratamento da composteira. Segundo a voluntária Ana Luíza de Abreu, os moradores colaboram levando para o terreno o seu lixo orgânico para servir de adubo.

Nesse terreno bastante íngreme, com cerca de 1500 m², já existiu um prédio que desabou em 1967 durante um temporal. Mesmo com o terreno vazio, os proprietários continuaram a pagar IPTU e aguardam há 49 anos uma indenização. Nem todos os proprietários e/ou herdeiros têm uma opinião sobre a horta: alguns acharam a ideia boa, outros não se manifestaram. Contudo, a grande preocupação por parte do coletivo hortelão é o fantasma da especulação imobiliária. Eles torcem para que a prefeitura compre o terreno tornando-o num espaço público.

Enquanto o caso segue na justiça, o coletivo já plantou árvores frutíferas, legumes e ervas para tempero, que resultou numa pequena colheita para os moradores locais. Desde a criação da horta, os moradores começaram a perceber o retorno de passarinhos e saguis. Há também uma preocupação de não plantar espécies exóticas, que não sejam nativas da vegetação carioca.

Para que o projeto se auto sustentasse, o coletivo participou e foi contemplado em um edital de matchfunding da empresa Natura, em que os contribuintes depositaram determinada quantia e a Natura deu o mesmo valor. O projeto da horta da General Glicério conseguiu captar R$ 22.444, e os contribuintes do projeto receberam recompensas de acordo com o valor dado. Segundo o coletivo, o dinheiro arrecadado será usado para construção de canteiros, evitando a destruição de mudas por causa das chuvas. Além desse patrocínio, a horta já ganhou um projeto de captação de água da chuva feito com bambu e regadores dos alunos da faculdade de design da PUC-RJ. 

Muito mais que uma pequena plantação, a horta, desde a sua origem, traz em sua proposta ser um espaço aberto de convivência para práticas ambientais, sociais, culturais e educacionais. Segundo Manfred Bert, um dos participantes do coletivo, a comunidade local sugere ideias para a horta, inclusive as crianças que, segundo ele, são protagonistas de casos engraçados como chamar um pé de orégano de um “pé de pizza”.

Mas nem tudo são flores na Rua General Glicério. Um dos grandes problemas é a questão da irrigação da horta, que é feita pelos voluntários com baldes e regadores, mas eles nem sempre têm disponibilidade para a tarefa. Em épocas de muito calor, a horta já ficou 15 dias sem rega. Um outro problema é a implicância de alguns poucos moradores do entorno com o projeto: eles reclamam do barulho que visitantes fazem, em especial as crianças, e também alegam que o coletivo quer se apossar de um terreno particular. Segundo o voluntário Ícaro dos Santos, uma equipe de urbanismo da prefeitura frisou que, enquanto houver a horta, não haverá chances de invasão. Mesmo que esse pequeno grupo do contra faça barulho, a horta da general ganha simpatizantes a cada dia.

Pesticidas naturais

Na  Zona Norte, o bairro do Grajaú cativa os cariocas pelo seu verde, com suas ruas arborizadas e pelo parque estadual do Grajaú, cujos 55 hectares vão até os limites da Floresta da Tijuca. Aproveitando a vocação bucólica do bairro, em junho de 2015, os participantes da Casa Anitcha, uma casa colaborativa, lançou a ideia de fazer uma horta na praça Edmundo Rego, e assim brotou mais uma ocupação em prol de uma alimentação mais saudável, da biodiversidade e da interação entre as gerações.

Assim como a horta da general, a horta do Grajaú é pública, onde qualquer morador da cidade do Rio pode visitar e usufruir da sua colheita. Recentemente, o projeto ganhou o apoio da Fundação de Parques e Jardins, dando mais credibilidade à iniciativa do coletivo, que também enfrenta a pequena “turma do contra”, que reclama da modificação nos canteiros e dos visitantes.
O coletivo percebeu o aumento da participação dos moradores e comerciantes na manutenção da horta. A doação e trocas de mudas e sementes entre os frequentadores é muito comum e o espírito colaborativo para o financiamento do projeto também. Os comerciantes apoiam a iniciativa, seja emprestando algum instrumento, ou vendendo terra e sementes a um preço camarada.

Nos canteiros da horta costuma-se ter dois tipos diferentes de cultura e há também um pequeno roçado onde se planta milho, mandioca, mamão e banana. Tudo tratado com pesticidas naturais.

Segundo o coletivo, a horta tem servido como fonte de informação para muitos estudantes na realização de seus trabalhos e alguns acabam se envolvendo no projeto.
Outro ponto que eles destacam é a coleta de lixo orgânico para abastecer a composteira, localizada num espaço reservado, com as devidas precauções para o recolhimento do chorume e esperam a participação maciça do bairro.

Desde 2006, a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro implantou o projeto Hortas Cariocas em 30 comunidades e em 20 escolas públicas do município. Gerenciado pelo agrônomo Júlio César Barros, esse projeto social é uma parceria entre a prefeitura e a comunidade, e tem como objetivos propiciar uma alimentação saudável para os moradores; complementar a merenda dos alunos da rede pública e também tentar resgatar a referência rural do estado. Nesse quesito, as crianças das escolas que têm hortas, têm um papel muito importante, porque ao levarem para suas casas as verduras e legumes que plantaram, incentivam seus pais a consumir produtos mais naturais e a terem bons hábitos alimentares.
O morro da Formiga –  localizado no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio –  foi uma das primeiras favelas a receber o projeto “Hortas Cariocas”. A plantação se encontra sob uma rede de tensão da Light e, há sete anos, os empregados, sob o comando de Orlando de Almeida, popularmente conhecido como Orlando português, dão vida a um terreno que estava sem uso. Morador do Morro da Formiga há 45 anos, esse simpático hortelão veio egresso do projeto da prefeitura “Guardiões dos Rios”, onde limpava as margens, plantava e distribuía a colheita para os moradores. Percebendo sua habilidade com a terra, o agrônomo Júlio César o remanejou para tomar conta da Horta da Formiga. 

Segundo Orlando, o projeto incentivou mais de 50 famílias a pegar mudas, a fim de fazer uma mini horta em casa. E também lhe proporcionou alguns minutos de fama internacional ao dar entrevista para uma tv sueca. Frisa que a horta é sua higiene mental. E faz questão de passar seus conhecimentos para as novas gerações, pois sempre deixa um canteiro vazio para as crianças da creche da comunidade plantar.

Além de algumas plantas medicinais, foi uma surpresa encontrar verduras que nem sempre estão nas feiras, como a taioba, considerada uma PANC ( plantas alimentícias não convencionais). 

Nos cuidados da horta, a equipe usa plantas que agem como repelentes naturais para evitar que pragas comuns infestem a plantação, e fumo de rolo no combate a doenças. Além disso, plantam os pés de determinado fruto em locais separados para não correr o risco de contaminar tudo. Quando algum pé apresenta contaminação é retirado da horta, embalado num saco e recolhido no caminhão da Comlurb. A composteira produz adubo e o chorume produzido é recolhido em galões, que são transportados para estação de tratamento.

Segurança alimentar e inclusão social

O projeto remunera os trabalhadores das hortas com uma bolsa-auxílio de meio salário mínimo. Nesta parceria, o poder público entra com os insumos, ferramentas e equipamentos, e a comunidade com a mão de obra. Metade do que é produzido é distribuído para creches, escolas municipais e famílias carentes. E a outra parte é vendida para os moradores por um preço bem mais em conta que nos supermercados. O   dinheiro da venda dos produtos incrementa o salário dos hortelões. O coordenador do projeto, Júlio César Barros afirma que algumas hortas já podem ser emancipadas, se auto-sustentarem com a venda da colheita, mas faltam ajustes nas equipes e parcerias com os centros de abastecimento. Ressalta que os problemas encontrados no gerenciamento de uma fazenda no campo é muito diferente dos problemas das hortas em comunidades, que apresentam uma série de atores sociais com os quais têm que lidar.

Destaca também que o Hortas Cariocas mantém parcerias com ONGS e universidades. Citou uma cooperação técnica com a Universidade de Melbourne, na Austrália, que está sendo formada.
Além da comunidade da Formiga, o projeto também está na favela de Manguinhos, Zona Norte do Rio. A horta é considerada a maior horta urbana, com cerca de quatro hectares, ou seja: em torno de 40.000 m² . Um verdadeiro oásis para um lugar conhecido como “Faixa de Gaza”.
Ezequiel Dias, morador local trabalha desde do início da implantação do projeto, junto com mais 27 pessoas que plantam legumes variados e plantas medicinais, se surpreende ao ver como a comunidade abraçou o projeto. Segundo Ezequiel, a Associação de Moradores teve um papel importante para que a horta fosse bem-sucedida. 

Com investimento de 500 mil reais do Poder Público foram retirados 700 caminhões de lixo e também cerca de 50 cm de camada de solo contaminado para poder construir 300 canteiros, sistema de irrigação e compostagem,  Júlio e os hortelões de Manguinhos contam que, naquela área da favela existia uma enorme cracolândia, e que hoje a horta ajuda no sustento de várias famílias, promovendo saúde e resgatando a autoestima de pessoas que se encontravam em situação de risco. Para alguns, a horta foi o primeiro emprego. Além disso, a plantação se tornou uma espécie de clínica de tratamento, como no caso de Luíza dos Santos, que já teve problemas de hipertensão e diabetes, e hoje exibe – toda orgulhosa – as verduras que colhe. Afirma que a horta conseguiu baixar sua pressão e controlar a diabetes.

A horta de Manguinhos mantém uma parceria com o SESC da Tijuca, que no 3º domingo de cada mês promove o “Domingo Alternativo”, vendendo a um preço bem mais em conta os legumes e verduras orgânicos. Segundo Júlio, uma das propostas do Hortas Cariocas é deselitizar o orgânico para a população com menor poder aquisitivo, a partir do momento que a produção é subsidiada.

Horta Comunitária
Horta Comunitaria Grajau 3
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Horta Comunitaria Grajau 3 - Foto: Fábio Goncalves
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