Iniciativa Waldorf :  uma escola inovadora

Iniciativa Waldorf pode revolucionar educação brasileira.A Iniciativa Waldorf Jardim São João, no Bairro de Fátima, região central de Niterói (RJ), abriga 12 pequenos aprendizes, de dois a seis anos de idade, e, apesar de ser parte de um conceito antigo - surgido na Europa dos anos 1940 -, pode ser considerada um exemplo de inovação pedagógica, aqui no Brasil. Na foto alunos brincando no jardim em tempo livre. - Fotos: Fabio Gonçalves - Portal Solidário Notícias

De Solidário, por Saulo Andrade

Publicado em 25 de Dezembro de 2016 

Você, pai ou mãe, já pensou na possibilidade de uma escola ser o prolongamento de sua casa, onde se pode acompanhar de perto o desenvolvimento do seu filho, participando-se ativamente da gestão pedagógica e escolar? A Iniciativa Waldorf Jardim São João, no Bairro de Fátima, região central de Niterói (RJ), abriga 12 pequenos aprendizes, de dois a seis anos de idade, e, apesar de ser parte de um conceito antigo – surgido na Europa dos anos 1940 -, pode ser considerada um exemplo de inovação pedagógica no Brasil.

Toda a gestão financeira da iniciativa é feita pelos pais, amigos e simpatizantes. Trabalha-se com um conselho pedagógico de pessoas que têm a formação necessária, além de profissionais com licenciaturas, que devem passar por uma formação de pedagogia Waldorf, ministrada por institutos específicos. Baseando-se no conceito de que educação é, na verdade, autoeducação, qualquer pessoa com mais de 21 anos pode se formar.

Com duas professoras e duas auxiliares, os alunos participam de atividades como aquarela; desenhos com giz de cera; jardinagem; limpeza de brinquedos; brincadeiras livres e produção do próprio lanche – quando eles têm a oportunidade de produzirem o pão que vão comer -, e brincadeiras desafiadoras – como andar numa corda bamba, por exemplo -, que podem lhes dar a oportunidade de ampliar aspectos sensoriais e o sentido da própria vida.

O fotógrafo e dirigente da Jardim São João, Fernando Carvalho, tem o seu filho de dois anos ali matriculado e ressalta que, na iniciativa, “há um grande desenvolvimento das crianças, através de um constante processo interativo e de muita liberdade”. Destaca que, numa gestão participativa e colaborativa, todo o dinheiro da mensalidade é empregado para a melhoria da própria iniciativa: “Nada é imposto. Tudo é decidido em reuniões. Eu e outros pais procuramos a iniciativa por não querermos mais o sistema de educação tradicional para nossas crianças”.

Ocupações de escolas podem colaborar com a Iniciativa Waldorf

Mesmo sem poder pagar a mensalidade, na Iniciativa Waldorf, os pais têm diferentes formas de atuar, oferecendo serviço e ou trocando objetos. O grupo gestor faz contas e analisa as possibilidades, dentro de três faixas de preço específicas e critérios de bolsa. Há, também, pessoas que querem e podem pagar, financiando quem não pode.

Apesar de a pedagogia não ser nova, é ainda muito pouco conhecida no meio acadêmico. São raríssimas as universidades que tocam no assunto. Ana Carmelita, artista plástica e estudante da pedagogia Waldorf – e também uma das dirigentes da iniciativa de Niterói – explica como se dá esta mobilização: “A iniciativa tem de nascer de um impulso da comunidade. É associativa e a gestão, beneficente, é formada por pessoas que têm interesse em construir uma coisa boa para a coletividade”.

Para Ana Carmelita, os atuais movimentos de ocupação de escolas, que têm ocorrido em todo o Brasil, podem se abrir para todos os movimentos de educação alternativa, inclusive a pedagogia Waldorf, que é anterior às da creche parental e de desescolarização: “Se os alunos se propõem a estudar gestão, participação, ampliando e transcendendo um currículo mínimo, que apregoa pessoas mínimas, que minimamente compram e apertam parafusos, podem nos ajudar como ferramenta. Tudo o que a gente puder fazer para engrandecer a iniciativa é positivo e dialoga. Um dos preceitos é fazer com que a comunidade tenha uma relação maior com a escola. É uma pedagogia e iniciativasocial desvinculada de poderes públicos e privados” – explica.

História de inovação pedagógica surgiu em fábricas da Europa

Tendo como base filosófica a Antroposofia – ciência inaugurada no início do século XX pelo austríaco Rudolf Steiner –, a pedagogia Waldorf aborda uma visão ampliada, holística e integral do ser humano. Dentre as várias linhas de pensamento desenvolvidas, uma delas é de ação social. Durante a Primeira Guerra Mundial, nos anos 1910, um ciclo de intelectuais, pensadores e industriais europeus inauguraram a metodologia a partir de uma fábrica, na Alemanha. O empresário e os operários começaram a realizar um trabalho em outras fábricas, com uma orientação no sentido da realização profissional e da dimensão do todo, no processo laboral – ainda que apertando um mero parafuso de toda a engrenagem.

Ocorre que aqueles trabalhadores alegavam que, apesar de a metodologia ser boa, eles já estavam “velhos”: seria muito difícil mudar suas visões de mundo. Propuseram que ela fosse aplicada aos seus filhos. Em parceria com o dono da fábrica, convidaram Rudolf Stainer para montar a primeira iniciativa. Para isto, mobilizaram pessoas, conseguiram um espaço e abriram, nos anos 1940, na Alemanha, a primeira escola, que já abrira com 300 crianças, do primeiro ao último ano.

No Brasil, a primeira escola foi implantada há 60 anos, em São Paulo: a Rudolf Steiner. Em todo o país, há 72 iniciativas como esta. De acordo com a Federação das Escolas Waldorf*, são quatro, na Bahia; uma, no Ceará; uma, em Brasília (DF); oito, em Minas Gerais; duas, em Mato Grosso; duas, no Recife; quatro, no Paraná; cinco, no Rio de Janeiro; três, no Rio Grande do Sul; cinco, em Santa Catarina; e 37, em São Paulo.

Saiba mais sobre a Iniciativa Waldorf Jardim São João: http://www.jardimsaojoao.com/
Fonte dos endereços das escolas Waldorf Brasil afora: http://www.fewb.org.br/ Enderecos-Escolas.php?estado= 27

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Iniciativa Waldorf - Foto: Fábio Gonçaves
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