Futebol Solidário: os opostos do Jogo das Estrelas

13ª edição do Jogo das Estrelas,organizado por Zico, no Maracanã, nesta quarta-feira (28), com preliminar feita com times de artistas. É a segunda vez que o ídolo entra em campo na festa, mas a primeira no estádio, já que a anterior foi no Morumbi, em 2013. Foto: Fábio Gonçalves

Por Edison Corrêa

Publicado em 02 de Janeiro de 2017

Somente um organizador de eventos beneficentes como Arthur Antunes Coimbra conseguiria reunir uma imensa constelação de atletas, artistas e jornalistas, além de quase 60 mil torcedores, numa pelada de final de ano no Maracanã. Zico, aos 63 anos, estava feliz ao final da 13ª edição dos Jogo dasEstrelas, disputado entre os times vermelho e branco, vencido pelo primeiro – a equipe do Galinho de Quintino – por 8 X 4. De Wesley Safadão a Alexandre Pires, na preliminar; de Júnior a Rafinha Alcântara – do Barcelona, na partida principal, as estrelas brilharam no gramado mais conhecido do planeta. “Gostaria de agradecer a todos os envolvidos por essa grande festa e pelo entendimento do intuito dapartida. O importante foram as homenagens realizadas com amor e de coração: para a Chapecoense e para o time do Flamengo campeão mundial de 1981, do qual fiz parte. Perdi amigos em 2016, como Raul Quadros e Carlos Alberto Torres, mas neste acidente aéreo perdi outros”, lamentou Zico.

Balões verdes e brancos lembram mortos do avião da Chape 

Antes de a bola rolar, Zico (representando o Flamengo), Roberto Dinamite (Vasco), Alexandre Torres, filho do “capitão do tri” Carlos Alberto (Fluminense), Camilo (Botafogo) e Edu Coimbra (América), este último irmão do Galinho, entraram em campo com uma bandeira da Chapecoense, junto com João Carlos Maringá, diretor de futebol do clube catarinense, e Matheus, filho de Sandro Pallaoro, presidente da Chape, que faleceu no acidente. Chorando copiosamente, o jovem lembrou que o Galinho era ídolo de seu pai, que não conhecia o craque pessoalmente. “Realizei o sonho dele, mesmo neste momento difícil”, afirmou. As 71 pessoas vitimadas no acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, no último dia 29/11, foram homenageadas. Fotos de cada uma delas foram exibidas no telão do estádio. Ao mesmo tempo, 71 balões brancos e verdes foram lançados ao ar, enquanto os presentes entoavam o cântico “Vamos, Chape”, ouvido em diversos estádios após o acidente. Em referência às cores da camisa do clube de Santa Catarina, os holofotes do Maracanã iluminaram o local com luzes verdes.

Primeiro tempo tem dupla Neymar-Marinho como destaque

No jogo, o time vermelho, dos campeões olímpicos Renato Augusto, Rafinha e Neymar, começou perdendo. Gustavo Scarpa, ídolo tricolor, tabelou com Emerson Sheik, bastante aplaudido pela torcida rubro-negra, que tocou na saída do goleiro Wilson, marcando 1 X 0 no placar. Enquanto Léo Moura era vaiado pela torcida flamenguista – a grande maioria no estádio – por quase ter jogado no rival Vasco, Renato Gaúcho – que também ouviu apupos pelo seu gol de barriga contra o Fla na final do carioca de 1995 – tentou uma cavadinha no goleiro Carlos Germano. A bola caprichosamente tocou a trave e foi parar na cabeça do sempre artilheiro Zico, que testou para o fundo da rede, marcando mais um gol no estádio em que é o recordista, com 333 gols em jogos oficiais. Começou, então, o show de Neymar em sua volta ao Maracanã após a conquista da medalha de ouro olímpica no Rio. O craque da seleção avançou pela esquerda e cruzou para Marinho completar para o gol. Na comemoração, a dupla ensaiou uma dança. Logo depois, a parceria funcionou novamente. Em outra jogada, o atleta do Barcelona entrou driblando na área e deixou a bola à feição para Marinho dar um leve toque e marcar um golaço, o mais bonito da partida. Após duas assistências, Neymar deixou o dele, após receber belo passe de Zico, fintar dois adversários e tocar no contrapé do ex- arqueiro vascaíno Germano. Antes do término da etapa inicial, Sheik – um dos artilheiros do jogo – fez mais um, tocando a bola por baixo das pernas do goleiro.

Homenagem aos flamenguistas campeões mundiais

No intervalo do jogo, mais homenagens foram prestadas. O jornalista Raul Quadros e Carlos Alberto Torres, capitão da seleção brasileira que levantou a taça Jules Rimet, do tricampeonato mundial, falecidos este ano, foram lembrados com homenagens. Em seguida, ao entrarem em campo, os atletas campeões mundiais de clubes pelo Flamengo, título que completou 35 anos, foram ovacionados pelo público. As únicas ausências daquele elenco foram os goleiros Raul e Cantarelli, além do meiocampista Andrade. Júnior ergueu a taça da Libertadores das Américas e Zico a do Mundial Interclubes de 1981, até hoje as maiores conquistas rubro-negras no futebol.

Solidariedade Familiar

O segundo tempo começou mostrando o entrosamento de uma dupla daseleção. Renato Augusto lançou Neymar, que avançou da linha divisória, pedalou diante do goleiro Gléger e ampliou o placar para o time vermelho. Logo depois, ovacionado, o craque deixou o campo. Não sem antes receber um pedido do meiocampista Beto, do time branco: doar suas chuteiras para o filho, postado à beira do gramado. Assim o fez o jogador do Barcelona, em mais um gesto de solidariedade do evento no Maracanã. Em belo lance, Zico ainda mostrou a velha categoria, ao acertar um potente chute da entrada da área no travessão. Fumagalli, substituto de Neymar,  também deixou o dele, de cabeça, para a equipe vermelha. João Paulo, atacante do Guarani nos anos 80, reduziu a diferença em seguida. Zico teve fôlego para avançar e dar ótimo passe para Loco Abreu, de cavadinha, marcar o sétimo gol da equipe vermelha. Vitinho respondeu para o time branco, acertando um chute da entrada da área. Para encerrar a festa, mais um gesto solidário do Galinho, desta vez em família: ao deixar o campo, deu lugar ao neto Felipe, de oito anos, que ainda teve tempo de balançar a rede contando também com a solidariedade do time adversário. Ao fechar o placar em 8 a 4, ganhou um abraço apertado do avô na beira do campo, sintetizando o objetivo da festa.

Depoimentos Solidários

Júnior: “´O acidente aéreo acarretou uma perda dolorosa para o mundo esportivo. Em contrapartida, hoje comemoramos os 35 anos da conquista do Mundial de Clubes pelo Flamengo e estou revendo amigos daquela equipe mágica”.

Wesley Safadão: “Eu adoro jogos beneficentes, fiz um recentemente junto com o Falcão, do Futsal. Tinha chamado o ‘Galo’, mas ele preferiu se preparar para este evento do Maracanã. Como sempre, foi um destaque”.

Renato Gaúcho: “Perdi amigos como Mário Sérgio e colegas do meio do futebol nesta tragédia e muito me emociona saber que o Jogo das Estrelas deste ano foi em prol das vítimas daquele acidente”.

Roberto Dinamite: “O Zico é um ser iluminado, pensa sempre no próximo. Nunca esqueço das partidas entre Vasco e Flamengo neste estádio, mas sempre houve o respeito entre ambas as partes”.

Camilo: “É importante estar cercado de ídolos para ajudar nesta causa nobre. Sempre que for chamado estarei presente”

Toni Garrido: “Zico é meu ídolo desde a infãncia e sempre é um prazer receber seu convite para esta festa. O mais importante é que ajuda as pessoas que necessitam e este é o grande mote do evento”.

Marinho: “Foi muito bom estar ao lado de tantas feras. Sempre vi esse jogo pela TV e agora joguei. Nunca imaginei jogar ao lado de Zico e Neymar, dois caras de quem sou fã. Espero ter ajudado um pouco a quem precisa”.

Jorge: “Me espelho no maior ídolo da nação rubro-negra. Todos sabem que torço pelo Flamengo e auxiliar um pouco neste evento beneficente me faz feliz”.

Juan: “Comecei na base do Flamengo, joguei diversas partidas aqui no Maracanã, mas o Jogo das Estrelas sempre me emociona pelo caráter beneficente”.

Loco Abreu: “É sempre bom ir pegando ritmo de jogo para o Campeonato Carioca, o qual disputarei pelo Bangu. Sobre a festa, foi excelente participar e marcar um gol”.

Vitinho: “Sou mais um torcedor da nação Rubro-Negra e seria uma honra jogar no clube, como estou me sentido honrado em participar deste evento grandioso”.

Nunes: “Assim como eu marcava gols dentro de campo, é fundamental marcar fora dos gramados também e esta festa nos dá esta oportunidade”.

Gustavo Scarpa: “O Zico é um ídolo inquestionável de todas as torcidas. É bom ajudar a fazer sua festa de final de ano”.

Renato Augusto: “Foi importante carregar o símbolo da Chapecoense no peito e prestar esta homenagem aos que nos deixaram”.

Valdir Espinosa: “É um momento em que me lembro dos amigos que estiveram naquele acidente. Estou aqui para homenageá-los”

Neymar: “Para mim seria uma grande honra jogar no Flamengo, no Maracanã. É um time que eu tenho vontade de jogar! Mas só de estar ajudando já me deixa feliz. Prometi ao Zico que viria e estou aqui”.

Athirson: “Gosto muito de participar deste evento, mais ainda pelo caráter beneficente da partida”.

Adílio: “Jogava ao lado do ‘Galo’ como por música e essa tabelinha continua para beneficiar aos que precisam. Acho que a torcida entendeu o objetivo do jogo”.

Rafinha: “Meu pai jogou no Vasco, mas nunca escondi que sou flamenguista, se Deus quiser ainda vou jogar no Flamengo. Participar desta festa do Zico é uma honra, ainda mais sendo um evento em benefício à Chapecoense. Também os homenageamos com um minuto de silâncio no estádio em Barcelona”.

Alcindo: “Joguei com Zico no Japão. É um cara sensacional, que sempre ajuda a quem precisa”.

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jogo estrelas - Foto: Fábio Gonçalves
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