Jovens discutem intervenções urbanas em projeto inovador de arte e tecnologia

Foto: Marcos Braz

Observar, registrar e interferir na paisagem urbana com arte e tecnologia. Esta é a missão do projeto “Oi Kabum LAB.IU – Laboratório de Intervenções Urbanas”, que acontece desde terça-feira (29/08), no Centro Municipal de Cultural e Cidadania Calouste Gulbenkian, na Praça Onze. A primeira turma do projeto é formada por 60 alunos, com idades entre 16e  29 ano. É o caso do carioca Eloy Leones, de 21 anos.

Morador do Complexo do Alemão, o jovem é videomaker e viu no curso a possibilidade de aprimorar seus conhecimentos. Com apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), a iniciativa tem como objetivo formar e orientar esses meninos a desenvolverem intervenções urbanas unindo a arte e tecnologia. A formatura está prevista para janeiro de 2018. “Fui indicado por amigos que já fizeram outros cursos no Oi Kabum e estou gostando muito. É um projeto que fomenta a questão do nosso pertencimento à cidade. Sinto uma enorme necessidade de construir, de criar. O curso me dará esse suporte para criar os meus projetos”, disse Eloy.

Nesta quinta-feira (31), o grupo participou de uma atividade externa. Chamada de “Errância”, a proposta foi levar os alunos ao entorno do Calouste para observar aguçar reflexões sobre a cidade. Os alunos escolheram que gostariam de observar e, munidos de um bloco de anotações, partiram para cada um deles. Segundo Eloy, que se posicionou nas proximidades do metrô da Praça Onze, a atividade foi “reveladora”. “Tudo aconteceu no mais completo silêncio, para observar e captar as sensações do espaço e de que maneira as coisas interagem. Paramos em locais como o Campo de Santana para refletir a cidade. Fiquei perto do metrô e vi muita coisa acontecendo. Consegui observar com outros olhos coisas e pessoas que diariamente não temos tempo para perceber”.

De volta ao Calouste, os alunos compartilharam as observações realizadas durante o trabalho de rua. E essa troca de experiências rendeu um debate animado entre os participantes. Especialmente, novas ideias para projetos pessoais. A poucas semanas de ter seu primeiro filho, a jovem Ana Júlia Ferreira, de 19 anos, era uma das mais animadas. Com as orientações do curso, ela espera aprimorar uma iniciativa antiga sua, de levar o que ela chama de “intervenções luminárias” a diversas regiões da cidade. “Estou vivendo uma vibe muito grande de aprendizado e questionamentos. Minha ideia agora é seguir a vertente de um projeto antigo, através do qual botávamos um LED nas pessoas para que elas falassem sobre suas maiores resistências, chamado “Iluminar e Resistir”. Tenho fascínio pela crítica, pelo questionamento. Daí a vontade de seguir com essa ideia, de uma forma mais aprimorada”, disse Ana Júlia, grávida de oito meses e meio do Heitor.

Na última terça-feira, quando o projeto foi apresentado, a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, destacou a importância da capacitação dos jovens para o fortalecimento das culturas locais. Na ocasião, ela mandou um recado aos alunos. “Desejo boa sorte a todos e que vocês escrevam seus nomes na história. Vamos ocupar com arte esses territórios”, afirmou.

Foto:Ricardo Cassiano

A programação inclui aulas e oficinas sobre técnicas de mapping, fotografia, motion, web e desenho, entre outras. Uma das responsáveis pelo trabalho, a educadora Tatiana Martins, especialista em História da Arte e Tecnologia, falou sobre o projeto e a importância da parceria com o Centro Calouste Gulbenkian, que é administrado pela Secretaria Municipal de Cultura. “Reunimos alunos que já desenvolvem algo em arte. O laboratório foi criado para que cada participante possa entender o que esta cidade, de fato, representa para cada um deles. E esse espaço incrível, no qual fomos recebidos de braços abertos, é um convite a tudo isso. Agradeço muito ao Calouste por nos ter abraçado dessa forma tão carinhosa, disse.

Para Tais Sales de Moraes, de 22 anos, que realiza oficinas de fotografia em projetos sociais, participar de iniciativas como essa lhe dá ainda mais motivação para seguir em frente. E essa fonte de animação, segundo ela, vem da troca de experiências com os colegas de turma.”É um laboratório que reúne, em um só espaço, pessoas de todas as tribos que já estão inseridas nesse universo digital para discutir a cidade. E isso acontece o tempo todo, seja durante as aulas, cafés, almoço e intervalos. Essa troca é constante. Um procura sempre ajudar o outro, e isso é fundamental para o sucesso de qualquer trabalho”, revelou.

Também apoiado pela Oi Futuro e a Secretaria Estadual de Cultura, o “Oi Kabum LAB.IU – Laboratório de Intervenções Urbanas” é uma realização do Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip). Gestor de cultura da Oi Futuro, Roberto Guimarães destacou, no começo da semana, a parceria com a Prefeitura do Rio. “Estamos fazendo história neste momento, ocupando um espaço importante na geografia do Rio, na região onde nasceu o samba e que atualmente abriga diversas expressões de arte”, disse.

Dividido em três fases (ideias, desenvolvimento dos projetos e finalização), o “Oi Kabum LAB.IU – Laboratório de Intervenções Urbanas” pretende formar a primeira turma em janeiro de 2018, mês em que haverá a exibição das obras. Até lá, os alunos terão uma rotina de encontros diários, das 8h às 13h, com direito a café da manhã e almoço. “Nossa responsabilidade é inspirar e fazer a diferença para a nossa cidade e nosso país”, concluiu a diretora da Oi Futuro, Sara Crosman.