Mais de 160 PMs e traficantes são denunciados a justiça

Batalhão teve 96 policiais denunciados à justiça - Foto Wagner Sales

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ), denunciou à Justiça 96 policiais militares lotados no 7º BPM (São Gonçalo) e outros 71 traficantes da região. Deflagrada nesta quinta-feira (29/06), a Operação Calabar busca cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em todo o Estado.  A operação é uma ação conjunta do Ministério Público, da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, da 72ª DP e da Corregedoria da Polícia Militar.

Os policiais vão responder na Justiça pelos crimes de organização criminosa e corrupção passiva. Segundo o GAECO/MPRJ, ao longo de dois anos, os PMs receberam dinheiro em troca de não coibir o tráfico de drogas na região. Eles foram denunciados junto à 2ª Vara Criminal de São Gonçalo e à Auditoria de Justiça da Polícia Militar.

Arrego

Acusados de pagar o chamado “arrego” aos policiais para evitar incursões em favelas, os traficantes foram denunciados por associação para o tráfico e corrupção ativa. As ações em face dos traficantes foram distribuídas nas 1ª, 2ª e 5ª Varas Criminais do município. Outros cinco civis foram denunciados, acusados de serem os intermediários das propinas. Cabiam a eles fazer os “recolhes” junto aos traficantes para pagar de forma ilícita os PMs.

Entre os traficantes denunciados está Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco; que apesar de não ser liderança direta em São Gonçalo, constava como recebedor de recursos do tráfico local.  Também foram denunciados Shumaker Antonácio do Rosário, o “Schumaker”, e Érico dos Santos Nascimento, o “Farme”, considerados líderes locais.

A investigação começou em 2016, após a prisão de um homem flagrado com dinheiro de comunidades controladas pelo tráfico de São Gonçalo que seria entregue a PMs. Como colaborador premiado, ele auxiliou as investigações que revelaram as relações criminosas mantidas entre traficantes e policiais lotados no batalhão de São Gonçalo.

Entre os denunciados estão policiais integrantes de equipes de pelo menos sete Grupamentos de Ações Táticas (GATs), do Serviço Reservado (P2), dos Destacamentos de Policiamento Ostensivo (DPOs) do Salgueiro, Santa Luzia, Santa Izabel, Jockey, Jardim Catarina, Ocupação Coruja, Alto dos Mineiros, Shopping São Gonçalo e outras unidades.

Telefones

A investigação compreendeu o período em que os PMs denunciados estiveram lotados no 7º BPM entre os meses de julho de 2014 e dezembro de 2016. Foram utilizadas interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que flagraram os policiais utilizando telefones particulares e outros sem identificação de cadastro nas negociações.

De acordo com a denúncia, “restaram amplamente comprovadas, sendo finalmente apurado que boa parte do efetivo do quartel de São Gonçalo constituiu uma organização criminosa, dividida em núcleos, para fins de praticar crimes de corrupção ativa, entrega, venda e fornecimento de armas de fogo e crime de corrupção passiva militar, previstos no Código Penal Militar”.

Repercussão

Durante todo o dia, foi intensa a movimentação de entrada e saída de veículos no 7º BPM. A maioria dos carros transportava integrantes da corregedoria da corporação e da polícia civil. Em nota distribuída em redes sociais a corporação afirma que “policiais militares, todos nós, iniciamos o dia de hoje incomodados pela operação que está em curso.

Sentimos na própria pele toda vez que policiais militares são acusados de crimes graves. Mas não podemos deixar de ressaltar que se trata de uma operação necessária para nos fortalecer”.

Um policial que mora na cidade avaliou como positiva a operação. Ele observou que há cerca de 15 anos, o batalhão era uma maravilha para se trabalhar . “Os policiais eram da região e se preocupavam com ela”, afirmou. Na opinião do policial, “hoje a situação mudou muito porque a maioria é de fora e não se mostra preocupada com o que vai acontecer com o filho que vai para escola, a mulher que compra pão ou vai ao mercado, com a segurança em geral. Esse homem não tem nenhuma identidade com a cidade,” completou.