Massacre na Líbia é ignorado pela mídia comercial conservadora

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro
A Líbia, país que foi bombardeado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 2011 e em que o líder Muammar Khadafi foi assassinado de forma brutal, possivelmente a mando do político francês Nicolas Sarkosy, segundo informações, que recebeu ajuda financeira do dirigente líbio e queria manter em silêncio o fato, até hoje, seis anos depois, o povo se ressente do que ocorreu. A Líbia verdadeiramente deixou de ser um país na verdadeira acepção da palavra para ser dominado por grupos que contam com o apoio dos Estados Unidos e nações européias. O petróleo líbio de alta qualidade foi surrupiado por empresas multinacionais.
O noticiário atual sobre a Líbia dominada é praticamente nenhum. Deixou de ser notícia apesar de fatos de extrema gravidade acontecerem por lá. Nestes dias veio a informação, não divulgada pela mídia comercial conservadora desta e de outras bandas, segundo a qual foram assassinadas 143 pessoas na base de  Brak, localizada nas proximidades de Brak Wadi Shati, uma região do deserto localizada a 750 quilômetros ao Sul da capital Trípoli.
Quando ocorrem fatos, como, por exemplo, o recente atentado terrorista na Inglaterra que provocou dezenas de mortos, a repercussão mundial é muito grande, mas quando ocorre um crime de guerra como este recente na Líbia com 143 mortes, a repercussão é nenhuma.
Os responsáveis pelo crime de guerra foram os bandos armadas de Misratah que contaram com o apoio do Ocidente, segundo informações de fontes fidedignas. Os mortos eram integrantes de grupos que haviam firmado cessar fogo com os bandos armados do Misratah e por isso estavam  relaxados e em celebração do Ramadan, a cerimônia sagrada dos islâmicos.
Foi sem dúvida uma covardia e a pior que se tem notícia na região. Ao que tudo indica o covarde crime de guerra ficará impune, como outros massacres ocorridos e não divulgados pela mídia comercial conservadora. No país bombardeado pela OTAN, vários massacres já ocorreram e seguem impunes.
O  Conselho de Estado líbio até agora manteve-se em silêncio diante do  grave acontecimento, embora o governo interino tenha condenado, mesmo que de forma tímida, o derramamento de sangue.
Integrantes do Misratah ameaçam apresentar áudios gravados mostrando o Ministro de Defesa Mhadi Barghouthi e o presidente Al-Sarraj e Kagman (membro da presidência), dando instruções para se levar a cabo o massacre de Brak.
O Movimento Nacional Popular Líbio condenou o massacre e os anciãos e sábios do Sul da Líbia deram dois dias aos integrantes dos bandos armados do Misratah para abandonarem a região. Foi um ultimato incondicional. O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) na Líbia, Merter Kubler, condenou o massacre e pediu calma. O jornal italiano “La Republica” responsabilizou Mhadi Barghoudi pelo massacre, mas complementou afirmando que ele não imaginava que as repercussões do fato fossem tão graves.
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Em suma, assim caminha hoje a Líbia, país que antes dos bombardeios da OTAN em 2011 era considerado padrão na região africana e que servia de exemplo, inclusive com o Estado se desenvolvendo para e pelo povo. A realidade mudou para pior, apesar de que os bombardeios tivessem sido justificados como necessários para “por ordem” no país que era próspero para o povo.