MPF debate ataques a terreiros de religiões de matriz afro-brasileira no estado do Rio de Janeiro

PRDC/RJ conversou com mães e pais de santo para pensar nas medidas que podem ser adotadas

Foto: Agência Brasil

Os recentes ataques a terreiros de religiões de matriz afro-brasileira no estado do Rio de Janeiro foram o foco de reunião realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira (15). No encontro, promovido pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), mães e pais de santo relataram casos de violência física, psicológica e ameaças e ataques a terreiros motivados pela intolerância religiosa sofridos nas últimas semanas, e em outros momentos. Os religiosos solicitaram ainda medidas efetivas, de curto a longo prazo, do poder público.

A reunião foi mediada pela procuradora regional dos direitos do cidadão Ana Padilha e contou com a presença do procurador da República Jaime Mitropoulos. Também estiveram presentes as promotoras de Justiça Eliane de Lima Pereira e Roberta Rosa, assessora e assistente de Direitos Humanos e de Minorias (ADH/MPRJ); o representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB Roberto Augusto Lopes Gonçales; os representantes da Educafro Ana Angelica Barros, Joelson Santiago e Ruy Siqueira; entre outras pessoas da sociedade civil. O objetivo da reunião foi ouvir as pessoas e, a partir disso, analisar o que pode ser feito em conjunto com o MPRJ e outros órgãos.

Entre as medidas solicitadas pelas mães e pais de santo estão o amparo imediato às vítimas de intolerância religiosa. “É um sofrimento real das pessoas, as pessoas estão sofrendo agora. Quais são as ações que a gente poderia fazer de amparo à essas pessoas? Ações psicológicas, ações sociais e até ações materiais que pudessem ajudar de alguma forma. Eu estou muito preocupada com a vida dessas pessoas, com a cabeça dessas pessoas”, pede uma mãe de santo.

Proposta de criação de nova delegacia – Na quinta-feira (14), os procuradores da República Ana Padilha e Jaime Mitropoulos participaram de uma reunião na Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI). Na ocasião, foi discutida a concretização da criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para enfrentar a onda crescente de intolerância religiosa. O intuito é dar condições para que casos de intolerância religiosa e racismo sejam registrados e investigados adequadamente. O encontro buscou traçar um diálogo intersetorial e interinstitucional para o enfrentamento da crise.

A reunião também contou com as promotoras de Justiça Eliane de Lima Pereira, Roberta Rosa, Patrícia Villela e Glícia Pessanha Crispim, subcoordenadora do Centro de Apoio as Promotorias de Cidadania. Também compareceram representantes da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Fonte: MPF- RJ