Mutirão pela cidadania

Foto Pauty Araujo

Por Daniele Fernandes e Manoel Tupyara

No último dia 4 de novembro, alunos do Colégio Municipal Bento Ribeiro, no bairro do Méier, Zona Norte do Rio, realizaram um mutirão de limpeza, cujos objetivo foi limpar os pátios e muros da escola. Para isso, contaram com a ajuda de três grupos de escoteiros. A ideia é que esse trabalho seja contínuo. Além disso, a escola está desenvolvendo um projeto de horta comunitárias. Os alunos vão aprender a zelar pelas árvores frutíferas e plantas. Espera-se realizar novos projetos para o próximo ano, com a participação de um maior número de estudantes, numa parceria com outras unidades públicas e privadas.

Fernando Barros, voluntário, enfermeiro do Hospital Central de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, diz que o material utilizado para a limpeza foi doado pelo movimento escoteiro e pela escola. “Os escoteiros trouxeram três pacotes de cal, 10 kg de terra adubada para os trabalhos de jardinagem, três vassouras, cinco escovas de aço, cinco rolos de pintura, cinco bandejas, cinco trinchas, isso juntou com o material do colégio. No próximo mutirão teremos mais doações”, revela.

Mãe de um aluno de 16 anos, que estuda em colégio da região e membro do Conselho Escolar junto à comunidade, Rita Antal, uma dona de casa antenada com o mundo moderno, diz que gostou do mutirão e pretende fazer o mesmo junto com a comunidade para reintegrar as crianças dentro da escola e mantê-la como se fosse um patrimônio do filho. “Esse projeto de mutirão da limpeza na escola, eu dei uma sugestão: junto com o projeto pedagógico que nós chamamos de PPP – Projeto Político Pedagógico – poderíamos estar implantando isso, como uma aula de ciências. Como? Criar uma horta utilizando todos os produtos do lixo, que é aquela questão da sustentabilidade, fazendo o lixo virar luxo. Aqui temos um material para a criação de uma horta excelente”– enfatiza Rita. Ela relata que no recinto há folhas para fazer compostagem, garrafas pets…… E frisa que, como qualquer outro projeto, é um trabalho de formiguinha. “ Tira as pessoas de casa no dia de lazer para desenvolvê-lo. Mas vai envolver a comunidade quando essa deslumbrar o resultado. Trabalho em equipe; a gente tem que passar essa questão para os nossos jovens. E esse projeto tem tudo para dar certo” garante.

Outro voluntário, Fernando Gomes, 23 anos, acha interessante a interação da escola com o escotismo. Diz que trabalham na mesma via: formação de caráter, respeito pelas pessoas e a conscientização quanto ao futuro. “A probabilidade de ser sucesso é bem maior. São inúmeros os benefícios junto ao colégio, e também para a comunidade.”- explica.

Foto Pauty Araujo

Membro ativo do 52º grupo de escoteiros Fabiano de Cristo, o escoteiro Pedro Viana diz que a interação com a escola Bento Ribeiro é muito boa. Além do colégio, há três décadas, ter cedido a quadra para o grupo fazer a sua sede. “O espaço nos ajudou muito.O que fazemos aqui é uma retribuição do que a escola fez por nós todo esse tempo. Devemos manter boas relações para os próximos anos” – enfatiza Viana.

Leon Montenegro, estudante de Engenharia Química da UFRJ, também contribuiu com o mutirão. “Precisamos valorizar a cidadania; colocar em prática o que aprendemos, mostrar o nosso serviço social. “ A escola vai ter o ambiente mais limpo, propício para as crianças. Vários problemas foram solucionados”, garante.

Aos 32 anos, Henrique Persechini, mestre do escotismo, declara que a intenção do projeto é mostrar para o jovem que ele faz a diferença. “Ele está vendo que o que estamos ensinando está funcionando. É a parte importante para o jovem. Para a escola é uma ajuda. E para as crianças é uma farra, onde conhecem a escola, que sede um espaço para elas, mas um lugar que é vivo, e cria uma relação mais próxima”- ressalta Henrique.

No movimento escoteiro há 26 anos, Rafael Borges Passos, 37 anos, presidente do grupo escoteiro 52º Fabiano de Cristo, diz que o trabalho foi desenvolvido em grupo no colégio.”É um carinho que fizemos não só com a comunidade, que é a maior escola da região, comporta o maior número de alunos do bairro, mas também um agrado a uma instituição de ensino que nos abriga há mais de três décadas. “Viemos para o colégio em 1986. O diretor era o professor Antônio Simão, que nos chamou e cedeu o espaço. Estamos aqui até hoje, nada mais é do que uma reciprocidade” – acentua Borges. Ressalta que “para a comunidade esse projeto é importante, pois, entre outras coisas, tira a ociosidade dos jovens; celulares, computadores, internet, infelizmente hoje se encontra o que é bom e ruim nos meios de comunicação. Por meio do mutirão as crianças voluntárias esquecem do celular. O trabalho que foi feito é apenas para caiar alguns muros, fazer uma horta sustentável e suspensa; são projetos que estão no início. Vamos interagir. Tomar conta junto com a escola” explica Rafael Passos.