Não é não!

Domingo Niterói foi as urnas, em consulta pública sobre o armamento da guarda municipal. Erros e acertos eu faço questão de sempre falar. Acertando, alardeio para todos as iniciativas. Foi como no caso de optar por pintar os muros que dão acesso ao Túnel Charita-Cafubá. Contrário aos movimentos fascistas que estão ditando a “limpeza Urbana” em São Paulo, Niterói teve postura contrária e incentivou publicamente artistas a pintarem com uma temática própria. O evento foi amplamente divulgada e foi um dos grandes acertos do governo. Imaginando que artistas precisam ser marginais para expor seu trabalho e que possam aparecer através do museu aberto, um governo que adota para si a contemporaneidade, é muito bem vista.

Do lado oposto, uma série de decisões erradas, foram culminando na consulta pública deste domingo. No momento em que a cidade, vive um medo, onde a violência chega perto da classe média, desperta sentimentos de ódio, que são potencializados com a mídia e chegam no poder executivo como uma bomba. Grupos nascidos da nova legião de ódio nacional e mundial, pressionaram o governo para uma solução imediata, sem fundamento e discurso muito raso. Sem nenhum plano de segurança, apenas querendo resolver a curto prazo a situação de descontrole, baseado até numa crise que atinge toda a população marginalizada, resolve de primeiro mote, atravessando toda a legislação, armar a guarda municipal, com pretexto de intimidar os bandidos. Iniciado até a habilitação para comprar um lote de armamentos, sem antes ouvir se essa solução seria a mais correta, afinal, isso atinge diretamente o dia-a-dia das pessoas. A consulta pública não é impositiva, mas o prefeito tem a obrigação moral de acatar! O povo tendo em mãos novamente a direção da condução de sua cidade.

Me chamou a atenção nas filas, que todos estavam em silêncio, aguardando na sua grande extensão, sua hora de votar. Apenas um grupo, os favoráveis ao sim, destilavam seu ódio, desde citando regiões no Brasil onde a Guarda municipal é armada e tem crime muito baixo até exterminar todos nos presídios. Ouvi de tudo, passando mal. O convencimento para não ao estímulo a violência, não é possível, na hora em que alguém com muita raiva, consiga ouvir sem querer gritar ou partir para a agressão.

Não é possível até dizer como falaram: “São esses esquerdistas que querem impedir a posse de armas”. Devemos lembrar, que sansão da Lei de posse de armas para a guarda municipal, foi assinada pela Dilma. É possível concordar com isso? Não! A pressão da nova ordem mundial, para que o capitalismo avance com força no mundo, deu força a indústria de armas americana a entrar com força. Além dessa força de mercado, temos que considerar a particularidade de cada local, a precarização das polícias municipais e seu envolvimento com o profissional e até a conduta totalmente questionável de muitos servidores dessa área. Imagine as guardas armadas deixando de se envolver com trabalhos de prevenção à violência, encontrando o inimigo cada vez mais bem armado e sendo lançados para combate reativo-repressivas, perdendo sua essência mais socializadora. Não vai demorar para que efetivos, viaturas e armamentos passem a ser a solução para todos os problemas, e a carência das guardas será sempre eterna.

Falaram que com as armas a intimidação seria maior e que eram a favor até de liberar armas a todos. Difícil essa afirmação. Com o salário médio de um guarda municipal, sua formação acadêmica e na escola da guarda é improvável que tenhamos uma guarda como da New Scotland Yard, a polícia londrina, e sua característica de ter seus policiais sem arma de fogo. Mas essa realidade é um pensamento futuro, com investimentos em educação a longo prazo. No momento, temos uma guarda que muitas vezes usa cassetetes como coerção, abuso de poder e despreparo emocional.

Precisamos sim de uma política real de segurança pública. Ninguém em nenhum momento falou que seria fácil, mas sem um plano real, vamos apenas colocar a população em risco, ter medidas apenas de resposta momentâneas e não de prevenção. Como querer abusar da alimentação, não fazer exercícios e achar que se um dia tiver câncer, vai ter remédios para curar e não mudar o estilo de vida. Temos que mudar esse ciclo de pensamento em todos e Niterói foi a primeira a mostrar que temos que resolver de forma inteligente.

Hoje durmo mais tranquilo, que um passo foi dado. Mas agora é arregaçar a manga e continuar se interessando por sua cidade e pedindo projetos concretos de política se segurança. Pronto, falei!

Deixe uma resposta