O bem amado Evaristo

Do Solidário, por Kleber Vieira

Publicado 22 de Novembro de 2016

Que Evaristo de Macedo era craque ninguém duvidava. Público, companheiros e adversários do ex-jogador são só elogios à técnica do atacante que fez história no Brasil e no exterior, nos anos 1950 e 1960. Surgido no Madureira, o jogador fez fama no Flamengo, pelo qual marcou muitos gols, fato que o levou a ser convocado para a Seleção Brasileira.
Mas além de amado pela maior torcida do Brasil, Evaristo de Macedo é protagonista de uma história muito interessante. O brasileiro vestiu as camisas de Barcelona e Real Madri, clubes de grande projeção no futebol mundial e históricos rivais do futebol espanhol. Foi campeão por ambos, o que o levou à incrível façanha de ser ídolo das duas torcidas, que o adoram com igual fervor.

Matéria sobre Evaristo de Macedo

Evaristo de Macedo, que comemorou 83 anos de idade em 2016, foi alvo de homenagens de Flamengo, Barcelona e Real Madri, pela passagem de seu aniversário. Além disso, sempre que estes clubes comemoram datas alusivas à fundação ou às conquistas de seus títulos mais importantes, as diretorias fazem questão de homenagear Evaristo. Trata-se do reconhecimento pelos serviços prestados por um de seus mais brilhantes jogadores.
Hat-trick
Evaristo foi o brasileiro que mais gols marcou gols com a camisa do Barcelona. Foram 178 em 226 jogos. Ele e o espanhol Tejada fizeram, juntos, mais de 300 gols pelo Barcelona. A dupla jogou pelo clube inclusive em 1957, ano da inauguração do estádio Camp Nou. Evaristo foi o primeiro a marcar o chamado hat-trick, três gols em um jogo, no estádio, na goleada de 7 a 1 sobre o Valladolid, dia 8 de março de 1958. O brasileiro repetiria o feito sete meses depois, desta vez em cima do poderoso rival Real Madrid, na goleada de 4 a 0.
Carreira em resumo
Evaristo é considerado um dos grandes craques do futebol brasileiro até hoje. A carreira de treinador foi vitoriosa e ele se aposentou em 2007. Nascido a 22 de junho de 1933, na cidade do Rio de Janeiro, Evaristo começou a carreira em 1950, em 52, já vestia a camisa do Flamengo, pelo qual foi tricampeão carioca em 1953/54/55.
Em 1957, transferiu-se para o Barcelona, no qual conquistou o tricampeonato da Copa da Uefa em 1958/59/60, além do bi espanhol em 59/60. No Real Madrid, ganhou o tri espanhol em 1963/64/65. Neste último ano, voltou ao Brasil e encerrou a carreira no Flamengo, pelo qual fez, nas duas passagens, 103 gols em 191 jogos.
Por pouco não jogou com Pelé
Era nome certo na Seleção Brasileira para a Copa de 1958, na Suécia, que o Brasil acabaria ganhando. Evaristo estava jogando demais em 1957 pelo Flamengo, mas a transferência para o Barcelona o impediu de vestir a amarelinha, com a qual fez oito gols em 14 partidas. “No início da preparação para a Copa de 58, o coordenador técnico Carlos Nascimento mandou um telegrama, me pedindo para solicitar minha liberação ao Barcelona, mas o clube não deu. A Espanha não tinha se classificado e decidiu manter o Campeonato Nacional, sem abrir mão de ninguém”, declarou Evaristo.
Segundo Evaristo, Carlos Nascimentoficou triste porque Vicente Feola, que era o treinador, queria vê-lo ao lado de um ‘neguinho bom de bola’, que apareceu no Santos (disse ele entre risos, referindo-se a Pelé, que viria a ser campeão e a sensação do Mundial de 58.
Como a tecnologia era empírica, Evaristo não sabia quem era Pelé e ficou curioso por conhecer o tal ‘neguinho’. “Se fosse hoje, com certeza ligaria a TV a cabo, entraria na internet rapidinho para descobrir de quem ele estava falando. Mas naquela época não tinha nada disso. Continuei a minha vidinha lá no Barcelona, sem saber quem era o tal neguinho chamado Pelé” (risos).
Evaristo se despediu da Seleção em 21 de abril de 1957, contra o Peru, pela eliminatória da Copa, no Maracanã. Dois meses e alguns dias depois, o tal ‘neguinho bom de bola’ saía do banco para substituir Del Vecchio e marcar o único gol do Brasil, na derrota para a Argentina, por 2 a 1, pela Copa Roca – competição disputada entre os dois países -, no mesmo Maracanã.”Passei por Barcelona e Real Madrid, e joguei ao lado de Puskas, Kocsis, Czibor e Di Stéfano. Todos eram craques, mas nenhum como o Pelé, que eu só conheci ao vivo quando joguei contra ele em 1959, pelo Barça”, lembra Evaristo.

 

 

Treinador vitorioso
Como treinador, começou no America, em 1967; um ano depois, estava no Fluminense. Daí vieram Flamengo, Vasco, Bahia, Grêmio, Corinthians, Cruzeiro, Bahia, Santa Cruz, Vitória e Atlético-PR.
Dirigiu a Seleção Brasileira em 1985, durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986, no México, mas não dirigiu a equipe no Mundial, sendo substituído por Telê Santana. Acabou comandando a equipe do Iraque nesta Copa.
Comandou o Barcelona de 1981 a 83, conquistando a Copa del Rey, a Copa de La Liga e a Winners Cup. Foi o responsável por resgatar o futebol vistoso do clube catalão, que contava com o astro argentino Diego Maradona.
Em 1988 assumiu o Bahia, pelo qual foi campeão brasileiro, que tinha, como destaques, Bobô, João Marcelo, Paulo Rodrigues, Gil, Bobô, Zé Carlos e Charles. Também ganhou a Copa do Brasil, em 97, em cima do seu Flamengo. No tricolor Gaúcho o time base tinha Danrlei; Arce, Rivarola, Mauro Galvão e Roger; Dinho, Emerson e João Antônio; Carlos Miguel, Daurí e Paulo Nunes.
Depoimentos
“O torcedor brasileiro não tem ideia de como o Evaristo de Macedo é idolatrado na Espanha. Foi, sem dúvida, um dos maiores jogadores do mundo em todos os tempos”, Roberto Dinamite (ídolo vascaíno, que teve passagem rápida pelo Barcelona).
“No primeiro treino que fizemos no Flamengo, eu e Paulo Cesar (Caju) viemos da Colômbia e encontramos o Evaristo,. Era um mestre que ensinou muito. E continua sendo, pois é meu amigo, estamos quase sempre com ele e aprendendo sempre. Isso não para. Eu estive em Barcelona e a foto do Evaristo está lá, na sala de troféus. Isso emociona qualquer brasileiro”. (Fred, ex-zagueiro do Flamengo).
“Sabe lá o que é ser ídolo de Barcelona Real Madrid e Flamengo, três clubes dessa grandeza no futebol mundial? Evaristo tem um dos maiores currículos de um jogador brasileiro. É muita bagagem, muito conhecimento, como jogador e treinador. Se tivesse DVD naquela época, as pessoas iriam ficar maravilhadas com o que ele jogava” (Afonsinho)