O mundo gira e não se pode deixar de acompanhar a política internacional

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Em meio à grave crise que se abateu sobre o Brasil, governado por um presidente que perdeu completamente a condição de continuar ocupando o cargo, não se pode também deixar de acompanhar os acontecimentos ao redor do mundo.

É o caso da lembrança dos 114 anos de imposição dos Estados Unidos contra Cuba com a assinatura de um tratado para perpetuar a dominação norte-americana com a entrega de Guantánamo para garantir a permanência em uma base militar na província cubana.

Um fato vergonhoso e que levou os Estados Unidos a ocuparem aquela parte do território cubano até hoje, inclusive transformada atualmente em presídio de acusados, sem julgamento, de atividades terroristas. Uma ocupação que ocorre, vale sempre mencionar, contra a vontade do governo e do povo cubano.

Como assinala em artigo o jornalista cubano Pedro Martinez Pires, não se pode esquecer o que foi dito pelo professor de Faculdade de Direito da Universidade de Havana, Miguel D. Estefano, advertindo sobre o fariseismo da política externa dos Estados Unidos, que segue nos dias atuais.

Exemplo nesse sentido foi confirmado pelo atual Presidente Donald Trump no último sábado (20 de maio), que o governo dos Estados Unidos segue celebrando como a data de independência de Cuba.

Na verdade, na referida data de 20 de maio de 1902 ocorreu a posse do primeiro Presidente Tomás Estrada Palma,  exatamente o subscritor do Tratado de relações verdadeiramente indecorosas de Cuba com os Estados Unidos. Foram as tais relações carnais com Washington, algumas décadas depois seguida pelo então Presidente argentino Carlos Menem. 

Um ano depois da posse de Palma, em 1903, o mesmo primeiro Presidente cubano cedeu Guantánamo para os norte-americanos estabelecerem a base militar.

Trump e seus seguidores não se convencem que a data da verdadeira independência de Cuba ocorreu quando do triunfo da Revolução, a 1 de janeiro de 1959, que pôs fim a ditadura sangrenta de Fulgêncio Batista, que tinha o apoio incondicional de Washington.

Vinte de maio, só que de 1985, é também o dia em que tiveram início as transmissões, bancadas pelo governo dos Estados Unidos, da rádio que usurpou o nome do herói nacional cubano José Marti, segundo lembra também o jornalista Martinez Pires. Transmissões que tiveram o objetivo de levar a desestabilização interna e acabar com o regime, mas não lograram atingir a meta estabelecida, porque o povo não se deixou enganar.

Trump e seus seguidores continuam voltados para o passado e não querem aceitar a realidade de que Cuba tornou-se verdadeiramente independente naquele alvorecer de um novo ano 58 anos atrás.

 

Complexo industrial militar contemplado por Turmp

 

Já que falamos de Donald Trump, o Presidente dos Estados Unidos está viajando pelo mundo e sua primeira escala foi na Arábia Saudita, país que não prima pela democracia, muito pelo contrário, e lá firmou acordos de venda de armas de 110 bilhões de dólares. Isso demonstra que ele está de bem com o complexo industrial militar.

Depois seguiu para Israel, onde foi recebido com pompas pelo aliado de extrema direita Benyamin Netanyahu, que oprime os palestinos e não aceita em hipótese alguma a criação de um Estado livre e soberano para aquele povo que enfrenta o belicismo de tropas de ocupação israelense. E um genro de Trump pertence a um grupo que financia a construção de assentamentos em território palestino. Trumpa como tentativa de marketing foi também para área palestina.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Yavad Zarif, por sinal, segundo informou em sua edição em espanhol a Hispantv,  sugeriu a Trump que tratasse com o seu aliado saudita uma maneira de evitar um novo 11 de setembro, em referência ao ataque ao World Trade Center, em Nova York, que contou com a participação  de um grande número de terroristas sauditas.

Trump, que anda dizendo volta e meia que vai combater o terrorismo com todas as forças que estiverem ao seu alcance, simplesmente prefere omitir o fato, já comprovado por diversas fontes, que a Arábia Saudita ajuda terroristas em várias partes do Oriente Médio, da Síria, a Líbia e passando pelo Iraque, países conflagrados exatamente por grupos terroristas como o do Estado Islâmico.

Por estas e muitas outras, as declarações de Trump em seu atual giro, e também em outras ocasiões, devem ser melhor analisadas, pois afinal de contas fica difícil de acreditar nele que simplesmente ignora a forma em que os terroristas que agem no Oriente Médio recebem o apoio da Arábia Saudita e ainda, segundo analistas, por parte de Israel, que em várias ocasiões, segundo informam jornalistas independentes, militares desse país entraram em ação contra o Exército sírio exatamente no momento em que encurralava terroristas do Estado Islâmico nas proximidades das Colinas de Golã, ocupadas por Israel há muitas décadas.

Como tais fatos são praticamente ignorados pelas agências de notícias, informações com as aqui mencionadas seguem praticamente desconhecidas pelos leitores, telespectadores e ouvintes que formam opinião com base em notícias veiculadas nos jornalões, telejornalões e emissoras de rádio destas bandas.

Se espera dos que tiverem acesso as informações aqui mencionadas que as levem adiante e exijam dos espaços  da mídia comercial que as divulguem. E aos descrentes das informações procurem formas para questioná-las. O principal no caso é o debate, nunca o silêncio.