Os impasses em nó górdio

Vivemos o inédito hoje, no Brasil, de impasses políticos que se freiam e se contradizem, numa sobrevida, em quase respiração artificial, do status quo. Em geral, as crises vão à sua acumulação e ao seu desfecho, num cronograma previsível. Nestas semanas, o anticlímax reforçou-se de verdadeiras somas algébricas deseus impasses, pelas contradições de lideranças como a das chamadas “cabeças pretas” do PSDB, a sair do governo, mas a votar pelas reformas.

Desdobram-se as perplexidades com a falta de lideranças emergentes que, de fato, virem a página do atual situacionismo. Da mesma forma, evidencia-se o álibi das eleições diretas no quase semestre, que envolveria a sua aprovação pelo Congresso dentro do rito definido pela atual Carta Magna.

Depara-se ainda a permanência do atual intermezzo, em face do previsível pedido de vistas no julgamento de Temer pelo TSE. Mais ainda, não existe previsão sobre esse jogo de maiorias e de como se pode prever o seu deslinde no Supremo. Sobretudo, o voto de seus membros, na atual previsão, não antecipa ainda maioria no plenário do colegiado.

Significativa, ao mesmo tempo, segundo as últimas sondagens do Vox Populi, é a permanência de Lula à frente com mais de 40% dos votos espontâneos, enquanto Jair Bolsonaro chega a 8%, Sergio Moro, 2%, João Dória e Alckmin, 1%. Note-se ainda que da a opção pelo petista só fez aumentar de dezembro de 2016 a junho de 2017, de 31% para os referidos 40%. Marina, por outro lado, caiu de 4% para 2%.

Os trunfos do continuísmo mal começam a aparecer, com a surpresa, após uma década, do aumento do PIB. Começa a dominar, ao mesmo tempo, o apelo à cautela, em toda a presente jogada de poder, mormente diante da possível condenação de Lula na Lava Jato. De toda forma, se há unanimidade dentro da crise, hoje, é a de evitar o “jogo feito”, a tornar indispensável a interinidade de Rodrigo Maia à frente da República.