Pancadas de chuvas (rio voador) em parte do país e ondas de calor agitam a semana

A semana começa com um distúrbio nos níveis médios da troposfera associado ao centro depressionário desorganizado, na forma de cavado com 1004 hPa, na costa do RS, que contribuirá para áreas de instabilidades associadas à zona de convergência e poderá provocar tempestades, sempre no período da tarde, acompanhadas  de chuvas fortes com possíveis impactos devido às nuvens convectivas de crescimento vertical (Cumulonimbus) em grande parte da região Sul, em SP (Vale do Paraíba), Triângulo Mineiro e sul de MG, região serrana do RJ e no centro-sul do RJ. Estas pancadas de chuvas deverão vir acompanhadas de descargas elétricas, vendavais de 100 km/h, queda de granizo associada ao calor e umidade. Nuvens convectivas entre 8 à 15/20 km de altitude. Não descartando chance para formação de tornados.

No último final de semana (20/01), as chuvas foram fortes, acompanhadas de descargas elétricas, rajadas de vento e muito calor na parte do norte e oeste do MT, grande parte do MS, norte de GO, SP, PR, parte de SC, norte do RS, além do MA, PI, CE, RN e PB. No Vale do Paraíba paulista e centro-sul do RJ ocorreram pancadas de chuva no período da tarde.

Linhas de instabilidades SCM (Sistema Convectivo Mesoescala) no dia 22/01, ocasionaram temporais em boa parte da cidade do Rio de Janeiro, causando alagamentos  nos bairros de Campo Grande, Bangu e também na Região Serrana. Nos municípios de Niterói e São Gonçalo,  houve chuva forte acompanhada de descargas elétricas, vendavais de 100 km/h e queda de granizo. Segundo relatos dos moradores de Alcântara e Jardim Catarina, local mais atingido, teve ocorrência de queda de árvores, postes quebrados, destelhamento de casa com possíveis danos estruturais ao Shopping Center do bairro. Dentro em breve será divulgada uma análise meteorológica sobre um possível tornado que produziu estragos nessas localidades.

PROJEÇÕES FUTURAS (31/01), RIO VOADOR (ZCAS).

TSM-INPE

ANOMALIA NO ATLÂNTICO SUL – NOAA

Para os próximos dias (28, 29/30/01), muitas incertezas devido a área de baixa pressão de superfície, com 1003/998/995 hPa, de características subtropicais. segundo os modelos GFS, poderá ser nomeado pelo Centro Hidrográfico da Marinha do Brasil (CHM), como Iba. Ressalta-se que, apenas a Marinha do Brasil, que é responsável pela Bacia, poderá nomeá-lo.

COMPARAÇÃO DE MODELOS GFS

COMPARAÇÃO DE MODELOS GFS

Os nomes dados aos ciclones são retirados de uma lista sazonal, que varia conforme a bacia, e são escolhidos com anos de antecedência. Os últimos fenômenos registrados foram Furacão Catarina (2004), Anita (2010), Arani (2011), Tempestades Subtropicais Bapo e Cari em Janeiro e Fevereiro de 2015, Tempestades Subtropicais Deni e Eçaí em Novembro e Dezembro de 2016, Tempestade Subtropical Guará em Dezembro de 2017.

Ressalta-se que estas modelagens são projeções futuras e podem acontecer erros devido a rotação do ciclone subtropical a ser nomeado.

INMET-AVISO DE CHUVAS INTENSAS

REGIÃO SUDESTE

Área afetada para 60 municípios do RJ:
Costa Verde, Baixadas Litorâneas, Metropolitana Do Rio De Janeiro, Norte Fluminense, Médio Paraíba, Centro Sul Fluminense, Serrana Fluminense;

Área afetada para 215 municípios de SP:
Campinas, Bauru/Araraquara/Piracicaba, Itapetininga, Sorocaba/Bragança Paulista, Vale do Paraíba/Litoral Norte, Metropolitana de São Paulo, Litoral Sul/Baixada Santista/Vale do Ribeira, Presidente Prudente/Marília/Assis, Serra da Mantiqueira;

SUL DO BRASIL

Área afetada para 812 municípios do RS e SC:
Planalto Norte Catarinense, Campanha, Oeste Catarinense, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis, Planalto Sul Catarinense, Litoral Sul Catarinense, Depressão Central, Encosta Inferior do Nordeste, Encosta Superior do Nordeste, Campos de Cima da Serra, Planalto Médio, Missões, Alto Uruguai, Central Paranaense, Norte Paranaense, Oeste Paranaense, Sudoeste Paranaense, Sul Paranaense, Litoral Gaúcho, Meio-Oeste Catarinense;

TEMPESTADES, riscos potenciais:
Chuva entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60-100 Km/h), e queda de granizo. Risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos;

Riscos Potenciais:

Chuva entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60-100 Km/h), e queda de granizo. Risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos;

Instruções:

– Em caso de rajadas de vento: (não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda);

– Se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia;

– Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193);

CENTRO-OESTE, BAIXA UMIDADE, ATENÇÃO:

Área afetada para 184 municípios do DF e GO: Distrito Federal, Centro Goiano, Leste Goiano, Sul Goiano, Norte Goiano, Noroeste Goiano;

Umidade relativa do ar variando entre 30% e 20%. Baixo risco de incêndios florestais e à saúde.

Instruções:

– Beba bastante líquido.
– Evite desgaste físico nas horas mais secas.
– Evite exposição ao sol nas horas mais quentes do dia.
– Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Predições/Estimativas da semana (algumas modelagens podem se antecipar ou declinar por divergências):

Os modelos GFS, GEM e CMC indicam a presença da Alta da Bolívia (AB) e a VCAN (Vórtice Ciclônico de Altos Níveis) sobre o Nordeste para os próximos dias e induz a convergência em baixos níveis, favorecendo a convecção em parte do Norte e Centro-Oeste do país. A passagem de um cavado de onda curta manterá as áreas de instabilidade sobre às regiões do Sul, SP e RJ até o próximo final de semana;

Na segunda-feira (22/01), áreas de instabilidade provocarão pancadas de chuva, as quais localmente deverão ser de forte intensidade em grande parte da Região Sul, em SP, Triângulo Mineiro e sul de MG, Região Serrana do RJ, grande parte da Região Norte, no centro-norte do MA e do TO, MA, PI, CE e no RN. A partir da tarde até a madrugada são esperadas chuvas volumosas que deverão vir acompanhadas de rajadas de vento e descargas elétricas no Vale do Paraíba paulista, centro-sul do RJ, Costa Verde, Serrana, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí;

==== ATENÇÃO ====

Quarta-feira (23/01), sol no RJ. Nova área de baixa pressão com 1006 hPa poderá causar impactos na região Sul do Brasil divisa com os países vizinhos Paraguai, Argentina e Uruguai. As preocupações aumentam devido a formação de outro cavado de média a alta troposfera em 500 hPa na Bolívia, que poderá desestabilizar o interior do país, contribuindo para a formação da ZCOU (Zona de Convergência de Umidade) ou mesma da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul);

Quinta-feira (24 e 25/01), áreas de instabilidades se intensificam ao corredor de umidade (formação da ZCAS?). A  frente-fria/estacionária (divergência nos modelos) se alinha com o mar. A Zona de convergência começa a se intensificar devido ao cavado nos Andes. As baixas pressões sobre as regiões do RS, divisa com SC e PR, além do Paraguai, MS, MT (Centro-Oeste) e Sudeste (SP, MG, RJ (médio Paraíba, centro sul, Serrana e noroeste Fluminense). Novas áreas de baixas pressões e cavados na costa do Sudeste e do RS podem provocar temporais. Não se descarta chance para formação de tornados devido as nuvens convectivas de grande crescimento vertical entre 8 à 20 km de altitude;

Sexta-feira (25/01), chance para chuvas volumosas de 100 mm/h/dia, acompanhadas de descargas elétricas e eventual queda de granizo associados ao calor e umidade. Existe risco para enchentes, inundações e deslizamentos de terra entre parte do Centro-Oeste,  SP, MG e RJ (noroeste, norte, centro sul e Serrana Fluminense). A cidade do Rio de Janeiro terá a menor chance de chuvas pesadas (divergências dos modelos). Não se descarta chance para formação de tornados devido às nuvens convectivas de grande crescimento vertical, de 8 a 20 km de altitude;

PS: Modelos GFS e CMC divergem quanto a origem da zona de convergência. Novas áreas de baixas pressões vão desestabilizar os Andes e os países vizinhos devido a passagem de uma frente-fria/estacionária (divergências). A frente-fria não consegue furar o bloqueio da ASAS no Sudeste. São esperadas chuvas volumosas a partir de 100 mm/h devido aos grandes volumes e índices precipitáveis. Modelos brasileiros não são coerentes. Já as modelagens dos GFS, são unânimes e prevem risco para enchentes, inundações e deslizamentos de terra;

==== ATENÇÃO ====

Sábado (26 e 27/01), chuvas intensas associadas às linhas de instabilidade (LI) podem produzir SCM (sistema convectivo mesoescala) ou CCM (complexo convectivo mesoescala) com possíveis impactos sobre as regiões do Sudeste (SP, MG e RJ, maior chance para tempestades no período da tarde) e Centro-Oeste. Passagem de uma frente-fria/estacionária contribuirá para grandes volumes de chuvas entre os países vizinhos Paraguai e Uruguai divisa  com os estados do Sul do Brasil, Centro-Oeste (MT e MS) e parte do Sudeste (SP, MG e RJ). Virá companhada de chuvas intensas, descargas elétricas, vendavais de 100 km/h e queda de granizo associados ao calor e umidade. Os modelos não são unânimes com relação a origem da ZCAS/ZCOU ( muito forte).  Por divergência dos modelos, frente-fria/estacionária não consegue furar o bloqueio da ASAS no Sudeste. Outra observação indica que o ante-ciclone Alta do Atlântico contribui para o bloqueio. Existe chance para mar de ressaca intenso na costa do Sudeste. Não se descarta chance para formação de tornados devido as nuvens convectivas de grande crescimento vertical entre 8 a 20 km de altitude;

As regiões do norte, noroeste e Serrana Fluminense,  a formação de uma área de baixa pressão de superfície, de características subtropicais e a Zona de Convergência do Atlântico Sul, (ZCAS), poderá causar chuvas intensas na parte interior do estado devido a rotação do ciclone no mar;

PS:  Novo cavado nos Andes, em 500 hPa, desestabiliza o interior do país, contribuindo na formação do rio voador  (ZCAS – Zona de Convergência do Atlântico Sul). Começa a formação de um centro depressionário de características subtropicais entre o SP, RJ, MG e ES.  Marinha do Brasil poderá nomeá-lo (IBA). Ventos costeiros fortes são possíveis por divergência dos modelos.

Domingo (28 e 29/01), linhas de instabilidades deverão se intensificar sobre os estados do PR, SP, MG e RJ com possíveis impactos associadas a formação de uma área de baixa pressão de superfície na costa entre o Sul e Sudeste do Brasil. Modelos indicam mar de ressaca intenso na costa do Sudeste. A alta do Atlântico impede que a frente-fria avance e chegue no RJ. Não se descarta chance para formação de tornados devido as nuvens convectivas de grande crescimento vertical entre 8 a 20 km de altitude.

Terça-feira (30 e 31/01), chance de chuvas volumosas para todo o Nordeste( incluindo a BA) e parte do Sudeste  (ES e interior de MG). Modelos indicam o fortalecimento da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) ou mesmo da ZCOU (Zona de Convergência de Umidade). Deve-se manter as condições de chuva, talvez severas, sobre estas regiões com possíveis impactos devido ao centro depressionário, com 995 hPa, na costa do RJ e do ES, que irá baixar seu centro ciclônico. Modelos GFS e CMC são coerentes com relação ao centro depressionário.

As informações prestadas acima estão sujeitas a atualizações nos próximos dias.

Colaboração do Prof. Douglas V. O. Lessa Paleontólogo do Clima
Fonte de pesquisa: NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), GFS, GEM, NAVAGEM, CMC, INMET, INPE (BRAMS), Windy, Tempo.pt e Marinha do Brasil.