Papa Francisco culpa oposição da Venezuela pela interrupção do diálogo

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro
Os acontecimentos na Venezuela se sucedem, mas nem todas as informações têm sido divulgadas pela mídia comercial conservadora. É o caso, por exemplo, das recentes declarações do Papa Francisco para um grupo de jornalistas quando retornava para o Vaticano depois de um giro no Egito.
O Sumo Pontífice responsabilizou a oposição venezuelana pelo fracasso do diálogo político proposto pela Igreja Católica com a participação de quatro ex-presidentes, o panamenho Martín Torrijos; Leonel Fernández, da República Dominicana; José Luis Rodríguez Zapatero, ex-presidente de governo da Espanha e o colombiano Ernesto Samper. Eles reiteraram o compromisso de fomentar as conversações entre os setores oposicionistas e o governo venezuelano com o objetivo de preservar a convivência pacífica.
Como resposta o oposicionista Henrique Capriles contestou o Papa Francisco. O Sumo Pontífice afirmara também que a oposição venezuelana está dividida, declaração contestada por Capriles que não esconde seu desejo de seguir adiante em sua estratégia de tentar um golpe que representaria a derrubada do Presidente constitucional. Capriles rejeitou o apelo do Papa no sentido de ser retomado o processo de diálogo e repudiou a participação  do espanhol Jorge Luis Rodríguez Zapatero, que chefiou uma missão da União das Nações Sul Americanas (UNASUR) no ano passado para acertar as negociações entre as partes.
Capriles, estimulado por Washington e outros governos que rezam pela mesma cartilha, como o do Brasil e da Argentina, quer apenas derrubar o Presidente constitucional Nicolas Maduro e para tanto conta com o apoio da mídia comercial conservadora, expressada nos veículos que integram o grupo denominado Diário das Américas.
Isto quer dizer o seguinte: as matérias críticas sobre o governo da Venezuela reproduzidas, por exemplo, em O Globo, são divulgadas também em vários países do continente latino-americano com o objetivo de fazer com que a opinião pública se volte totalmente contra o governo Maduro.
Maurício Macri, que recentemente se encontrou com Donald Trump, além de receber elogios como merece um sócio dos Estados Unidos foi praticamente intimado a continuar agindo contra, nas palavras de Trump, o “desastre” que representa o governo da Venezuela.
O governo golpista brasileiro, agora com Aloysio Nunes Ferreira na condição de Ministro do Exterior segue também plenamente a receita de Donald Trump no cerco ao governo venezuelano. Nem foi necessário um encontro entre Trump e o golpista Temer para que o Itamaraty reforçasse o apoio aos golpistas da Venezuela.
E por mais que o Papa Francisco se pronuncie em favor do diálogo, a oposição, como demonstra Capriles está empenhada na derrubada de Maduro e não quer conversa. Tentaram em abril de 2002 um golpe, que teve a participação também de Capriles, mas a reação popular com o apoio das Forças Armadas evitou a derrubada do então Presidente Hugo Chávez, que voltou ao governo nos braços do povo.
Mais uma vez o esquema golpista venezuelano joga todas as suas cartas e conta, como em 2002, com o apoio incondicional do atual governo dos Estados Unidos e agora da Argentina com Maurício Macri e do Brasil com Michel Temer, que chegou ao governo vale sempre repetir através de um golpe parlamentar, midiático e judicial.