PF desarticula grupos que traficavam drogas, desviavam mercadorias e roubavam bebidas no Tom Jobim

Dinheiro apreendido durante a operação no aeroporto Foto: Divulgação PF

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19/12) a Operação Rush para desarticular grupos criminosos que operavam no Aeroporto Internacional Tom Jobim em sofisticados esquemas de tráfico internacional de drogas, desvio de mercadorias e furto de bebidas do interior de aviões em pouso. Foi a maior operação policial realizada no aeroporto.

Foram cumpridos 36 mandados de prisão preventiva, 01 mandado de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal/RJ, nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Campo Grande, Ramos, Ilha do Governador, Olaria, Bonsucesso, Saúde, Inhaúma, Praça Seca, Tomás Coelho, Magalhães Bastos, Vaz Lobo, Bangu e Jacarepaguá, todos na capital fluminense; e também nos municípios de Queimados/RJ, Belford Roxo/RJ, Angra dos Reis/RJ e São Paulo/SP.

A Operação foi realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e da Receita Federal do Brasil. Iniciadas há cerca de dez meses, as investigações apontam a participação de funcionários do próprio aeroporto e de companhias aéreas, com apoio de servidores públicos da área de fiscalização aduaneira. Entre os mandados de prisão, pelo menos 23 são de funcionários do aeroporto e dois de servidores da Receita Federal. Foram identificados três grupos, capitaneados por um ex-funcionário do Galeão, responsável por recrutar os demais membros do grupo criminoso. Ele era auxiliado por seu pai, que ainda trabalhava no aeroporto.

O primeiro grupo criminoso em atuação no Galeão era responsável pelo embarque de malas recheadas de cocaína em aviões com destino ao exterior, burlando a fiscalização policial e alfandegária. Para tanto, contava com o auxílio de funcionários com acesso a área restrita do aeroporto, ques eram incumbidos de colocar malas em voos internacionais sem que sofressem qualquer espécie de inspeção.

A droga pertencia a dois estrangeiros, um albanês e um romeno, e ficava armazenada em um galpão localizado no Mercado São Sebastião, na Penha/RJ, onde era preparada em malas para o embarque, sendo transportada até aeroporto preferencialmente por meio de um táxi. A quadrilha utilizava a estratégia porque considerava que assim seria menor o risco de o veículo ser parado em uma “blitz”. No balcão de “check-in”, funcionários da companhia aérea providenciavam a duplicação irregular de etiquetas de bagagem despachadas por outros passageiros, inocentes, e que não pertenciam à quadrilha, afixando às malas preparadas pela quadrilha, para as quais providenciavam o despacho com o objetivo de garantir a entrada delas na área restrita, simulando destinação para voo doméstico. Operadores de rampa, integrantes do grupo criminoso, ao identificarem a bagagem contendo a substância entorpecente, deixavam de colocá-las no contêiner do voo doméstico e as desviavam para contêineres de malas que ingressariam em voo internacional. Outra forma de acesso da cocaína era pela área de apoio.

Durante as investigações, a Polícia Federal realizou em setembro a maior apreensão de cocaína da história do Galeão, contabilizando mais de 300 quilos da droga. O segundo esquema visava o desembarque de malas procedentes do exterior, sem que fossem submetidas à fiscalização prévia. Na maior parte das vezes, a bagagem era retirada pelos operadores de esteira do desembarque internacional e posteriormente desviadas para a esteira do desembarque doméstico, no intuito de evitar a fiscalização alfandegária e o consequente pagamento do tributo devido. Quando o passageiro passava pelo canal de inspeção da Receita Federal, em geral portava apenas bagagens de mão. Após a ação dos operadores de bagagens, as malas eram retiradas por um funcionário da companhia aérea no interior do setor de desembarque doméstico (esteira para retirada de bagagens) e entregue ao passageiro no saguão do aeroporto ou até mesmo na calçada exterior do aeroporto.

Em outra frente de atuação nesse mesmo esquema, funcionários do Galeão se encontravam com passageiros participantes do esquema ainda na porta da avião, e os acompanhavam até o canal aduaneiro, onde um servidor da Receita Federal liberava as malas que passavam pelo raio-x mesmo que identificasse mercadoria entrando de forma irregular sem recolhimento dos tributos e taxas legais. Esse servidor foi flagrado durante as investigações recebendo propina para liberar mercadorias.

Já o último núcleo criminoso atuava subtraindo, com frequência diária, garrafas de vinho, champanhe e garrafas em miniatura de bebidas do interior dos aviões em pouso. Funcionários da empresa de “catering” realizavam o furto, levando os vasilhames para áreas conhecidas como “pontos cegos”, onde era feita a triagem. Segundo a PF, o esquema mostrou-se bem estruturado, contando também com auxílio de membros de empresas com trânsito livre na pista do Galeão, responsáveis por retirar a mercadoria furtada das dependências do aeroporto. Agentes de portaria e segurança também eram cooptados para fazer “vista grossa” na saída das bebidas, que depois eram vendidas para receptadores predefinidos. Em setembro, dois funcionários do aeroporto e um receptador foram presos sendo apreendidas cerca de 2,7 mil garrafas de bebidas, veículos e dinheiro.

Os presos vão responder por organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, corrupção, facilitação ao contrabando e descaminho, furto qualificado, além de associação criminosa.

Legenda: Dinheiro apreendido durante a operação no aeroporto

Foto: Divulgação PF

Fonte: Polícia Federal

Edição: Wagner Sales