Procuradores da Lava Jato divulgam Carta do Rio com críticas à corrupção e preocupações com as eleições de 2018

Força tarefa da Lava Jato se mostra preocupada com as eleições de 2018 Foto: Wagner Sales

Reportagem: Wagner Sales

As próximas eleições serão fundamentais para o combate à corrupção no Brasil. Foi o que deixou claro a força tarefa da Operação Lava Jato, que se encontrou no Rio, nesta segunda-feira. Procuradores da República dos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro se reuniram para coordenar esforços contra a corrupção, por meio da discussão de casos associados, de técnicas e instrumentos de investigação.

Em um documento batizado de Carta do Rio de Janeiro, os procuradores afirmam que “desde 2014, a Lava Jato vem revelando que a corrupção no Brasil está bastante disseminada no modo de funcionamento do sistema político nas esferas federal, estadual e municipal. Cargos públicos de chefia são loteados por políticos e partidos para a arrecadação de propinas.” Em entrevista, o procurador Deltan Dallagnol observou que neste momento, se uma parte do Congresso é acusado de corrupção como pode aprovar medidas nesse sentido.

Segundo Dallagnol, a lentidão da justiça e a infinidade de recursos estimulam a impunidade. Ele não deixou de citar casos que envolveram o ex-prefeito e deputado Paulo Maluf, Jader Barbalho e tantas outras pessoas importantes. “O que nós vemos é a mesma história se repetindo sem fim Por isso nós temos dificuldade de mudar essa realidade,” ressaltou.

De acordo com números da Lava Jato, 416 pessoas foram acusadas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, 144 réus foram condenados a mais de 2 mil 130 anos, 64 fases foram deflagradas sendo cumpridos 1,1 mil mandados de busca e apreensão; pelo menos 92 ações penais tramitam na justiça; 340 pedidos de cooperação internacional foram enviados ou recebidos em conexão com mais de 40 países. Além disso, segundo a força tarefa, R$ 11 bilhões estão sendo recuperados por meio de acordos de colaboração com pessoas físicas e jurídicas.

Durante a entrevista, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que “a forma de financiamento de campanha definida pelo Congresso com o sistema proporcional em listas abertas aplicadas as eleições de deputados federais e estaduais gera criminalidade, gera necessidade de recursos excessivos que, normalmente, têm origem ilícita. Primeiro deveríamos examinar como tornar a política mais barata para depois discutirmos como financiá-la, mas o Congresso procurou o caminho mais fácil.”

É justamente sobre o Congresso que a carta assinala “que se a luta contra Corrupção depende essencialmente do Congresso, é preciso que a sociedade fique atenta aos movimentos dos atuais parlamentares, manifestando-se contra qualquer tentativa de dificultar ou impedir investigações criminais de pessoas poderosas.” No encontro com os jornalistas, os procuradores citaram as experiências da Operação Mãos Limpas, na Itália, e os fracassos do trabalho dos procuradores em razão da influência política de grupos poderosos.

Os procuradores da República finalizam a Carta do Rio chamando atenção para as eleições do próximo ano. Eles ressaltam que “em 2018 cada eleitor escolha cuidadosamente dentre os diversos setores de nossa sociedade, apenas deputados e senadores com passado limpo, comprometidos com os valores democráticos e republicados e que apoiem efetivamente a agenda anticorrupção.”

Do encontro da força tarefa, participaram também Eduardo El Hage, do Rio de Janeiro, José Roberto Vagos, Anamara Osório Silva, Thaméa Danelon.

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