Projeto Resgate

Leva capacitação e empregabilidade aos moradores de rua

À procura de emprego, André Lima e Claudio do Nascimento encontraram na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) uma nova oportunidade para o retorno ao mercado de trabalho. É o projeto Resgate, lançado pela instituição e pela secretaria municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação, nesta quarta-feira (31), com o objetivo de oferecer capacitação e empregabilidade a pessoas em situação de rua.

E esse é o caso deles. André, carioca, vive em situação de rua desde março e na vida já trabalhou como vigia e guardador de piscina. Claudio, paulista, veio para o Rio há duas semanas trazendo na bagagem a experiência como pedreiro, ajudante de pedreiro, auxiliar de serviços gerais, segurança e porteiro. Em comum, os dois têm a mesma trajetória em território fluminense: até são chamados para entrevistas, mas, desprovidos de comprovante de residência, acabam ficando sem vaga.

– Infelizmente, ainda existe uma certa discriminação em relação a quem vive na rua. Na hora da entrevista, não falam nada pra gente. Mas sempre inventam uma desculpa quando começo a expor a minha real situação. Dizem que no momento não há vaga – preocupa-se André, pai de dois filhos e, aos 38 anos, avô de um neto.

Para mudar isso, ele aposta no projeto Resgate. A iniciativa consiste, em um primeiro momento, na realização de quatro aulas voltadas à capacitação das pessoas em situação de rua e cuja parte pedagógica ficará a cargo da secretaria. Nos encontros serão trabalhados temas como noções básicas de direitos e deveres em sociedade, postura profissional, higiene pessoal, espírito de equipe, o preparo do currículo com destaque para as qualificações profissionais de cada um e até mesmo como conviver com os mais variados sentimentos no ambiente de trabalho.

– A Lei Complementar 80, de 1994, prevê como uma das incumbências do defensor público a promoção dos direitos humanos e como um dos objetivos da Defensoria Pública a efetividade dos direitos humanos, bem como difundir e conscientizar sobre esses direitos, sobre a cidadania e o ordenamento jurídico. Logo, esse é um projeto de grande alcance para as pessoas em situação de rua e que reforça os laços delas com a instituição, gerando o comprometimento da municipalidade e envolvendo também a sociedade – destaca a defensora pública Carla Beatriz Nunes Maia, atuante no Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da DPRJ (Nudedh).

As aulas serão ministradas para turmas mensais e acontecerão na Defensoria Pública toda quarta-feira, das 9h ao meio-dia, sendo a primeiro turma com 12 alunos. De camisa de manga e sapato brilhando, Claudio chegou ao projeto já pronto para começar a escrever uma nova página em sua vida e, dessa vez, recheada por conhecimentos a serem adquiridos nos encontros.

– Meu objetivo é aprender mais. Aprendizado é sempre bem-vindo e vai me ajudar a encontrar o que vim buscar no Rio: uma nova oportunidade na vida – observa Claudio, de 45 anos.

Já em um segundo momento, o projeto consistirá no cadastrado dos alunos, pela secretaria, em site de oportunidades de emprego. Se surgir alguma vaga compatível com o perfil profissional do candidato, ele receberá carta de encaminhamento e seguirá para uma entrevista.

– A gente sabe que há um grande preconceito na sociedade e, por conta disso, fechamos uma força-tarefa dentro da secretaria para buscar vagas de emprego para essas pessoas – ressalta o subsecretário municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação, Luis Malheiros.

fonte: Defensoria Pública do Rio de Janeiro