Reformas representam terra arrasada, diz presidente da CUT

De Solidário, por Matheus Gagliano

Publicado em 25 de Janeiro de 2017

As reformas trabalhista e previdenciária que o governo Michel Temer pretende fazer para tentar tirar o país da crise financeira em que se encontra podem acabar trazendo um cenário muito mais desolador para os próximos anos, sendo um panorama de terra arrasada aos trabalhadores assalariados brasileiros. Esta é a opinião do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.

Recentemente, o site da CUT publicou uma pesquisa do Banco Mundial na qual mostra que o país pode ter uma piora na tensão social, com o cenário de crise aliado às reformas do governo, provocando a entrada de aproximadamente 3,6 milhões de pessoas a um patamar abaixo da linha da pobreza.​

Em entrevista ao portal Solidário Notícias, Freitas disse que as propostas do governo representam um desmonte do sistema de leis trabalhistas que estão em vigor no Brasil e retira alguns dos direitos fundamentais dos trabalhadores. Um dos pontos de maior polêmica, de acordo com Freitas, é a tentativa de promover a negociação direta do pagamento de 13º salário, horas extras, férias, entre outros direitos entre o trabalhador e o empregador.​

Para o presidente da entidade sindical, o funcionário perde força se tiver que negociar diretamente com o patrão sem a intermediação de um sindicato que o represente. “Querem acabar com o que está na lei. Se negociar as férias, terão férias. Se não negociar, não terão. Pretendem rasgar a lei”,frisa.​

Previdência

O presidente da CUT também criticou a tentativa de reforma da previdência por parte do governo. Ele citou que a impor 49 anos de contribuição para o trabalhador é uma meta considerada fora da realidade. “Ninguém vai conseguir ter 49 anos de trabalho. Em alguns casos, como em regiões pobres, como na periferia de São Paulo, a média de vida da população é de 65 anos. Só quem mora nos bairros mais nobres vive além disso”, lemba.“Quem vive na periferia, enfrenta uma vida dura”, ressalta.​

Para barrar as reformas, ele lembrou que é necessária a mobilização da população. Por isso, a entidade sindical está agendando uma série de movimentos contra as mudanças. No dia 8 de março, está previsto um movimento na Avenida Paulista contra a reforma da previdência e no dia 15, do mesmo mês, deverá ocorrer um protesto de caráter nacional nacional, em todas as capitais do país.​

Aposentômetro

Nesta semana, a CUT lançou, o “Aposentômetro”, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) uma calculadora que ajudará trabalhadores e trabalhadoras a descobrir com qual idade se aposentarão, caso seja aprovada a Reforma da Previdência.​

Com o mote “Reaja agora ou morra trabalhando”, a CUT deu inicio a um movimento que pretende tomar as ruas do país pela preservação da aposentadoria, um direito histórico da classe trabalhadora. O “Aposentômetro” é uma das ações que contribuirão para dar aos trabalhadores argumentos para combater a proposta do governo.

Para acessar o “Aposentômetro”, basta clicar no endereço http://aposentometro.cut.org.br/.

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Presidente Cut. Foto: Vagner Freitas
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