Sem pagamentos, servidores do estado do Rio dependem da caridade alheia

SEPE (Sindicato Estadual dos Professores do Rio de Janeiro), em Niterói, doa cestas básicas aos pensionistas, aposentados e servidores da ativa do Estado do Rio de Janeiro (RJ). Na foto servidores na fila para se cadastrar para receber a cesta básica. Foto Fábio Gonçalves

Por Solidário, de Saulo Andrade

Publicado em 30 de Janeiro de 2017

Com o telefone cortado, além do aluguel e o condomínio atrasados há três meses, já era a segunda vez que, no início de janeiro, a pensionista do estado do Rio, Valdicéa Rodrigues, pegava a sua cesta básica numa das sedes do Sepe (Sindicato Estadual dos Professores do Rio de Janeiro), em Niterói.

“Estamos passando fome. Sou cardíaca e não posso trabalhar porque tenho um aparelho no coração. O remédio custa R$ 298 e não tenho este dinheiro. Eu e minha família estamos vivendo de doação dos outros” – disse, revoltada.

Ela foi uma das cerca de 200 trabalhadores que, inscritas na lista de servidores que receberiam uma cesta básica na sede do Sepe daquela cidade, tiveram de fazer parte de uma fila para receberem mantimentos básicos, nas próximas semanas.

“Nos deparamos com um fato novo. A fila estava passando a esquina da nossa rua. São mais de 200 nomes na lista de pessoas, esperando por esta doação. Anotamos o nome e o telefone de quem não conseguiu pegar as cestas básicas e estamos contando com novas doações da população” – destacou Rejane Machado, professora da rede municipal e dirigente do Sepe em Niterói.

 

O sindicato está recolhendo alimentos não perecíveis para distribuir a aposentados, pensionistas e servidores da ativa sem salário. A cesta básica inclui leite, arroz, feijão, óleo, açúcar, farinha, sabonete, papel higiênico e sabão. Apesar de ter oficiado grandes redes de supermercados a participarem da campanha, o Sepe não obteve, por parte delas, nenhuma resposta.

Procurada pela reportagem do Solidário Notícias, a Asserj (Associação de Supermercadistas do Rio de Janeiro) – representante dos interesses dos supermercados de todo o estado – afirmou que “atua em ações coletivas em prol de suas associadas”, destacando ainda que “não interfere nas decisões individuais de cada supermercado”.

Enquanto governo não paga salários, campanha por alimentos continua

Quando não fatia os salários, pagando cerca de R$ 300 ao mês, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, comandado por Luiz Fernando Pezão, não vem pagando seus servidores ativos, aposentados e pensionistas, desde 2015.

Outra pensionista, Nilcéa Pereira da Silva, chegou mais cedo ao Sepe e teve “sorte”: conseguiu sua cesta básica. “Eu, aos 70 anos, ansiava por descanso, uma vida melhor, com o meu direito adquirido, mas estou passando por esta situação” – relatou.

Financiada por aquela sede sindical, a campanha de fornecimento de cestas básicas vem atendendo, semanalmente, em média, 60 servidores. De acordo com os dirigentes da entidade, a demanda vem sendo maior do que a capacidade de recolhimento de mantimentos.

Funcionando em regime de plantão, em Niterói, as cestas básicas são distribuídas às terças e quintas-feiras, das 10h às 16h, na sede do Sepe. Precisam-se de arroz, feijão, macarrão, molho de tomate, biscoito, açúcar, sal, fubá e farinha. Para fornecer as doações, entre em contato: Rua Maestro Felício Toledo, 519, Centro de Niterói. Telefone: (21) 2622-7762.

Na capital, Rio, o Sepe também está realizando doações aos trabalhadores do estado. O sindicato fica na Rua Evaristo da Veiga, 8º andar, Centro. Telefone: (21) 2195-0450.

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Doação de cestas básicas no SEPE de Nierói - Foto: Fábio Gonçalves
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