Somos todos Ronaldos

Luciano LIma - Arte Rafael Sarrasqueiro

Jogador de futebol brilhante, três vezes considerado melhor do mundo, Ronaldo Nazário de Lima, conhecido como o “Ronaldo Fenômeno” foi nomeado como embaixador da Copa do Mundo da Fifa em 2014 no Brasil e, em uma de suas entrevistas, após ser questionado sobre o alto investimento do dinheiro governamental na competição que poderia ser revertido para investimento em hospitais, afirmou:

“A gente vai ser receber Copa do Mundo, amigo e sem estádio não faz Copa do Mundo, amigo, NÃO FAZ COPA DO MUNDO COM HOSPITAL […]”.

A declaração do fenômeno do futebol mundial ganhou repercussão nas mais diversas mídias, em especial nas redes sociais, afinal todos acharam um verdadeiro absurdo o que o fenômeno tinha falado na época.

Contudo, apesar de eu achar que a prioridade de um governo num país como Brasil devam ser escolas, hospitais e segurança, de fato nunca vi uma Copa do Mundo de nenhuma modalidade ser disputada num hospital.

Sendo assim, a frase de Ronaldo começa a fazer sentido. Até porque, muitas das pessoas que criticaram a afirmação de Ronaldo naqueles dias e tinham um certo poder aquisitivo compraram ingressos em um valor “padrão FIFA” para assistir os jogos nos estádios superfaturados do Brasil; outros compraram camisas amarelinhas com orgulho de pertencerem à nação que tira o dinheiro dos hospitais e aplicam em estádios; torcendo vorazmente por 23 jogadores que teriam a sonhada aposentadoria integral num país em que nenhum brasileiro “mortal” consegue tal façanha após décadas de anos em trabalhos sem qualquer reconhecimento da mídia ou das pessoas ao redor do mundo.

No final das contas a gente, sendo brasileiro e carioca, gosta é de festa, agito e badalação e não importa quanto o Estado tira do hospital para isso, afinal eu quero mais é me divertir. No final das contas, muito protesto é falácia e muita reclamação não passa de discurso hipócrita.

Se você acha que estou falando de um fato antigo com um delay de quase 4 anos, está redondamente enganado. Diante da crise financeira que destrói vidas e mais vidas no país do futebol e na cidade do samba, o prefeito do Rio de Janeiro decidiu cortar em 50% (cinquenta por cento) as verbas do Carnaval Carioca.

Sabem por quê ele fez isso?! Porque o dinheiro está acabando e é melhor faltar na folia do que no HOSPITAL, é melhor faltar na folia do que na ESCOLA. Mas como o carioca vê?!

“Absurdo! Como acabar com uma festa tão tradicional da nossa cidade?”.

Sabe o que eu descobri hoje, é que todos os anos SOMOS TODOS RONALDOS e que Carnaval não se faz com hospitais, que dirá com as escolas.

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