Trump procura em Miami agradar apoiadores da velha guarda cubana terrorista

Mário Augusto Jakobskind - Arte Rafael Sarrasqueiro

Alguém chegou a ficar surpreso com a tomada de posição do presidente os Estados Unidos Donald Trump em relação a Cuba? Nada de novo no front, ou seja, simplesmente a repetição do que os mais variados governos estadunidenses, republicanos ou democratas, têm apresentado desde o triunfo da Revolução liderada por Fidel Castro em 1  de janeiro de 1959.

Trump foi a Miami, exatamente no local chamado Little Havana, onde se concentram os remanescentes da velha guarda terrorista participante  da invasão da Baía dos Porcos, em 1962, e que ao longo dos anos tentou derrubar o regime com ações sangrentas.

Esta gente protege bandidos que foram responsáveis por atos que resultaram em mortes, como, por exemplo, a derrubada de um avião nos céus da Venezuela. São apoiadores incondicionais de Luis Posada Carriles, o mentor do atentado, em 1976 que resultou na morte de jovens atletas cubanos que retornavam de uma competição. Carriles foi preso, mas conseguiu fugir de uma prisão na Venezuela com a ajuda da inteligência norte-americana e seguiu impune todos estes anos abrigado em território norte-americano.

Tentou assassinar Fidel Castro no Panamá, quando o líder cubano ia proferir uma palestra na universidade local. Sua ação não teve êxito,  pois foi descoberta antes. Carriles e seus seguidores pouco se importavam que a ação terrorista pudesse resultar na morte de estudantes panamenhos se fosse executada. Só esse fato dá bem a ideia de quem são os protetores de Posada Carriles..

Trump foi discursar com o visível objetivo de aproveitar o embalo para desviar a atenção da série de acusações que enfrenta e até podem resultar em impeachment. Na sua estratégia para ficar bem com quem o apoia repetiu a falação de seus antecessores com ameaças contra o regime cubano. Desde Dwight Eisenhower até os demais presidentes norte-americanos o bloqueio econômico que caminha para s 57 anos prossegue.

Com toda pressão que se intensificou ao longo do tempo, o presidente Barack Obama procurou mudar de estratégia, mas sem revogar o bloqueio econômico. Trump decidiu então discursar em Miami e anunciar mudanças restringindo algumas medidas já adotadas pelo antecessor  e que resultaram no aumento de viagens de cidadãos norte-americanos a Cuba.

Trump fala até em eleições em Cuba, como se lá não existisse. A diferença é que nas consultas populares na ilha caribenha não tem vez a participação de grupos recebendo apoios financeiros empresariais, que na prática deturpam o resultado, como acontece em muitos países da América Latina.

Trump, como os demais presidentes norte-americanos, ainda segue a política que tenta acabar com o regime vigente em Cuba. Como se apenas a retórica de um presidente possa influir no que está consolidado há 58 anos. Ou será que alguém imagina que um regime pode se manter estes anos todos sem o apoio popular?

Só mesmo Trump e os remanescentes de grupos terroristas que foram lá saudar o atual presidente pensam ao contrário e ainda tentam fazer o que não conseguiram ao longo de todos estes anos.

Por estas e muitas outras se pode concluir, sem dúvidas, que Trump foi a Little Havana apenas para tentar criar um fato e receber apoios dos remanescentes do terrorismo ainda circulando em Miami.