Um monumento para a História

Muitos eventos, atos e solenidades assinalaram o primeiro Centenário do Município de Chapecó neste ano de 2017. Entre eles há um que merece especial registro pela sua emblemática importância: o monumento que homenageia trêspersonalidades cuja atuação empresarial, comunitária e política foi fundamental na consolidação dessa comunidade que capitalizou admiração nacional e internacional e se transformou em paradigma de trabalho e desenvolvimento.

Um dos homenageados é o coronel Ernesto Bertaso, empreendedor sul-rio-grandense que no início do século passado aportou em uma região hostil, isolada, carente e abandonada pelo poder central para iniciar um corajoso processo de desbravamento e colonização. Com uma espantosa visão de futuro e uma férrea determinação, Bertaso projetou uma cidade com avançados padrões urbanísticos, atraiu famílias, distribuiu lotes, estimulou empreendimentos e iniciou as bases do Município cujo território, na segunda década do século passado compreendia todo o atual oeste catarinense.

Outra figura imortalizada no monumento é Plínio Arlindo de Nês, empresário e benfeitor com ampla atuação comunitária. Foi pioneiro da industrialização de Chapecó e lançou as bases da moderna agroindústria. Sempre estimulou a concessão de apoio e incentivos para que novas empresas se instalassem no Município. Foi uma das vozes mais importantes na defesa regional e na reivindicação de obras e serviços para atender as necessidades de infraestrutura e de ação estatal nas áreas da saúde, educação e segurança para a população do grande oeste.

O monumento se completa com a presença de Aury Luiz Bodanese, uma das maiores lideranças do cooperativismo brasileiro. Aury fundou e dirigiu as maiores cooperativas catarinenses e inspirou milhares de empreendedores, produtores e empresários rurais. Seu grande feito foi criar uma estrutura industrial para o processamento da vasta produção agrícola e pecuária. Isso permitiu que os produtores rurais barrigas-verdes deixassem a mera condição de fornecedores de matéria-prima para agregar ganhos e controlar todo o processo produtivo. Aury conferiu uma visão empresarial às cooperativas, melhorou a qualidade de vida da família rural, fortaleceu todo o sistema cooperativista, apoiando a criação e a viabilização das cooperativas, não só as agropecuárias, mas também dos ramos de transporte, crédito, infraestrutura, habitação,  saúde etc.

A Administração Municipal foi iluminada quando decidiu construir o monumento e honrar essas três figuras. Esses três gaúchos, forjados nos ideais de liberdade, trabalho e empreendedorismo, apaixonados pela terra onde depositaram seus sonhos e derramaram seu suor foram os protagonistas de uma singular história de superação, perseverança e desenvolvimento. Evidentemente existem centenas de outras personagens que também merecem reconhecimento, mas, é indubitável que ao focalizar essas três legendas da saga chapecoense, a Administração Municipal cometeu um gesto de justiça histórica que, por via de extensão, resplandece na memória de outros protagonistas e coadjuvantes nesse pedaço do território verde-amarelo chamado CHAPECÓ.